O Presente
Marechal

“Se houver eleição em novembro, coloco meu nome à disposição para conduzir a Acimacar até abril de 2021”

calendar_month 8 de setembro de 2020
12 min de leitura

Depois de mais de cinco meses de atividades presenciais suspensas, a Associação Comercial e Empresarial de Marechal Cândido Rondon (Acimacar) retomou, nesta semana, as reuniões da diretoria e dos núcleos setoriais, após a prefeitura ter publicado um novo decreto liberando reuniões profissionais com o limite de 100 pessoas por recinto. Em entrevista ao O Presente, o presidente da entidade, Ricardo Leites de Oliveira, falou sobre o foco de trabalho neste segundo semestre do ano e da expectativa para a agenda de cursos on-line. Ele revelou o nome de palestrantes já contratados para 2021 e anunciou que a associação está trabalhando para promover uma grande campanha de Natal, com a distribuição de R$ 100 mil em vales-compras.

Oliveira expôs ainda como a Acimacar pretende participar do pleito eleitoral e frisou que uma das metas da entidade é viabilizar o projeto do Complexo de Segurança. “Se não conseguirmos parceria com a Itaipu, coloco em apreciação da diretoria e de todos os associados se a associação pode bancar essa etapa para agilizar”, declarou. Confira.

Presidente da Acimacar, Ricardo Leites: “A Acimacar vai batalhar pelo projeto do Complexo de Segurança. Se não conseguirmos parceria com a Itaipu, coloco em apreciação da diretoria e de todos os associados se a associação pode bancar essa etapa para agilizar. É um investimento grande, mas quem vai ganhar é toda a comunidade da comarca rondonense” (Foto: O Presente)

 

O Presente (OP): Depois de mais de cinco meses de atividades presenciais suspensas e muitos desafios, nesta semana foram retomadas as reuniões presenciais na Acimacar. Como o senhor avalia esse período de distanciamento e como foi o retorno dos encontros?

Ricardo Leites de Oliveira (RLO): No mês de março tivemos somente três encontros presenciais. Estávamos com todas as reuniões paradas desde então. A Acimacar sempre respeitou todos os decretos e muitas das decisões foram tomadas sem reuniões presenciais, até porque para muitas atividades precisávamos da retomada do comércio, que por vezes ficou suspenso. Após o último decreto da prefeitura, a associação retomou suas reuniões mensais da diretoria e também as reuniões dos núcleos setoriais. Organizamos também para retomar nossos treinamentos e cursos. Na reunião da última terça-feira (1º) havia apenas diretoria. Foram apresentados os números da campanha Retoma Marechal. Decidimos que, em âmbito municipal, a Acimacar fará uma pesquisa com as 544 empresas que participaram da campanha e aí vamos ter um outro resultado para ver: queremos entender por que algumas pessoas não são associadas, o que elas acharam da campanha e como enxergam a Acimacar. Sabemos que a Acimacar tem que defender o seu associado, mas, muito além do seu estatuto, nós batalhamos por inúmeras atividades que são benéficas para toda a região Oeste.

 

OP: Que avaliação o senhor faz sobre a participação dos empresários? A maioria dos integrantes da diretoria que participaram da reunião está motivada ou desanimada diante deste cenário de pandemia?

RLO: A partir da apresentação dos números da campanha Retoma Marechal, podemos dizer que vemos o empresariado bem animado. Alguns setores, infelizmente, não vão ter a retomada tão cedo, pois shows, festas, entre outras coisas ainda estão paralisados, mas outros setores estão muito fortes. O setor agropecuário e a construção civil não sofreram com a pandemia e até cresceram nesse período, assim como os supermercados. Por outro lado, sabemos que setores de venda de roupas e calçados tiveram uma redução em seus negócios, mas estão bem animados agora, porque os segmentos que rendem bem fazem com que empresários e colaboradores dessas empresas tenham condição de ir às lojas fazer compras. Sabemos também que algumas pessoas ainda estão com medo de que possa acontecer algo que trave novamente o crescimento, mas acreditamos que a nossa cidade, por não depender somente de um setor econômico, vá passar muito mais fácil por essa crise que a pandemia trouxe do que outras cidades do Brasil. Por termos uma mistura entre os setores industrial e agropecuário, nós sabemos que está relativamente mais fácil.

 

OP: Além das reuniões e da retomada de outras atividades, a Acimacar organizou uma série de cursos e treinamentos on-line. Qual os planos da entidade diante deste novo perfil de agenda?

RLO: Nossos treinamentos e cursos estão sendo on-line. Apresentamos agora uma nova agenda. São sete palestras e cursos nos meses de setembro, outubro e novembro, mas precisamos ter nossos treinamentos e palestras presenciais, porque alguns, infelizmente, não conseguimos fazer on-line. Como destaque, a Acimacar contratou dois palestrantes para fazer palestras presenciais em 2021: o Mágico Renner e a Leila Navarro. Agora, em 2020, eles farão palestras on-line, de uma hora, para a associação. É algo diferente que estamos trazendo. Essas contratações eram para ter acontecido no começo do ano, mas, infelizmente, em virtude da pandemia, elas não ocorreram. Agora, precisamos retomar os trabalhos com novas atividades, pois até a dinâmica das palestras se modificou por causa dessa pandemia. O que era falado antes de março, mudou totalmente o foco. Trabalha-se agora palestras com o foco voltado ao pós-pandemia. Muitos nos questionaram o porquê de não ter feito cursos, palestras e treinamentos on-line antes, mas o fato é que as pessoas trabalham durante o dia, chegam à noite em casa cansadas e, muitas vezes, precisam dar suporte para seus filhos nas aulas on-line e não conseguem ter tempo de participar de palestras virtuais. Então, sabemos que há uma dificuldade muito grande em fazer com que as pessoas assistam palestras e cursos on-line. Essa resistência sempre existiu, mas a Acimacar não pode parar. Precisamos continuar com nossas atividades.

 

OP: Além dessa programação, a Acimacar pensa em algum evento de peso ainda para 2020 ou a tendência é que tudo fique para 2021?

RLO: Como nosso decreto municipal hoje só permite até 100 pessoas em um único espaço, nós não estamos organizando nenhuma palestra presencial para 2020. Se o município liberar e a situação da pandemia melhorar, podemos até pensar em organizar eventos maiores. Acreditamos que até fim do ano a Acimacar consiga trazer uma palestra, mas não conseguimos nem procurar nomes, pois todos que averiguamos perguntam para que dia seria. Essa incerteza de não conseguir organizar uma palestra, um treinamento maior nos deixa muito tristes. A expectativa que tínhamos era de que 40 mil pessoas passassem pela Acimacar neste ano em cursos, treinamentos e palestras. Infelizmente, chegamos a pouco mais de três mil pessoas nos três primeiros meses. A capacitação é um dos objetivos da Acimacar e nós não conseguimos fazer isso nas dimensões que esperávamos em 2020. Nós teríamos em agosto o Fórum Empresarial, com expectativa de um evento para mais de 2,5 mil pessoas e infelizmente não aconteceu. Sempre foi na Ecos de Liberdade e neste ano seria no Centro de Eventos, mas não conseguimos realizar. Além deste, outros eventos programados para o segundo semestre, como a Expomar, a Feira da Construção Civil e o Prêmio Marechal foram cancelados. Nós não temos mais como organizar esses eventos neste ano.

 

OP: Qual a sua expectativa para este segundo semestre de retomada das atividades da Acimacar?

RLO: A expectativa é que nossos cursos e treinamentos sejam bem retomados. Esse é o foco que temos. Estamos trabalhando para conseguir organizar uma campanha de Natal muito grande. Nesse ano, a Acimacar vai distribuir R$ 100 mil em vales-compras. Tivemos algumas tratativas com a prefeitura e ela vai investir na decoração da cidade. A Acimacar também vai ajudar o município nesse quesito. Não conseguiremos disponibilizar a campanha para os não associados, porque ela estava registrada já antes da pandemia e não conseguimos mudar, quem sabe para um próximo ano. Entendemos que se a nossa cidade estiver vendendo bastante é o município e a população que ganham, pois garante-se renda e emprego para os rondonenses.

 

OP: Uma das grandes bandeiras da Acimacar é a instalação do Complexo de Segurança em Marechal Rondon. Inclusive, o assunto esteve em pauta nesta primeira reunião da diretoria pós-retomada. O que há de novidade neste sentido?

RLO: Nós dependemos do Governo do Paraná para construir essa obra, mas já conseguimos que a prefeitura fizesse a doação de um terreno para o Estado. São cerca de 12 mil metros destinados ao Complexo de Segurança. Ele não vai atender apenas Marechal Rondon, mas, sim, todos os municípios da comarca, pois o Corpo de Bombeiros, a Polícia Civil e a Polícia Militar atendem toda a microrregião. No ano passado, eu, alguns diretores da Acimacar, o prefeito Marcio Rauber e o então deputado estadual Elio Rusch visitamos o vice-governador (Darci Piana) e o secretário de Segurança Pública, coronel Romulo Marinho Soares. De pronto, eles disseram que o Estado poderia construir essa obra se tivesse um projeto pronto, mas que o Estado não faria esse projeto. O valor do projeto pode variar entre R$ 300 mil e R$ 400 mil. Se nós conseguirmos esse valor para fazer o projeto é um bom início, porque essa obra será muito grande, de aproximadamente R$ 15 milhões. Na semana passada eu, o comandante do Corpo de Bombeiros, capitão Tiago Zajac, o comandante da Polícia Militar (PM), tenente Daniel Zambon, e o prefeito Marcio tivemos uma reunião. Agora estamos tentando marcar uma reunião com a Itaipu. Já tivemos uma reunião com o Conselho de Desenvolvimento dos Municípios Lindeiros para ver se conseguimos junto à binacional esse projeto. O general Luiz Felipe Carbonell, responsável pela Diretoria de Coordenação da Itaipu, era secretário de Segurança do Estado e foi a primeira pessoa a quem apresentamos esse estudo. Queremos falar com ele sobre essa viabilidade. As ligações entre a binacional e o governo são muito fortes e isso ajudaria a pleitear mais fácil a execução da obra em Marechal Rondon. A Acimacar vai batalhar para que o município consiga executar esse projeto. Se não conseguirmos a parceria com a Itaipu, coloco em apreciação da diretoria e de todos os associados se a associação pode bancar essa etapa para agilizar. É um investimento grande, mas quem vai ganhar é toda a comunidade da comarca rondonense.

 

OP: O que seria o Complexo de Segurança e por que ele é importante para a comarca?

RLO: O Complexo de Segurança será uma edificação onde estarão incluídas a Companhia da Polícia Militar, a sede do Corpo de Bombeiros, a Delegacia de Polícia Civil, o Instituto de Identificação e, também, se o Estado aceitar, o Instituto Médico Legal (IML), tudo em um único lugar. Hoje em Marechal Rondon a PM tem um espaço que não consegue guardar suas viaturas, que ficam na rua. Já o Corpo de Bombeiros não consegue trazer mais soldados, porque não há espaço físico. A Polícia Civil está em uma casa alugada, sem acessibilidade nenhuma, algo bem precário. Hoje o Estado gasta muito dinheiro com aluguel e tudo isso poderia ser colocado em um único lugar sem precisar pagar para terceiros. Além disso, os agentes teriam boas condições de trabalho. Estamos trabalhando por isso, para que todos esses policiais e bombeiros possam atender a nossa população da melhor forma com um espaço adequado.

 

OP: Há alguma outra ação que a Acimacar vai encampar neste ano?

RLO: Estamos ainda, junto ao Programa Oeste em Desenvolvimento (POD), batalhando para que não seja feita a renovação dos contratos de concessão dos pedágios, mas, sim, um novo contrato, em que os pagamentos de pedágio sejam mais justos, porque hoje são bem abusivos. Além disso, temos que nos preocupar porque em 2023 a Itaipu para de pagar os royalties aos municípios lindeiros. São valores bem consideráveis aos municípios e temos que batalhar para que isso não seja encerrado. Em Marechal Rondon, são mais ou menos R$ 2 milhões mensais. Imagina a prefeitura falar que tem R$ 24 milhões a menos no fim de ano? Então, é bastante dinheiro. Temos municípios menores que dependem dos royalties e estamos batalhando junto às forças políticas, aos deputados estaduais e federais para que isso não se encerre, porque se esses valores pararem de ser pagos aos municípios, muitos deles sofrerão bastante. Sabemos que o contrato era até 2023, mas temos de garantir que isso continue sendo pago, porque a área continua alagada. As propriedades foram indenizadas, mas essa área que o município perdeu não produz mais e não gera receita ao município. Achamos mais do que justo que esse valor continue sendo pago aos municípios.

 

OP: Estamos em um ano eleitoral e a campanha bate à porta. Como a Acimacar pretende participar deste processo? Vai oferecer espaço para os candidatos apresentarem suas propostas? Vai entregar alguma carta de reivindicações aos candidatos? Há uma agenda definida neste sentido?

RLO: A Acimacar é uma entidade que nunca se envolveu com política, mas em todos os anos de eleição municipal sempre recebeu os candidatos a prefeito. Neste ano vai ser assim também. Como não sabemos ainda quantos serão os candidatos a prefeito, porque ainda dependemos das definições das convenções, não há agenda definida. Além de ouvir esses candidatos a prefeito, a Acimacar vai apresentar as suas demandas, o que nós achamos que a prefeitura deve praticar nos próximos quatro anos. Vamos abrir as portas para todos os candidatos e da mesma forma que iremos escutar, posteriormente iremos cobrar.

 

OP: Existe uma resolução que orientou para a prorrogação de mandatos em associações até final de outubro. Com isso, seu mandato de presidente foi prorrogado. Há alguma novidade neste sentido? Vocês realizarão eleição para escolha da nova diretoria após encerrado o prazo dessa resolução ou a tendência é o senhor permanecer à frente da entidade até abril de 2021, mês que anualmente ocorre a escolha da nova diretoria?

RLO: No mês de março, a diretoria da Acimacar aprovou que o mandato se estendesse até dia 31 de outubro. Então, acreditamos que será possível organizar uma eleição em novembro, mas dependemos de que o decreto municipal permita ter mais pessoas dentro de eventos. Hoje, o estatuto da associação pede que tenha no mínimo 10% dos associados na eleição e não aceita eleição on-line, isso são 195 pessoas e o decreto atual só permite até 100 pessoas reunidas. Então, dependemos que o decreto municipal permita organizar essa eleição. Estamos nessa expectativa e, se tudo correr como imaginamos, no mês de novembro teremos eleição da nova diretoria e eu coloco o meu nome novamente à disposição para conduzir a Acimacar até abril de 2021. Se não houver possibilidade de organizar a votação, vamos prorrogar o mandato até ser possível realizar a eleição.

 

Com assessoria

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