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Rondonense cria “Movimento Respirar” e máscaras de mergulho adaptadas ajudam a salvar vidas

Projeto encabeçado por empresário rondonense, "Movimento Respirar" desenvolve equipamento que auxilia no tratamento de pessoas com Covid-19

A vontade de ajudar pacientes acometidos pela Covid-19 levou o empresário rondonense Alan Güttges a criar o “Movimento Respirar”, uma iniciativa com o propósito de oferecer uma alternativa aos respiradores principais e com isso reduzir a necessidade de terapia respiratória invasiva, ou seja, intubar o paciente.

O projeto consiste em adaptar máscaras snorkel, usadas em mergulho, para serem utilizadas nos hospitais em pacientes que necessitam de oxigênio por meio de Ventilação Não Invasiva (VNI).

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Uma das etapas do tratamento da Covid-19 em casos mais graves é a intubação, um procedimento onde um tubo é introduzido na garganta do paciente e conectado a um respirador artificial. Além de causar sofrimento ao paciente, a intubação é um método que pode oferecer risco aos profissionais de saúde, principalmente em casos de doenças contagiosas.

Segundo o idealizador do projeto, Alan Güttges, as máscaras podem ser usadas em casos de menor ou maior gravidade da doença. Ele conta que além de auxiliar para minimizar a evolução da doença e a consequente intubação e sedação, o equipamento também ajuda no processo de desmame em pacientes que precisaram usar ventilação mecânica. “O kit foi desenvolvido para ser ligado direto na tubulação de oxigênio do hospital e fazer o tratamento para evitar que o paciente precise de ventilação”, explica.

De acordo com o rondonense, o equipamento auxilia de forma mais eficiente a oxigenação, e o sistema de vedação das máscaras de mergulho diminui o risco de contaminação dos profissionais de saúde que atuam na linha de frente no combate à pandemia do coronavírus. “As máscaras de mergulho vedam toda a região do rosto e não tinha nada disponível no mercado que fizesse o mesmo trabalho”, explica.

Güttges conta que a partir do mês de dezembro começou a acompanhar a evolução da epidemia na China e posteriormente o avanço da doença em países da Europa. “Fui vendo a evolução na Itália e pensei que uma hora poderia chegar aqui. Comecei a me perguntar o que eu poderia fazer para ajudar se chegasse no Brasil”, relata.

Empresário rondonense Alan Güttges: “O Movimento Respirar foi criado com o propósito de salvar vidas” (Foto: Sandro Mesquita/OP)

 

INSPIRAÇÃO

A inspiração para o projeto do empresário rondonense veio do outro lado do Atlântico, mais precisamente da Itália, um dos países europeus mais atingidos pela pandemia do coronavírus. “Vimos muitas imagens chocantes de lá, como caminhões levando os corpos de vítimas da doença”, relembra.

Segundo ele, a inspiração surgiu após conhecer um projeto idealizado pela empresa italiana Isinnova, por intermédio de Cristian Fracassi, responsável pela criação da válvula batizada de Charlotte, peça fundamental para adaptar a máscara de mergulho. “Eu fui atrás da pessoa que desenvolveu a válvula e foi bem complicado encontrá-lo. Fiquei na torcida para que ele lesse a mensagem, por que o mundo estava atrás dessa pessoa”, enaltece.

Conforme Güttges, a máscara adaptada desenvolvida na Itália, a qual se inspirou, apresentou bons resultados no auxílio ao tratamento de pacientes com Covid-19. “Quando fui atrás disso, fui com o objetivo de trazer o projeto para cá, entender o que eles fizeram lá e o que poderia ser replicado aqui para evitar a intubação e tentar salvar vidas”, evidencia o empresário.

 

Paciente utilizando uma das máscaras respiratórias do Movimento Respirar (Foto: Divulgação)

 

ALCANCE

Segundo o idealizador do Movimento Respirar, já foram feitos 292 kits e distribuídos em todos os Estados do país. “Somente para o Mato Grosso foram 100 kits”, revela.

De acordo com Güttges, o projeto não visa lucro, e todo o dinheiro arrecadado com a venda dos kits é usado para dar continuidade ao projeto. “Todo o valor que arrecadamos é para fazer outros kits e pagar os que a gente já fez”, menciona.

O empresário diz que os últimos kits montados por ele já têm destino certo, e como a demanda pelo equipamento é grande, as máscaras de mergulho se tornaram escassas no mercado. “Estamos trabalhando junto à Itália para trazer máscaras de lá. A ideia é conseguir fazer mais 162 kits nos próximos 20 dias”, informa.

 

Válvula Charlotte, desenvolvida pela empresa italiana Isinnova, fundamental no processo de adaptação do equipamento de mergulho (Foto: Divulgação)

 

SATISFAÇÃO

O empresário rondonense comenta que costuma manter contato com os profissionais da saúde que utilizam o kit no tratamento a pacientes com Covid-19 para saber como é o desempenho do equipamento. “É muito bacana cada vez que recebo o feedback de um médico. Por exemplo: olha, acabei de liberar um paciente que estava indo para o tubo e conseguimos reverter”, compartilha.

Segundo Güttges, o mundo passa por um momento difícil e todas as ações positivas que ajudam de alguma forma as pessoas devem ser destacadas. “A gente está num mundo não só doente do coronavírus, um mundo que está doente de fato, psicologicamente falando, e a gente busca levar empatia, levar amor dentro do nosso kit”, afirma.

Ele destaca o trabalho dos profissionais de saúde que têm a difícil missão de combater a pandemia do novo coronavírus. “Os verdadeiros heróis são os profissionais que salvam vidas, mas a gente tenta fazer a nossa parte”, pontua.

 

Segundo a fisioterapeuta ozonista Tanila Mendes Muracami, a máscara respiratória adaptada tem se mostrado eficiente nas terapias com ventilação não invasivas: “Elas estão fazendo a diferença” (Foto: Divulgação)

 

MOBILIZAÇÃO

Além das máscaras desenvolvidas pelo projeto auxiliarem no tratamento dos pacientes, o Movimento Respirar, conforme o rondonense, ajudou a despertar o sentimento de solidariedade.

Ele destaca a mobilização de empresas, entidades e da população em geral, que adquirem os kits para doar a instituições de saúde. “É muito bacana ver a união das pessoas. Tem muita gente comprando e doando para hospitais. Isso vai dando fôlego para continuarmos com este trabalho”, expõe.

Durante o processo de concepção do projeto, Güttges contou com a orientação e suporte técnico de alguns profissionais e instituições de saúde.

O Hospital Rondon, por intermédio do médico Eduardo Seyboth e do gerente de engenharia Alex Sandro Sousa, realizou os testes e melhorias no equipamento. “É muito bacana saber que temos em Marechal pessoas extremamente capacitadas e humanas, porque em nenhum momento cobraram alguma coisa e em todo o tempo disseram: vamos lá, vai dar certo”, ressalta.

Güttges destaca também o trabalho desenvolvido pelo médico Giulliano Garcia, do Hospital Regional de Cáceres, no Mato Grosso, e do médico Tiago Lucietto Krielow, de Marechal Rondon, responsável pelo suporte necessário para trazer o projeto italiano e adaptá-lo à realidade brasileira.

Segundo a fisioterapeuta ozonista Tanila Mendes Muracami, que atende no Hospital Beneficente Moacir Micheletto, em Assis Chateaubriand, as máscaras adaptadas têm um papel importante no tratamento de pacientes com Covid-19. “Atualmente trabalhamos com dez máscaras respiratórias. Elas estão fazendo a diferença no tratamento de ventilação não invasiva e, com certeza, estão salvando muitas vidas”, frisa.

O equipamento está sendo usado em caráter experimental e aguarda regulamentação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

 

Itens que compõem o kit com a máscara respiratória adaptada do Movimento Respirar (Foto: Divulgação)

 

CONTATO

As pessoas que tiverem interesse em saber mais sobre o Movimento Respirar podem entrar em contato através dos seguintes canais: site: www.movimentorespirar.com, e-mail: contato@movimentorespirar.com e/ou telefone (45) 99914-2133.

 

 

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