Internacionalizar uma empresa é sempre um desafio. Pensando nisso, a rondonense Juliana Schneider participou de uma missão técnica a Portugal a partir de um programa organizado pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) e pela Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), que propiciou capacitações teóricas e práticas a pequenas empresas focando o mercado internacional.
Fundadora da JP Schneider Consultoria e Treinamentos, empresa parceira da marQ Consultoria, de São Paulo, Juliana contou ao O Presente como foi a experiência de prospectar negócios em território português. Confira.

O programa
A iniciativa “Internacionalização de Pequenos Negócios”, do Sebrae e da Fiep, visa propiciar a internacionalização das micro e pequenas empresas, partindo de Portugal e com potencial para avançar ao mercado europeu como um todo. Cerca de 30 empresas participaram das capacitações e um terço destas integraram uma missão técnica em solo português.
As inscrições aconteceram no começo de 2021 e no mesmo ano tiveram início as preparações. “Soube da oportunidade via Iguassu Valley.Rondon e me interessei por pensar na expansão e, principalmente, internacionalização dos negócios. Fiz a inscrição e consegui dar segmento”, expõe.
Totalmente on-line, as capacitações foram realizadas no ano passado, de maio a dezembro. “Ao longo desse período, os treinamentos abordavam diversos assuntos, como Exportação, Marketing Internacional e outros aspectos relativos ao mercado. A maioria das empresas inscritas eram do ramo de produtos, enquanto eu era uma representante do setor de serviços. Em alguns momentos, tivemos algumas consultorias focadas para cada empresa e segmento”, conta.
Ida a Portugal
Nove empresários que participaram das capacitações foram ao país português. “A ida a Portugal através da missão foi uma oportunidade disponibilizada, mas aconteceu por adesão dos empreendedores. Foi um investimento de R$ 850 ao longo das capacitações e, na parte da missão, algo em torno de R$ 10 mil para uma semana de vivência, hospedagem e um cronograma bem rico de imersão comercial”, detalha.
Em Portugal, Juliana pôde conhecer os hábitos, cultura e, consequentemente, um pouco sobre o mercado português. “Temos a mesma língua, mas a cultura e a pegada do business são muito diferentes. Ter essa vivência foi bem interessante”, enaltece.

Experiências
A missão técnica aconteceu de 23 a 27 de maio. No primeiro dia, a rondonense passou pela experiência do “safari urbano”. “A gente entendeu como as coisas funcionam, visitamos alguns shoppings e vimos a dinâmica e consumo do lugar como um todo, contemplando as diferenças e as semelhanças. Também descemos a Avenida Liberdade, experienciando o trânsito e o dia a dia de Lisboa. Foi muito bacana, porque conhecer o ambiente ajuda a entender o business”, considera.
Juliana destaca que os empresários brasileiros tiveram contato com empresas privadas e públicas de Portugal, como a Agência para a Competividade e Inovação (IAPMEI), a Agência para o Investimento e Comércio Externo (AICEP), a Embaixada Brasileira, a Câmara do Comércio e a Invest Lisboa. “Portugal está fomentando um crescente Ecossistema empreendedor. A imagem que ficou de Lisboa é que é uma Capital supercompetitiva, inovadora e, o melhor, está de braços abertos para receber empresas e produtos inovadores. Os portugueses estão trabalhando para desburocratizar e tornar mais fácil a abertura de empresas, tanto que vendem essa imagem de que é fácil atuar comercialmente por lá, além de ser um país com alta qualidade de vida”, pontua.

Abordagem difícil, mas interesse genuíno
De acordo com a empresária, os portugueses costumam ser mais diretos em suas negociações, se comparado aos brasileiros. “A primeira abordagem é uma conquista, porque eles pensam muito bem se vão te atender e só o fazem se realmente tiverem interesse. Diferente do Brasil, quando temos abertura de chegar nos clientes, mas poucos têm real interesse. Por lá, quando eles se disponibilizam a te receber você é muito bem atendido, então não fica aquela coisa ‘forçada’”, compara.

Rede de contatos
Outro ganho da missão técnica foi o network, aponta a rondonense. “A gente teve conhecimento sobre quem procurar para dar segmento à internacionalização. Esse network é muito bacana, assim como todo o conteúdo relevante a que tivemos acesso, como, por exemplo, entender a tributação portuguesa, documentos necessários para atuar em Portugal e outros passos e suportes que pode contar com cada entidade”, menciona.
Especificamente, Juliana teve contato com representantes do turismo de Portugal e pôde averiguar o atual cenário do setor no país. “Nossa empresa definiu o atendimento a hotéis como foco. Então, apresentamos as boas práticas que a gente já tem no Brasil e em países hispânicos”, relata.
Momento da empresa
A marQ Consultoria, empresa parceira da JP Schneider, trabalha com soluções digitais para a gestão empresarial no setor de hospitalidade, atendendo atualmente em torno de 400 hotéis. Durante a capacitação da missão técnica, a empresa estava no processo de abertura de uma filial no Chile e, segundo a rondonense, os assuntos abordados ajudaram nesse trâmite também.
Apesar de enriquecedora, a empresária ressalta que a participação em um programa desse tipo precisa considerar o estágio de desenvolvimento da empresa. “Depende de cada plano estratégico. No nosso caso foi super relevante, porque estávamos em vias de abrir uma filial na América Latina e conseguimos bastante conhecimento”, salienta.
Prospecção de negócios
Depois da experiência, Juliana diz que o momento é de prospecção de negócios. “Vender lá significa ser remunerado em euro, o que diversifica a forma de faturamento e os clientes”, observa, comentando que a JP Consultoria e a marQ ainda estão na fase de prospecção: “Ainda não fechamos a venda efetivamente, mas as negociações estão acontecendo”.
Ao O Presente, ela declara que “pensar fora da caixa” pode abrir possibilidades às pequenas empresas. “Existem outros mercados, cada um com sua peculiaridade, que podem diversificar o negócio. A internacionalização comercial é um passo bem importante para o desenvolvimento da empresa. Começar por Portugal pode ser um facilitador por ser o mesmo idioma, e uma porta de entrada para o mercado europeu”, enaltece.
O Presente