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Marechal

Safrinha tem tudo para escapar das geadas em Marechal Rondon e região

calendar_month 18 de março de 2022
5 min de leitura

Cerca de 98% das áreas de Marechal Rondon e região já foram semeadas com milho de 2ª safra. Expectativa é de que os preços dos commodities caiam até a colheita Na Linha Guavirá, interior de Marechal Cândido Rondon, o agricultor Rogério Goergen terminou de plantar seus cerca de 40 alqueires de milho ainda no começo de fevereiro e vê as plantas ganharem espaço sob o sol.

“A maior parte das áreas foi plantada cedo. Comecei no dia 07 de janeiro e terminei no começo de fevereiro”, relata ao O Presente. Apesar de ainda dar os primeiros passos, ele assegura que a safrinha de 2022 já é bem diferente do ano passado. “Nessa mesma época ainda havia áreas que não tinham sido plantadas. Terminamos de semear apenas no dia 18 de março. Comparando com o ano

passado está melhor e a expectativa é positiva”, compara. Tendo em vista o plantio dentro da melhor janela, um antigo temor dos agricultores agora não representa tantos riscos, conforme aponta o rondonense.
“Não vemos tanto risco da lavoura ser atingida por geada, só se acontecesse um fenômeno totalmente fora do normal. A questão agora é cuidar com as chuvas. No início faltou um pouco (de umidade), mas melhorou de uns dias para cá o saldo de precipitações para as plantas”, avalia.

 

PÉ NO CHÃO

Apesar das boas condições, o otimismo não reina entre os agricultores depois de tantas decepções em safras passadas. Segundo Goergen, uma produtividade satisfatória seria entre 220 e 250 sacas por alqueire, o que superaria os resultados da safra de 2021. “No ano passado foi uma média muito ruim, fechando de 90 a 100 sacas por alqueire com um milho avariado e de péssima qualidade. Depois, tive perda total na safra de soja e colhi 10% da média esperada, de 12 a 15 sacas”, relembra.

Ele diz que os preços dos commodities estão bons, mas os custos elevados seguem pesando no bolso do produtor. “Além disso, vindo uma safrinha boa deve ter queda no preço. A gente vem de duas safras ruins, então precisamos ver um pouco mais do desenvolvimento da safrinha para confiar totalmente. O momento é de cautela”, considera.

Agricultor Rogério Goergen: “A gente vem de duas safras ruins, então precisamos ver um pouco mais do desenvolvimento da safrinha para confiar novamente. O momento é de cautela” (Foto: Raquel Ratajczyk/OP)

 

ÁREAS QUASE TODAS PLANTADASO milho safrinha está quase 100% plantado em Marechal Rondon. “As últimas lavouras semeadas se encontram em fase de emergência e estão germinando. As lavouras adiantadas já estão florescendo. A grande maioria das áreas rondonenses (60%) encontra-se na fase entre V8 e V12, isto é, no estágio fenológico, em que o milho tem de oito a 12 folhas”, declara ao O Presente o engenheiro agrônomo Cristiano da Cunha.

PLANTAS BEM DESENVOLVIDASOs dias com temperaturas agradáveis e chuvas recorrentes têm auxiliado no bom desenvolvimento das plantas. “O desenvolvimento das plantas está muito bom. As chuvas, apesar de não ocorrerem em volumes muito grandes, aconteceram em todos os lugares. Isso faz com que essas lavouras estejam em estágio excelente de desenvolvimento”, enaltece. Assim como Goergen, Cunha afirma que a preocupação com a geada na safrinha de 2022 ficou para atrás por conta do plantio antecipado. “No ano passado a geada na região foi bastante severa. Por outro lado, nessa safrinha 2022 estamos com o milho plantado um mês antes. Então, o risco dele ser afetado severamente por uma geada é muito menor”, expõe.

COTAÇÃO DEVE CAIR

O agrônomo pontua que as commodities estão com preços bons neste começo de ano, mas que a cotação deve ficar mais barata na colheita. “A cadeia de consumo do milho, quando a gente fala em frango, suínos, gado leiteiro e de corte, tem dificuldade de suportar um preço tão alto. Isso se deve, logicamente, à falta do grão no momento. Apesar disso, acreditamos que o preço do milho, que está próximo a R$ 100 a saca na região, não vai se sustentar até o momento da colheita da safrinha. Um preço de R$ 75 a R$ 80 deve ser ajustado. São previsões, mas o preço de commodity é algo que não temos como prever o futuro”, salienta Cunha, pontuando que se houver aumento na demanda no consumo de milho e uma eventual quebra de produtividade na safrinha em alguma região do país “eventualmente podem se manter”.

MOMENTO CRÍTICO

Para manter o bom andamento da safrinha, o profissional alerta que os produtores precisam se atentar ao controle de pragas. “Percevejo e cigarrinha passaram ser as principais pragas da cultura do milho, acrescidas do controle com lagartas, pulgões e ácaro. O agricultor deve estar atento, fazer o monitoramento das lavouras e controlar esses problemas. O controle de doenças também se faz essencial, tendo em vista o período conhecido como ‘limite do trator’, quando o produtor ainda consegue fazer algum manejo na cultura do milho. As principais doenças são a ferrugem, mancha branca e eumintospóreo”, cita.

Engenheiro agrônomo Cristiano da Cunha: “No ano passado a geada na região foi bastante severa. Por outro lado, nessa safrinha 2022 estamos com o milho plantado um mês antes. Então, o risco de ele ser afetado severamente por uma geada é muito menor” (Foto: Raquel Ratajczyk/OP)

 

Números da safrinha

Segundo dados do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Seab), 69% do milho safrinha já foi plantado no Paraná até a última semana (07 de março). Isto é, 1.804.638 milhão de hectares já foram semeados com a cultura da área total de 2.632.000 hectares. O órgão projeta produtividade entre 14,816 milhões de toneladas e 16,266 milhões de toneladas.

Na Regional de Toledo, a produtividade para o milho de 2ª safra é estimada entre 2,540 milhões de toneladas e 2,715 milhões de toneladas. Conforme o Deral, foram plantados 75% dos 438 mil hectares projetados para receber o milho safrinha na regional.

 

Milho safrinha está quase 100% plantado em Marechal Rondon (Foto: Raquel Ratajczyk/OP)

 

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