O rondonense Murilo Maia, que deixou a Ucrânia na sexta-feira (25), descreveu os momentos de tensão e medo na saída do país, rumo à Polônia, onde ele está agora. “A situação está um desespero. Todo mundo aglomerado (na fronteira, tentando sair)”, diz.
Para chegar a uma cidade que faz fronteira com a Polônia, Murilo e amigos alugaram uma van. De carro a viagem dura no máximo cinco horas, mas para eles o trajeto foi mais longo. “Conseguimos pegar uma van às três horas da tarde para nos levar à fronteira. Conseguimos chegar lá para descer a pé próximo das cinco e meia, seis horas. E aí fizemos o trajeto a pé levando as nossas malas”, conta. “Vimos pessoas que foram para a fronteira e tiveram que voltar, deixar esposa, filhos. Difícil de encarar tudo isso”, expõe.
Neste sábado (26), Murilo está na cidade Medyka (Polônia).
Aviso do pai
Apesar de estar próximo do conflito, Murilo só ficou sabendo do primeiro ataque russo à Ucrânia por conta de uma ligação que recebeu pela madrugada do pai dele, o ex-rondonense Juarez Maia, atualmente morador de Curitiba. “Naquela noite eu vinha monitorando (a situação). Quando apareceu na televisão o primeiro bombardeio, eu imediatamente pedi para o Murilo sair de lá o mais rápido possível”, relata Juarez.
Para Angélica, mãe de Murilo, o mundo precisa de paz, não de armas e guerra. “Estamos vivendo um ponto da história que eu achei que nós já havíamos superado”, lamenta a rondonense, feliz, por outro lado, pelo filho ter conseguido sair da Ucrânia.

Jogador profissional
Murilo tem 23 anos, é jogador profissional de futebol e chegou à Ucrânia no início do mês de fevereiro. Ele morava com outros cinco jogadores brasileiros. Todos decidiram deixar o país ainda ontem, quando teve início a invasão russa.


VÍDEOS FEITOS POR MURILO – E ENVIADOS AO O PRESENTE – DURANTE A PASSAGEM DELE DA UCRÂNIA PARA A POLÔNIA. CONFIRA:
A invasão
A Rússia iniciou, na madrugada de quinta-feira (24), uma ampla operação militar para invadir a Ucrânia. Há imagens de explosões e movimentações de tanques em diferentes cidades ucranianas. Putin disse às forças ucranianas que deponham as armas e voltem para casa.
Putin atacou o Leste da Ucrânia com misseis e explosões. Em resposta, o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, afirmou que distribuiu armas aos ucranianos.
A Capital, Kiev, teve congestionamentos, corrida aos mercados e estações de trem lotadas. Milhares de moradores começaram a deixar a cidade desde as primeiras horas do dia.
Fortes explosões foram ouvidas por jornalistas das agências internacionais de notícias no centro de Kiev e também em outras cidades ucranianas.
O ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Dmytro Kuleba, acusou Putin de iniciar uma “invasão em grande escala” contra seu país. “Cidades ucranianas pacíficas estão sob ataque”, tuitou Kuleba.
Países contrários à invasão, como Estados Unidos, França e Inglaterra, anunciaram sanções para sufocar a economia russa, numa tentativa de desestimular os ataques.
Brasileiros que vivem no país tentam deixar a Ucrânia e relatam clima assustador.
O Presente com G1