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Rondonenses acumulam R$ 5,1 milhões em dívidas; 3,8 mil estão com CPFs incluídos no SPC

calendar_month 13 de abril de 2022
6 min de leitura

Marechal Cândido Rondon acumula R$ 5.103.507,79 referentes a 8.303 dívidas, sendo 3,8 mil de pessoas físicas e 277 jurídicas (alguns CPFs e CNPJs têm mais de uma dívida). Do valor total, R$ 258.184,13 dizem respeito a cheques. Os dados são do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC), atualizados no fim de março.

Apesar dos números expressivos, a quantidade de pessoas inadimplentes no município é menor do que a médica nacional, observa o vice-presidente de Informações Cadastrais da Associação Comercial (Acimacar), Eduardo Berndt.

“Marechal Rondon possui 3,8 mil CPFs incluídos no SPC. Considerando que o município tem 54 mil habitantes aproximadamente e, segundo a CNC (Confederação Nacional do Comércio), 20% da população é menor de idade e 20% são não-bancarizados, 11,73% da população economicamente ativa está inadimplente”, informa.

Ao todo, há 7.814 registros no SPC referentes a esses 3,8 mil rondonenses inadimplentes, o que perfaz uma média de duas dívidas por pessoa física. Quanto às pessoas jurídicas, a média de registro no SPC por CNPJ rondonense é de 1,7.

Além do nível de inadimplência estar relativamente baixo, Berndt afirma que a relação entre inclusões e exclusões no SPC se mantém estável no município. No entanto, essa estabilidade não se deve necessariamente a um consumidor mais consciente, alerta ele. “Há influência de uma taxa de juros mais alta e a redução da renda, o que faz o consumidor buscar menos crédito. Simultaneamente, o comerciante fica mais prudente para fornecer crédito devido ao maior risco”, pondera.

Vice-presidente de Informações Cadastrais da Acimacar, Eduardo Berndt: “Não há uma informação fechada quanto ao ticket médio nacional, porém a média de Marechal Rondon (R$ 575,95) figura abaixo dos tickets médios de Toledo (aproximadamente R$ 1,2 mil) e Cascavel (R$ 1,6 mil)” (Foto: Raquel Ratajczyk/OP)

 

Características locais interferem

Outra variável que interfere nesse número “controlado” da inadimplência em Marechal Rondon, aponta o vice-presidente de Informações Cadastrais da Acimacar, é a base da economia: o agronegócio. Segundo ele, a região Oeste é privilegiada nesse sentido. “Nossa economia é fortemente vinculada ao agronegócio. Em comparação, a região metropolitana de São Paulo tem quase 40% das inclusões nacionais. Subindo para o Norte do país, quase 55% da população está endividada. Essas regiões têm algumas dificuldades que nós não temos”, compara.

Ele explica que, por exemplo, o desemprego não é um problema no município, como acontece em outras regiões. “A gente sente dificuldades na venda e na manutenção das empresas, mas a queda do emprego não é um fator que imediatamente impulsiona a inadimplência localmente”, salienta.

 

Ticket médio de R$ 575

De acordo com os registros no SPC até fevereiro de 2022, o ticket médio da dívida dos rondonense é de R$ 575,95. “São dívidas relativamente baixas e se o consumidor se organizar um pouco consegue quitar em seis meses, mas requer planejamento”, ressalta Berndt.

Há uma relação diretamente proporcional entre o tamanho da cidade e o ticket médio da dívida, compara o rondonense. “Não há uma informação fechada quanto ao ticket médio nacional, porém a média de Marechal Rondon figura abaixo dos tickets médios de Toledo (aproximadamente R$ 1,2 mil) e Cascavel (R$ 1,6 mil)”, exemplifica.

O dirigente da Acimacar reforça que o SPC reúne a inadimplência dentro do município, isto é, a partir do crédito próprio ofertado pelas empresas. “O que faz as pessoas entrarem na inadimplência são os bens de consumo. O cartão de crédito entra na pesquisa de endividamento, mas não é incluído no SPC, que é fomentado pelo setor de comércio e serviços. Quando a dívida é com o banco, no caso dos cartões, a inadimplência vai para o Serasa”, diferencia.

Marechal Rondon tem 3,8 mil CPFs incluídos no SPC (Foto: Divulgação)

 

Dificuldades em sair do vermelho

No início de 2020, 46% dos inadimplentes rondonenses levavam mais de 90 dias para recuperar o crédito, número que passou para 59,11% nos últimos seis meses. “Esse percentual da recuperação de crédito desenha a nossa economia e indica se os inadimplentes têm conseguido sair dessa situação ou não. Então, o crescimento da quitação com mais de 90 dias significa que o nosso consumidor está com maior dificuldade de quitar as dívidas em atraso”, pontua.

Ainda segundo o SPC, 13,6% dos inadimplentes de Marechal Rondon pagam a conta em até 13 dias depois de serem incluídos no SPC, 10,04% em até 30 dias, 10,31% em até 60 dias e 6,93% em até 90 dias.

(Arte: O Presente)

 

Inadimplência x desenvolvimento econômico

Esses mais de R$ 5 milhões devidos ao comércio rondonense comprometem muito o potencial de desenvolvimento econômico existente em Marechal Rondon, avalia Berndt. “Esse é um dinheiro que deixa de circular no comércio. As empresas tiveram custos e teriam uma pequena margem de lucro nessas vendas, no entanto tiveram que absorver esse prejuízo”, analisa.

Cada venda a crédito é uma relação de confiança criada entre comércio e cliente, o que é rompido com o não cumprimento do compromisso financeiro. “Atualmente, as vendas a prazo chegam a 70% no comércio. Ou seja, se isso se frustrar em pouco tempo você compromete a viabilidade da empresa. A empresa precisa ter capital para injetar ou prejudica o capital de giro, senão fica inviabilizada e é questão de tempo para o município perder um estabelecimento comercial”, expõe.

Manter as contas em dia, estimular o cuidado com as finanças e tomar crédito conscientemente – sem superendividamento e com planejamento, comprando o que consegue – são medidas que zelam pela relação entre empresa e consumidor, destaca o vice-presidente de Informações Cadastrais da Acimacar. “Assim, o cliente sempre vai ter crédito e o comércio vai se preocupar menos com o perigo de não receber”, reflete.

 

Fui incluído no SPC: e agora?

Uma das primeiras reações do consumidor que descobre a inclusão no SPC e, consequentemente, tem crédito negado é sentir raiva da empresa que registrou a inadimplência. Na contramão disso, Berndt ressalta que a medida pode “salvar” a vida financeira em médio prazo. “A empresa não faz isso para penalizar o crediarista. É uma rotina administrativa imputada diante do descumprimento contratual. O registro é uma ferramenta para evitar o superendividamento”, expõe.

Segundo ele, a não-inclusão permitiria que o consumidor acessasse um crédito que ele não conseguiria pagar depois. “Se você não fosse incluído, poderia ir se afundando na inadimplência. Por exemplo, uma pessoa se endividou por cerca de R$ 70 e foi incluída 15 dias depois. Provavelmente, ela vai se condicionar e pagar a conta, porque perdeu seu acesso ao consumo. Na contramão, outro cliente foi incluído oito meses depois da primeira inadimplência, sendo que se endividou com cheques e outras inclusões. Nesse meio tempo entre dever e inclusão ele pode ter acumulado uma bola de neve de dívidas”, compara.

Nesse sentido, ele afirma que a inclusão no SPC não é propriamente ruim ao consumidor, mas, sim, um momento de alerta para rever as finanças pessoais. “É um momento de refletir e observar seu comportamento financeiro diante das suas contas. É quase um apelo à reeducação financeira”, finaliza.

 

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