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Marechal RECONHECIMENTO

Sancionada lei que permite a presença de doulas em partos realizados pelo SUS em Marechal Rondon

Doula. Do grego, significa “mulher que serve”. Atualmente, o termo é destinado para referir-se à mulher que acompanha a gestante e lhe oferece conforto, encorajamento, tranquilidade, suporte emocional, físico e informativo durante o período de intensas transformações que está vivenciando, um pouco antes e, principalmente, durante o parto natural.

O município de Marechal Cândido Rondon deu um grande passo no reconhecimento do trabalho dessas mulheres. A Lei N° 5.048 foi sancionada pelo prefeito Marcio Rauber, na última quarta-feira (09). A cerimônia contou com a presença do prefeito rondonense, do vice-prefeito Ila, do vereador Claudio Kohler (Claudinho), autor do projeto de lei, da secretária de Saúde, Marciane Specht, do secretário de Administração, Elemar Hensel, das doulas Gilvana Costa, Rutyeine Rannov, Débora Petry, Kelen Carvalho Kuhn e Laís Cristina, do nutricionista Rafael Heinrich, além de outros defensores e representantes da doulagem.

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O projeto de lei de autoria do vereador Claudinho foi aprovado em definitivo pela Câmara de Vereadores no dia 25 de março. A lei, agora sancionada pelo executivo, dispõe sobre a presença de doulas em maternidades e estabelecimentos hospitalares públicos e/ou conveniados com o Sistema Único de Saúde (SUS) no município rondonense. Segundo o vereador, a legalização do trabalho das doulas proporciona mais conforto para elas e para as gestantes.

Os locais descritos acima ficam obrigados a permitir a presença de doulas durante todo o período de trabalho de parto, parto e pós-parto imediato, bem como consultas e exames de pré-natal, sempre que solicitadas por escrito pela gestante ou parturiente.

As doulas deverão obrigatoriamente ser cadastradas no Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES) e nos setores administrativos dos estabelecimentos hospitalares municipais para a atuação.

Outros estados brasileiros já possuem uma lei que permite a presença das profissionais, incluindo as cidades de Curitiba, Foz do Iguaçu, Ponta Grossa e União da Vitória.

 

O papel da doula

O papel da doula surge, como forma de tentar suprir uma lacuna que passou a existir no momento em que a mulher vai parir seu filho. Antigamente, o nascimento era marcado pela presença e pela experiência das mulheres da família: avós, mães, tias, irmãs mais velhas, que acompanhavam, apoiavam e sabiam o que fazer na hora do parto e como auxiliar a recém-mamãe e o recém-nascido, além de que o parto frequentemente ocorria em casa.

Segundo a doula Gilvana Costa, atualmente, o cenário de um parto natural é totalmente diferente. Mais masculinizado, com a figura de enfermeiros e médicos, o ambiente hospitalar também deixou de ser tão acolhedor como o conforto do lar, no entanto, abriu espaço para mais tecnologia na área de saúde. A questão é que o cuidado com o bem-estar emocional da parturiente acabou ficando de lado no ambiente impessoal dos hospitais, o que causa frequentemente, o aumento do medo, a dor e a ansiedade de quem está prestes a dar à luz, consequentemente aumentando as complicações obstétricas e necessidade de maiores intervenções.

“A doula surge para suprir essa lacuna e proporcionar um momento mais seguro e tranquilo para a parturiente. É ao mesmo tempo um resgate de uma prática ancestral, que se alinha muito bem com as técnicas que possuem respaldo científico hoje, para a hora do parto”, explica, enfatizando que a doula pode acompanhar tanto partos domiciliares, como hospitalares.

Em Marechal Rondon

Em Marechal Rondon, surgiu recentemente o grupo Doulas Marechal, composto por mulheres que têm se especializado na área e já realizam atendimentos, tanto no município, como na região. São elas: Gilvana Costa, Rutyeine Rannov e Débora Petry. “O grupo surgiu pensando justamente, em dar mais visibilidade para esta, que é uma profissão que precisa de força e apoio para ser reconhecida, além de nos mantermos atualizadas e dando suporte uma a outra. Costumo dizer que a mulher não precisa de uma doula para parir, mas que todas merecem uma”, destaca Rutyeine.

Em números

Pesquisas recentes apontam para os resultados obtidos quando uma doula está presente no parto: diminuição em 50% as taxas de cesárea; diminuição em 20% da duração do trabalho de parto; 60% menos de pedidos de anestesia, menos 40% de uso da oxitocina e forceps.

O que a doula faz e o que ela não faz?

O serviço da doula pode começar antes do dia do nascimento do bebê, com encontros para conhecer a gestante e a família, além de informá-la sobre as etapas do trabalho de parto, preparação e elaboração do plano de parto. Está presente no momento do nascimento e também pode continuar após a chegada do novo membro da família, tirando dúvidas sobre o início da amamentação e conversando sobre a experiência do parto. “Isso tudo pode ser definido com a gestante. Se ela deseja esse atendimento completo ou somente para o momento do parto”, pontua Débora.

O suporte informativo é muito importante. É através da doula que a gestante pode ter os termos médicos e os procedimentos hospitalares explicados. Também atua como uma ponte de comunicação entre a mulher, sua família e a equipe de atendimento, deixando claro os desejos da gestante para este momento tão especial.

Já no trabalho de parto, a profissional ajuda a mulher a encontrar as posições mais favoráveis durante as contrações, faz massagens e compressas para aliviar a dor, ajuda o parceiro a se envolver e participar ativamente do parto e informa o casal sobre todos os procedimentos que estão sendo realizados. O suporte emocional também existe e consiste na presença contínua ao lado da parturiente, dando e tranquilidade.

“É importante destacar que a doula acompanha a mãe ou o casal, ao hospital, maternidade, casa de parto, clínica, ou mesmo ficando em casa, se o parto domiciliar foi a opção escolhida”, complementa Débora.

No entanto, a doula não substitui o pai (ou o acompanhante escolhido pela mulher) na sala de parto. A doula também não realiza qualquer procedimento médico como: aferir pressão, toques vaginais, monitoração de batimentos cardíacos fetais ou administração de medicamentos.

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