No celular, no computador ou em quaisquer outras telas, os jogos eletrônicos são parte dos momentos de lazer e, para jogadores mais ativos, ocupam grande parte do dia. Com a ascensão do e-sport, se destacar nos jogos on-line, lucrar com as partidas e transformar o hobby em algo a mais é o sonho de muitos. Para Amanda Dorigoni Portugal, de Marechal Cândido Rondon, isso se tornou realidade.
Aos 19 anos, ela é ativa nas redes sociais, tem público engajado e na segunda-feira (30) completa um ano de canal na Twitch. A plataforma reúne diversos conteúdos ao vivo, desde streamings de jogos até conversas, e Amanda ganhou repercussão por lá fazendo lives de League os Legends (LoL). “Foi o que dei enfoque, mas também jogo e transmito outros jogos. Eu comecei na diversão e nunca pensei em lucrar com isso”, conta ela ao O Presente, mencionando que o hobby despretensioso subiu de nível recentemente.

Rondonense Amanda Portugal tem 19 anos e encara o e-sport como parte do seu futuro: “Concilio as lives com a faculdade. Considerando o tempo que eu e outros streamers investimos para planejar o conteúdo e ficar na plataforma, é um trabalho como qualquer outro” (Foto: PHOTO ARIM – Samira Cardoso)
Monetização na Twitch
Amanda tem uma média de 3,2 mil seguidores na Twitch TV, serviço de streaming da Amazon que registrou mais de 30 milhões de visitantes diários em 2020. De acordo com ela, foi somente quando pessoas de todo o Brasil passaram a acompanhá-la que viu o potencial das suas transmissões. “Meu canal aparecia nos recomendados e assim mais perfis foram me seguindo. Percebi, então, que eu conseguiria receber um salário”, relembra ela, com carinho. O canal da rondonense pode ser encontrado em twitch.tv/ehportugal.
Na plataforma é possível seguir os canais tal qual acontece em outras redes sociais, bem como apoiar o criador de conteúdo financeiramente, explica a rondonense. “Tanto o valor das inscrições quanto os bits, um tipo de moeda da Twitch, vão acumulando. Quando chega em um valor X, eu consigo retirar no próximo mês. No começo era difícil, mas recentemente tenho conseguido receber mensalmente”, enaltece.
“É um trabalho”
Ela não revela números para a reportagem, apenas diz que a monetização varia a cada mês. “Concilio as lives com a faculdade. Considerando o tempo que eu e outros streamers investimos para planejar o conteúdo e ficar na plataforma, é um trabalho como qualquer outro mesmo não tendo carteira assinada”, comenta Amanda, que cursa Nutrição na Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), em Francisco Beltrão.
As noites da rondonense são dedicadas à Twitch e ela vê no esports um nicho para direcionar a sua graduação. “Penso em futuramente estudar a nutrição esportiva em players de jogos on-line”, expõe.
Parte do Tier 3
Atualmente, Amanda compõe o grupo de streamers da Acclaimed The Strongest (ATS Sports), organização do Tier 3 de LoL. Existe uma classificação dos times conforme os resultados e participações nos campeonatos de League of Legends, assim como no futebol, exemplifica ela. “No Tier 1 estão os times que competem no CBLoL (Campeonato Brasileiro de LoL) e existem campeonatos menores nas demais divisões”, relata.
Quando soube que a ATS estava procurando canais para transmissão, a rondonense se apresentou e foi aceita, passando a streamar as partidas do time. “Tem muitas organizações no Tier 3 e as transmissões movimentam a Twitch: tem uma torcida bem legal que acompanha”, menciona, acrescentando que, inicialmente, apenas transmitia os jogos enquanto outras pessoas os narravam.
Narração de jogos
Quando não havia quem narrasse os jogos, ela fazia para incrementar a transmissão e, para a surpresa de Amanda, “a galera gostou”. A partir daí, a até então jogadora e streamer começou também a narrar as partidas. “Agora quando tem jogo da ATS eu transmito e narro. Geralmente as lives têm comentarista e narrador, mas eu acabo fazendo os dois”, pontua.
Ao O Presente, a rondonense disse que pegou gosto pela nova atribuição e planeja adentrar ainda mais o mundo dos casters, que integra há cerca de dois meses. “O público que me acompanha nos streamings e nos jogos narrados é praticamente o mesmo, não preciso escolher só um. O pessoal da ATS também curtiu e me apoiou na narração, disseram para investir nisso. Acredito que tenho potencial”, considera.

As noites da rondonense são dedicadas à Twitch e ela vê no esports um nicho para direcionar a sua graduação: “Penso em estudar a nutrição esportiva em players de jogos on-line” (Foto: Divulgação)
Número de gamers brasileiros aumentou 10,7% no último ano
Apesar de desconhecida para muitos, a indústria de jogos deve faturar mais que cinema e música em 2021, sendo que o público jovem, de dez a 24 anos, corresponde a 43% dos espectadores dos torneiros de esports
Jogos eletrônicos, players, plataformas e organizações: tudo isso é reunido no termo esports, cujas competições virtuais têm mobilizado jogadores, torcida e recursos financeiros e tecnológicos.
Dados da consultoria NewZoo apontam que a indústria de jogos eletrônicos deve movimentar US$ 180 bilhões neste ano, enquanto indústrias há tempo consolidadas no mercado, como o cinema e a música, devem faturar US$ 51 bilhões e US$ 23 bilhões em 2021, respectivamente.
A pandemia foi um catalisador desse mercado, de acordo com a Pesquisa Game Brasil (PGB). O levantamento constatou um crescimento de 10,7% de 2020 para 2021 no número de gamers brasileiros. Mais que adeptos dos jogos eletrônicos, a torcida aumentou e há mais pessoas acompanhando os temas relacionados ao e-sport, com a média de duas a três horas semanais de conteúdo assistido.
Com público variado, o Global Esports Market Report indica que 43% dos espectadores dos torneiros virtuais têm entre dez e 24 anos – em comparação, a mesma faixa etária corresponde a 24% dos telespectadores de futebol no Brasil, o esporte mais popular no país; 30,5 % do gamers recebem premiações em dinheiro ao participarem de competições, segundo a PGB.
O Presente