A estiagem prolongada causa reflexos em todo o Paraná e tem gerado racionamento no abastecimento de água em alguns municípios, entre eles Cascavel, além da recomendação de autoridades para que os cidadãos evitem o desperdício para prevenir um possível racionamento na primavera e no verão, quando o calor vem com força total.
O último período de chuva significativa no Estado foi registrado em maio, na parte Sul paranaense. No Norte o índice ficou negativo. No Oeste o déficit vem desde abril. Em junho a média de chuva ficou negativa em praticamente todas as regiões, em comparação com a média histórica. No Oeste, por exemplo, choveu 140 milímetros a menos que a média.
Em julho o fenômeno se repetiu, com índices negativos na maior parte do Estado. Agosto também foi um mês seco, com pouca chuva.
MARECHAL RONDON
Em Marechal Cândido Rondon, desde o dia 1º de junho até a última terça-feira (17) foram registrados 134 milímetros de chuva, de acordo com dados obtidos junto à Copagril. O quadro se agrava à medida que o calor se intensifica, com os termômetros variando entre 35ºC e 38ºC, como nesta semana. O Sistema Meteorológico do Paraná (Simepar) aponta previsão de chuva somente para a próxima semana, na quinta-feira (26).
O diretor técnico e operacional do Serviço Autônomo de Água e Esgoto (Saae) de Marechal Rondon, engenheiro Vitor Giacobbo, diz que no inverno é comum diminuir a quantidade de chuva no município e na região, porém, não tanto como na realidade atual. “Faz mais de 90 dias que não temos uma chuva intensa para aumentar o nível de água nos mananciais e para completar atravessamos um período de muito calor, o que faz o consumo de água aumentar consideravelmente. A estiagem e o calor fazem a quantidade de água diminuir nos poços artesianos e nas minas enquanto na outra ponta o consumo aumenta, então estamos caminhando rapidamente para uma dificuldade no abastecimento de água”, salienta.
Segundo ele, a preocupação em torno do abastecimento é antiga no município, sendo que uma das causas apontadas para o desperdício é a questão dos vazamentos. “É difícil localizar um problema quando está embaixo da terra. Nossa equipe tem trabalhado bastante para evitar o racionamento. Hoje a produção de água é suficiente para atender às necessidades, mas a preocupação do Saae é até quando garantiremos 100% de água na cidade. Cascavel, por exemplo, iniciou racionamento na semana passada. Lá o caso é grave porque bairros ficam um dia inteiro sem abastecimento, por isso do rodízio no fornecimento de água”, comenta.

Diretor técnico e operacional do Saae, Vitor Giacobbo: “A estiagem e o calor fazem a quantidade de água diminuir nos poços artesianos e nas minas enquanto na outra ponta o consumo aumenta, então estamos caminhando rapidamente para uma dificuldade no abastecimento de água” (Foto: Joni Lang/OP)
CONSUMO ALTO
A demanda em se tratando do consumo de água é de 12 milhões de litros na sede municipal, sendo o atendimento feito através de 40 a 42 poços artesianos e três minas superficiais localizadas no Bairro Higienópolis, Loteamento Rainha e outra perto do Lago Municipal. “Cada poço quando perfurado gera 50 mil litros de água por hora, mas esta capacidade reduz com o tempo, baixando a 30 mil litros/hora, sendo que ao menos dois já secaram. No caso da água de mina é feito apenas tratamento com cloro, contudo as minas são as primeiras a sofrer com a estiagem porque a vazão diminui mais rápido. Por essas e outras é recorrente o Saae se preocupar e planejar sobre de onde buscar água daqui três anos ou mais”, enfatiza.
Giacobbo menciona que hoje o município tem capacidade de trazer até 15 milhões de litros, o que supera o consumo, contudo, se o cidadão desperdiçar água este volume pode ser insuficiente para a demanda. “Devemos trabalhar e orientar muito o consumo responsável da água, pois situações como molhar grama e plantas, lavar calçada e carro exigem gasto alto de água. Então, analisa em torno de 500 a 600 pessoas fazendo isto em um único dia no fim de semana. É volume muito grande de consumo. As campanhas que realizamos nos meios de comunicação servem justamente para que as pessoas usem a água de forma consciente com a intenção de evitar o racionamento. Outra orientação é a população instalar caixa d’água de 500 a mil litros em casa, além de uma cisterna para coletar água da chuva e atender as necessidades, até porque as chuvas devem normalizar daqui 30 dias ou mais”, frisa.
CISTERNAS
Conforme o diretor do Saae, a autarquia e a prefeitura têm adotado medidas visando manter o abastecimento em dia, como a instalação de cisternas nas escolas, uma vez que alguns educandários contam com telhados bastante grandes e nas escolas há muito o que lavar, a exemplo de calçadas, salas de aula e quadras esportivas. “Por isso incentivamos a implantação de cisternas, tanto que existe um projeto para construir uma cisterna gigante no Parque de Exposições. O Saae tem uma caixa d’água subterrânea que não é utilizada, então desejamos construir a cisterna com capacidade para 400 mil litros, cuja meta é de que funcione até o fim deste ano”, revela.
O Presente

Equipe trabalhou no dia 16 no conserto de um vazamento na região do Loteamento Araucária (Foto: Joni Lang/OP)
