O rondonense Marcio Moacir Cerny e sua namorada, Francislana Silva (Lana), viveram dias difíceis na semana passada. O casal foi acusado de estar denunciando empresas que estariam trabalhando de forma interna no período da quarentena, contrariando o que previa o decreto do Governo do Estado.
Tudo começou devido a áudios que Francislana enviou pelo WhatsApp alertando que estava havendo intenso policiamento em Marechal Cândido Rondon visando à fiscalização para exigir o cumprimento do decreto estadual. Os áudios foram compartilhados e não demorou para que intensas críticas surgissem contra o casal.
Proprietário do site de notícias Marechal News, Marcio Cerny visitou o Jornal O Presente nesta semana para, mais uma vez, esclarecer o episódio, assim como já havia feito junto com Francislana em vídeo postado no Facebook. Confira a entrevista.
O Presente (OP): Houve um episódio na semana passada em que o senhor e sua namorada foram acusados de estarem denunciando comerciantes que estariam com atendimento interno em suas empresas, desconsiderando o decreto estadual referente à quarentena. Afinal de contas, o que aconteceu?
Marcio Cerny (MC): Isso foi um fato lamentável. Quero deixar bem claro a todos que esse áudio foi um alerta. Ela quis prestar um alerta para toda população que a polícia estava, sim, cumprindo o decreto. Esse decreto, deixando de antemão, não era estabelecido pela Prefeitura de Marechal Cândido Rondon, mas pelo governador Ratinho Junior. O decreto previa que o comércio deveria cumprir o fechamento, mas infelizmente pessoas maldosas interpretaram o áudio de forma errada. O WhatsApp hoje é uma ferramenta em que às vezes as pessoas entendem as coisas erradas e um já passa para outro, de forma alterada, e isso vai para frente e as notícias se propagam. A Francislana trabalha no Marechal News e é minha namorada, não é dona do site. O site é meu. Deixo bem claro a todos: não é qualquer notícia ou qualquer áudio que vai abalar ou terminar o site Marechal News. É um trabalho intenso e de muito tempo. Nasci em Marechal Cândido Rondon, cresci aqui e estou até hoje. Comecei com cerca de 11 anos de idade a vender picolé, na época da antiga sorveteria Cristal Sorvetes. Depois de um tempo comecei a fazer a recolha de reciclados. Com o passar do tempo fui conquistando vários amigos e amigas. Em 2013 recebi o convite para ser sócio-proprietário do site Marechal News, que só tinha 163 curtidas na fanpage. Com sete anos sou dono do site e agradecemos onde chegamos.
OP: A sua namorada então não é sócia-proprietária do site?
MC: Quero deixar bem claro: no áudio ela diz que é dona do site Marechal News, mas não tem nada a ver. Inclusive fizemos um vídeo em que falamos sobre essa polêmica e já é algo esclarecido. Ela é minha namorada, é funcionária do Marechal News, ganha por esse trabalho e não é dona do site.
OP: O senhor foi acusado de ter denunciado empresários. Isso procede?
MC: Eu reafirmo novamente que não fiz nenhuma denúncia. Infelizmente houve comerciantes em que um denunciou o outro. Houve relatos de vários comerciantes que falaram para mim que um estabelecimento de ramo semelhante não aceitava estar fechado e fez a denúncia contra outra empresa. Eu não fiz nenhuma denúncia. Eu estava na rua, como sempre estive, em busca de matérias e informações, mas não fiscalizando.
OP: Chegou a ser feita uma foto sua, em que o senhor estava em frente a um estabelecimento e com o celular na mão. Só para esclarecer, qual foi essa situação?
MC: Essa situação ocorreu em um estabelecimento situado na Avenida Rio Grande do Sul, no centro da cidade. Uma pessoa de dentro da empresa tirou uma foto minha mexendo no celular (Marcio estava na calçada). Quero deixar bem claro que neste dia houve um capotamento em Nova Santa Rosa e essa camioneta foi encaminhada para a Delegacia de Polícia Civil de Marechal Cândido Rondon, que fica próxima a essa empresa. Eu fiz e está na fanpage do meu site a live dessa camioneta capotada. Coincidentemente, neste mesmo dia essa foto vazou. Essa foto foi feita quando eu estava trabalhando próximo à delegacia, olhando o celular para passar informações desta ocorrência do capotamento.
OP: Na semana passada o senhor registrou um boletim de ocorrência (BO) devido à divulgação de um áudio que citava o seu nome e o site. Pretende tomar outras medidas?
MC: Até o momento só fiz esse registro na 2ª Companhia da Polícia Militar (PM), pois fui instruído a fazer essa denúncia. Não quero ganhar nada dessa pessoa. Praticamente todos os fatos foram esclarecidos. Haja vista que não fiz nenhuma denúncia (contra comerciantes), não preciso provar nada para essa pessoa. Mas vou deixar esse BO aberto porque ela me acusou, chamou o Marechal News de ‘sitezinho’ e mencionou meu nome. Não é um ‘sitezinho’. Ela não pode falar isso, nem do Marechal News e nem dos outros veículos de comunicação. Estamos realizando o nosso trabalho. Este foi um decreto do governo estadual e não do site.
OP: O senhor se sente injustiçado com o que aconteceu na semana passada?
MC: De alguma forma sim. Eu não fiz esse áudio. De forma alguma estou contra os comerciantes. Logo quando saiu a decisão do governador (em não prorrogar a quarentena), fiz a matéria para divulgar que os estabelecimentos poderiam reabrir dentro da norma estabelecida. Estou a favor do comércio e não contra.
OP: Em uma era em que o compartilhamento de informação é rápido, qual lição e aprendizado o senhor e sua namorada tiram desta situação, em que ela tinha como intenção fazer um alerta sobre o policiamento e muitas pessoas interpretaram de outra forma?
MC: Tem certas coisas que simplesmente não podem ser faladas no WhatsApp, mas pessoalmente, cara a cara, olho no olho. Simplesmente isso. Tem que ter muita atenção e cuidado, porque é complicado as pessoas entenderem de forma errada. Aprendi que a partir de agora não se coloca mais nada no WhatsApp.
OP: O senhor acha que hoje é muito fácil haver distorção da informação?
MC: Bastante. Muitas pessoas entendem errado.
OP: Nesta época de pandemia a divulgação de notícias se tornou um desafio, porque há manifestações de forma radical. Como o senhor analisa o trabalho de divulgar informações em um período tão delicado?
MC: Divulgar a quantidade de pessoas curadas é uma notícia maravilhosa, mas nós temos que mostrar todos os lados. Infelizmente, nem toda notícia é maravilhosa, seja de Covid, do trânsito, policial. Sempre têm notícias trágicas, mas todos os meios de comunicação, em geral, se sentem injustiçados. Ultimamente rede social virou uma arma na mão errada. As pessoas usam a rede social para criticar, mas nem acompanham o vídeo ou leem a matéria. O nosso propósito é sempre levar a informação completa, não importa o fato que seja. Não vamos passar borracha ou tentar esconder os fatos. Se os fatos estão acontecendo, temos que divulgar. Não importa o meio de comunicação que divulga a notícia.
OP: O senhor está há sete anos com o site. Acha que este é o período mais delicado na divulgação de informação?
MC: É um momento muito delicado, inclusive com muitas fake news, que geram notícias distorcidas. Devido às fake news precisamos checar várias fontes antes de divulgar no site.
OP: O episódio da semana passada pode fazer com que mude algo ou a sua conduta e a linha de trabalho continuam as mesmas?
MC: Eu vou continuar nesta linha e neste sistema. Quero deixar mais uma vez claro que jamais quis prejudicar algum comerciante. Sempre vou estar ao lado do empresário, divulgando as empresas não só de Marechal Cândido Rondon, mas de toda a região.
O Presente