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Marechal Crise hídrica

Saae aposta na perfuração de poços como solução rápida para falta d’água

(Foto: O Presente)

“Preocupante”. É assim que o diretor técnico do Serviço Autônomo de Água e Esgoto (Saae), Vitor Giacobbo, define o cenário hídrico de Marechal Cândido Rondon. Na semana passada, a autarquia ampliou o racionamento de água, chegando à fase 3. “Devido a uma cobrança geral, considerando que por volta das 18 horas é o momento que as pessoas mais consomem água, e o racionamento é das 14 às 08 horas, revisamos a medida. Então, a partir da semana que vem, passará de quatro para seis dias por semana, das 20 às 08 horas”, menciona ao O Presente, acrescentando que a mudança considera os dias com mais gasto hídrico no município. “Nos dias de semana são gastos 12 milhões de litros de água. Já nas sextas-feiras são consumidos em torno de 13 milhões e nos sábados quase 14 milhões de litros de água”, enumera.

Diretor técnico do Saae, Vitor Giacobbo: “Voltar a ter racionamento às 14 horas não está descartado. Isso depende do comportamento dos dois poços que estamos perfurando e do consumo da população. Se não der certo, chegará um momento que não teremos outra saída” (Foto: O Presente)

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NOVOS POÇOS

Giacobbo comenta que o Saae trabalha no gerenciamento entre consumo e produção para só então estipular os regimes de racionamento. “O Saae tem a água com prioridade número um neste momento, tanto é que a ampliação da rede de esgoto ficou em segundo plano”, salienta.

Ele informa que a direção e a equipe técnica da autarquia decidiram perfurar mais poços artesianos no município. “Mesmo sendo uma solução momentânea, esse pode ser um trunfo entremeio à extrema necessidade gerada pela falta d’água”, enaltece. “Elaboramos um plano e estamos perfurando dois novos poços artesianos. Um foi iniciado nesta semana e tão logo for concluído começaremos a perfuração do segundo. Se encontrarmos água, temos um tempo para levar energia elétrica e fazer a tubulação de interligamento. Fazendo muito rápido, leva ainda cerca de 30 dias para que esses poços abasteçam a rede de água do Saae”, estipula.

O diretor técnico e operacional comenta que essa ação não foi feita anteriormente devido a uma questão técnica. “Existe o conhecimento de que não é mais vantajoso furar poços na cidade e por isso estávamos protelando a perfuração. Praticamente todos os poços possíveis já foram perfurados e se um fica muito próximo a outro pode interferir na água. Mas, diante do atual cenário, é a resposta mais rápida, mas é temporária. Gasta-se recursos para ampliar a quantidade de água que temos agora, contudo o poço pode secar em um ou dois anos”, lamenta.

Conforme o técnico em saneamento do Saae, Bento Reckziegel, que acompanha a perfuração do primeiro poço, a profundidade está em 77 metros e espera-se que nos próximos seis metros perfurados seja encontrada água. Segundo ele, a perfuração segue até, no máximo, 150 metros. “Há possibilidade de a água ser salobra, ter pouca vazão e gerar muitos gastos para bombear”, pontua.

Reckziegel diz que nas proximidades do poço que está sendo perfurado encontra-se o poço Weber que, de acordo com o colaborador, tem 84 metros de profundidade e a água é captada aos 60 metros.

Primeiro novo poço que está sendo perfurado estava ontem (30) em 77 metros: expectativa é encontrar água nos próximos seis metros (Foto: O Presente)

 

VAZÃO 50% MENOR

Os relatórios de acompanhamento do Saae, conforme o diretor técnico, demonstram que poços, fontes e minas que abastecem a rede hídrica municipal vêm diminuindo semanalmente a quantidade de água disponível. “Em todos os lugares mostra-se uma curva de queda, tanto que dois poços chegaram a secar completamente, Ceval e Ceccato. O poço Zastrow, por exemplo, tinha uma retirada de 60 m³/hora de água em junho de 2018 e em junho de 2020 teve retirada de 33 m³/hora; o poço Hagemann tinha o volume de 99,5 m³/hora de água em junho de 2018 e em junho de 2020 teve 55 m³/hora; o poço Feiden, por sua vez, tinha o volume de 19 m³/hora em junho de 2017 e em junho de 2020 marcou 10,8 m³/hora. Isso representa uma vazão quase 50% menor nos poços”, detalha Giacobbo.

Estação intermediária de recalque com capacidade de bombeamento de 360 m³/hora hoje bombeia 269 m³/hora (Foto: O Presente)

 

SOLUÇÃO DURADOURA

Como solução duradoura ao abastecimento de Marechal Rondon, o Saae segue trabalhando na implantação da estação de tratamento de água no Arroio Fundo. “Estudos indicaram o local como o mais adequado e nós estamos na fase de planejamento de implantação. A autorização do Instituto das Águas nos permite tirar 150 litros de água por segundo, ou seja, são mais de 500 mil litros de água por hora, o que ajudaria no problema hídrico”, aponta o dirigente, acrescentando que os esforços em prol da nova captação acontecem desde o ano passado: “Nós não estamos sentados esperando”.

Para Giacobbo, mesmo trabalhando com a maior rapidez possível, a previsão é de que essa estação só esteja funcionando no fim do ano que vem. “Estamos discutindo a compra da área, mas como tudo no Poder Público há prazos e orçamentos a serem cumpridos, o projeto terá que passar pela Câmara de Vereadores em pelo menos três sessões. Depois, a estação de tratamento nos pede um período mínimo de cinco meses para instalação. Além disso, temos a interligação do local com a sede e a energia elétrica”, compartilha.

Dois poços que antes abasteciam Marechal Rondon secaram. Dentre os que restam, grande parte diminuiu a vazão em quase 50% (Foto: O Presente)

 

PERFIL DO CONSUMIDOR

Questionado sobre os resultados alcançados com o racionamento, o diretor técnico do Saae expõe que seria necessário reduzir em 10% o volume de água consumida. “Em dias de semana, com 10% de 12 milhões de litros é 1,2 milhão litros de economia. Contudo, acho difícil atingir essa meta, porque nos outros racionamentos percebemos uma redução de 3% a 4% apenas”, relata.
Giacobbo considera que grande parte dos rondonenses está consciente quanto ao uso racional e não desperdiça água. “Nós não controlamos as chuvas, mesmo assim recebemos críticas ao gerenciar a situação. Muitas vezes são locais que não têm caixa d’água que sofrem e criticam”, observa.

A preocupação da população, afirma ele, é compreensível, mas os racionamentos se fazem necessários no momento. “Não são decisões para a vida inteira, acontece pela estiagem que estamos vivendo”, resume.

 

FASES 4 E 5

Em relação à possibilidade de Marechal Rondon ter as fases 4 e 5 implantadas, o dirigente não descarta essa alternativa. “Voltar a ter racionamento às 14 horas não está descartado. Isso depende do comportamento dos dois poços que estamos perfurando e do consumo da população. Se conseguirmos até fim de agosto ter um volume maior de água somando ao que temos agora, nós poderemos talvez até diminuir o racionamento. Se não der certo, chegará um momento que não teremos outra saída. A implantação das fases 4 e 5 depende do comportamento dos novos poços e do consumo”, frisa.

A fase 4 prevê racionamento três vezes por semana em cada região durante 12 horas (das 14 às 02 horas) (nas segundas/terças/quartas/quintas/sextas e sábados) e a fase 5 três vezes por semana durante 18 horas (das 08 às 02 horas) (nas segundas/terças/quartas/quintas/sextas e sábados).
Para normalizar a situação hídrica do município rondonense é preciso que as chuvas retornem com regularidade, expõe o diretor técnico. “Precisa começar a chover regularmente, mês a mês, de 300 a 350 milímetros e em 60 a 90 dias estaríamos em condições normais. A questão é que não está chovendo nem 100 milímetros e não há previsão”, evidencia.

 

RECEIO

As atuais preocupações não param por aí. A direção do Saae prevê novas complicações caso as ações de agora não surtam resultados. “Há receio com os meses de novembro, dezembro e janeiro. Não gostaríamos de ter racionamento até o fim do ano, por isso estamos perfurando esses poços. Se derem resultados, podemos até furar mais daqui para frente para tentar chegar ao fim do ano sem problemas”, projeta ele, ao passo que rememora uma conversa erroneamente divulgada no passado: “Quando assumimos o Saae há três anos e meio, a informação que tínhamos era de que Marechal Rondon não teria problemas com água nos próximos 20 anos, mas não passamos nem quatro e já estamos nessa dificuldade”.

 

DADOS PLUVIOMÉTRICOS DE 2012 A 2020

O Saae registra os índices pluviométricos no município desde o ano de 2012. A partir desses dados, percebe-se que, até o momento, julho é o mês mais seco de 2020, contudo teve índices ainda menores nos anos de 2016 a 2018, chegando a marcar apenas dois milímetros em 2017. Confira aqui as previsões do Simepar para essa reta final do inverno. 

Mês Precipitação (2012) Precipitação (2013) Precipitação (2014) Precipitação (2015) Precipitação (2016) Precipitação (2017) Precipitação (2018) Precipitação (2019) Precipitação (2020)
Janeiro 142 176 214 132 261 192 392 178 198
Fevereiro 233 244 57 211 176 282 312 151 62
Março 68 170 208 129 125 125 308 193 96
Abril 339 77 279 201 117 282 51 165 49
Maio 111 294 264 299 328 266 73 341 214
Junho 339 381 357 126 83 65 119 30 44
Julho 86 38 139 441 34 2 4 50 37
Agosto 9 29 20 66 341 134 139 63
Setembro 60 117 502 189 77 73 275 33
Outubro 293 204 98 155 240 432 295 132
Novembro 258 237 190 448 120 338 143 195
Dezembro 401 342 166 471 145 338 25 346
Acumulado no ano 2.339 2.309 2.494 2.868 2.047 2.529 2.136 1.877 700

(Fonte: Saae)

 

INVERNO ENTRA NA RETA FINAL SEM PREVISÃO DE CHUVA

As chuvas na região de Marechal Cândido Rondon estão muito abaixo da média prevista, afirma o meteorologista do Sistema Meteorológico do Paraná (Simepar), Reinaldo Kneib. “Na estação mais próxima ao município choveu 18,8 milímetros, enquanto a média é de 71,8 milímetros, sendo apenas 26% do esperado. A estiagem vem se prolongando desde o ano passado até em parte do verão, estação chuvosa, mas que teve poucos eventos de chuva”, relembra, acrescentando: “Essa sequência de chuvas abaixo da média gera o déficit hídrico na região, junto com períodos secos e quentes em que se consome mais água”.

Conforme o meteorologista, não há muita expectativa para chuvas no mês de agosto. “Na primeira quinzena de agosto volta a aquecer, sem muitos eventos de chuva. Teremos mais um veranico, quente e seco. Tudo indica que a segunda quinzena de agosto também passará sem chuvas significativas, mas pode ser que tenhamos outra onda de ar frio”, informou ao O Presente, ressaltando que o tempo seco é normal da estação, mas o calor não.

Até o final do inverno, menciona ele, as possibilidades de geadas na região são baixas. “A tendência é de que na maior parte desses próximos dois meses seja de tempo quente, com pouquíssimas nuvens de ar frio e pouca persistência delas sobre a região, apenas poucos dias. Não se descarta geada até o fim do inverno, mas a maior parte dos próximos dois meses será de tempo seco e sem a ocorrência de frio rigoroso”, pontua Kneib.

Ele comenta que tudo indica que as precipitações ainda vão ficar um tanto quanto irregulares. “A previsão já era de um inverno mais seco do que o normal e tem se confirmado. Se continuar desse jeito, haverá ainda mais problemas de abastecimento nos próximos dois ou três meses, avançando na primavera”, projeta.

 

O Presente

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