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Revendedores de automóveis de Marechal Rondon estão otimistas

calendar_month 18 de junho de 2020
7 min de leitura

As incertezas que a pandemia de coronavírus trouxe para a população, tanto na saúde das pessoas quanto na economia dos municípios de todo o país, ainda geram dúvidas a respeito da plena retomada do movimento em diversos setores.

O setor de serviços sentiu um pouco menos, mas a crise financeira não poupou praticamente nenhum segmento do comércio de Marechal Cândido Rondon e região.

As últimas semanas foram para tentar “pôr a casa em ordem”. Rever conceitos, fazer adequações, contar os prejuízos e tomar atitudes que exigem um processo de reinvenção.

Mas, mesmo com todos os percalços, a exemplo de outros segmentos da economia, as revendas de carros enxergam com bons olhos o futuro do setor, que comemora o retorno dos clientes.

Samuel Franciosi, dono da Franciosi Multimarcas, conta que o aumento da circulação de clientes na loja está acontecendo aos poucos, mas já anima o setor de usados. “A retomada está acontecendo gradativamente. Aos poucos, estão aumentando o movimento e as vendas”, comemora.

O gerente administrativo Matheus Chiapetti, da Chiapetti Veículos, comenta que a loja ficou fechada por 60 dias, mas que não foi necessário demitir nenhum funcionário, apesar da queda no movimento ter chegado a 50%. “Nas últimas semanas as vendas de veículos melhoraram consideravelmente”, expõe.

Outro empresário que está otimista em relação ao aumento nas vendas é o proprietário da Senacar Automóveis, Julio Cesar Ramos. “Ainda não é o ideal, mas já é um começo, aliás, um bom recomeço. O retorno do movimento está acontecendo de forma lenta, porém crescente”, pontua.

Samuel Franciosi, proprietário da Franciosi Multimarcas: “Acredito que para voltar ao normal vai demorar mais ou menos um ano ainda” (Foto: Divulgação)

Gerente administrativo da Chiapetti Veículos, Matheus Chiapetti: “Clientes têm medo de fazer dívida por não terem certeza de estabilidade financeira” (Foto: Divulgação)

 

RETOMADA ECONÔMICA

Mas, quando o assunto é o tempo de retomada da economia, as opiniões se dividem. Alguns são mais otimistas, outros acreditam que o tempo será maior do que se gostaria.

Para Franciosi, após o período mais crítico da epidemia será necessário um tempo maior para a recuperação econômica. “Acredito que para voltar ao normal vai demorar mais ou menos um ano ainda”, estima.

Na visão de Ramos, é impossível prever o tempo para o fortalecimento pleno da economia, mas ele entende que o fato da região Oeste ter uma economia forte por conta do agronegócio é um ponto positivo para acelerar a retomada. “Com as variações de preços e produtos e também das safras, acredito que a retomada seja rápida”, aposta.

Franciosi acredita que a falta de veículos novos nas concessionárias, por conta da paralisação total ou parcial das linhas de produção das montadoras, aliada ao receio dos consumidores, está fazendo muitos clientes optarem pela compra de um veículo seminovo. “O usado tem no momento uma comercialização maior que o novo, e está se mantendo”, salienta.

Rui Schimmel, proprietário da Rodovel – revenda Ford, também é da opinião de que a recuperação na região será mais rápida por causa das características da economia. Porém, ele observa: a produção do milho safrinha foi prejudicada pelo clima e isso pode prolongar o período de recuperação. “Normalmente os produtores da região plantam com recursos da soja, e com a quebra do milho safrinha, que deve chegar a 50%, 60%, o pessoal vai tirar do bolso para cobrir o que gastou. Provavelmente vai dar prejuízo”, prevê.

Para ele, que também é produtor rural, o ano tem sido completamente atípico na economia, mesmo sem considerar os desgastes provocados pela pandemia. “Porque com a ótima produção de soja que nós tivemos e com os bons preços, o mercado teria que estar muito mais aquecido”, enaltece.

Rui Schimmel, da Rodovel – revenda Ford: “Uma coisa é certa, a recuperação total do mercado deve demorar de seis a oito meses” (Foto: Sandro Mesquita/OP)

Julio Cesar Ramos (direita), proprietário da Senacar Automóveis, ao lado do filho Caio (esquerda) e do gerente da loja, Sutil (centro): “A retomada está acontecendo de forma lenta, porém, crescente” (Foto: Divulgação)

 

VEÍCULOS NOVOS

De acordo com Schimmel, a recuperação no setor de novos deve ser um pouco mais difícil por causa da falta de veículos, devido à paralisação nas linhas de produção das montadoras. “Agora que as fábricas recomeçaram a produzir veículos, a produção deve começar a normalizar somente a partir da segunda quinzena de julho”, menciona.

Ele lembra que as montadoras que já retomaram as atividades voltaram com limitações na produção. “Inclusive as que começaram a trabalhar e as que começarão estão com o turno reduzido e só com 50% da produção”, aponta.

O empresário revela que a maioria das concessionárias está trabalhando com estoque limitado. “Temos poucos carros em estoque. A Ranger, por exemplo, um dos veículos mais procurados, eu não tenho pra entregar”, expõe.

Ele comenta que os pedidos são feitos com 90 dias de antecedência, mas os veículos não foram entregues pelas montadoras. “O que nós pedimos para maio veio pouco, junho não vai vir quase nada e muitos pedidos foram cancelados”, lamenta.

Segundo Schimmel, isso se torna um complicador a mais para o setor de veículos novos. “Você não tem mercadoria e muitas vezes o cliente tem pressa, mas não sabemos quanto vai demorar para entregar para ele”, salienta.

Ele diz que após a normalização por parte das fábricas, a expectativa será em relação a como o consumidor reagirá. “A gente não sabe o que vai acontecer, porque se a pandemia persistir por muito tempo, o consumidor ficará ainda mais receoso”, ressalta.

Paralisação nas linhas de produção das montadoras afeta a venda de veículos novos (Foto: Sandro Mesquita/OP)

 

QUEDA NO MOVIMENTO

Conforme os casos de Covid-19 aumentaram no Brasil, e as medidas sanitárias para tentar conter o avanço do vírus foram intensificadas, a maioria dos empresários viu o número de clientes diminuir. No entanto, em Marechal Rondon, após dez dias de portas fechadas por conta do decreto municipal, os consumidores voltaram ao comércio, ainda que timidamente.

O segmento de revenda de veículos não foi exceção; em alguns estabelecimentos a queda do movimento chegou a 80%, mas começa a dar sinais positivos.

De acordo com Chiapetti, uma das alternativas encontradas pela Chiapetti Veículos para minimizar a redução das vendas foi a diminuição da margem de lucro. “Acredito que é melhor ganhar menos em cada veículo, mas vender e girar o estoque”, ressalta.

Falta de carros novos no mercado aquece a venda de seminovos (Foto: Sandro Mesquita/OP)

 

PERSPECTIVAS

Franciosi afirma que a crise econômica que o município atravessa poderia ter sido minimizada se as medidas de prevenção tivessem sido regionalizadas. “Acredito que no futuro veremos que foi uma coisa exagerada essa questão de fechamento de empresas. Foi um pânico desnecessário”, opina.

Conforme Chiapetti, existe uma preocupação de parte dos consumidores sobre os desdobramentos que a pandemia ainda provocará na economia, o que deixa o segmento de veículos preocupado. “Existe receio e preocupação por parte dos clientes, principalmente medo de fazer uma dívida e não ter certeza de uma estabilidade financeira no futuro”, enfatiza.

Segundo ele, a pandemia mudou a vida de todo mundo, e tudo só voltará ao normal o dia que tiver uma vacina para a doença. “Até lá temos que nos adequar às mudanças e tomar devidas precauções”, sugere.

Na opinião do gerente, a pandemia mostrou o quanto a solidariedade é importante, e quão importante é ajudar o próximo. “Com uma crise deste tamanho podemos observar como a sociedade é desigual, e como devemos ajudar a quem mais necessita”, destaca.

 

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