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Marechal

“Se não cuidarmos, o comércio pode ser fechado novamente”, alerta presidente da Acimacar

calendar_month 24 de dezembro de 2020
8 min de leitura

A Associação Comercial e Empresarial de Marechal Cândido Rondon (Acimacar) lançou, nesta semana, mais uma campanha de conscientização para alertar a população sobre o crescente número de casos de coronavírus no município.

Segundo o presidente da entidade, Ricardo Leites de Oliveira, atualmente, 14% das pessoas infectadas com Covid-19 são trabalhadores dos serviços não essenciais, ou seja, de lojas e do comércio em geral. “O maior percentual de contaminação no município atualmente está no setor de serviços não essenciais. Dentre esse percentual, o maior número de pessoas contaminadas abrange a faixa etária de 20 a 49 anos. Ou seja, são pessoas da classe produtiva, e isso pode inviabilizar muitas atividades profissionais, causando prejuízos econômicos”, destaca.

Em entrevista ao O Presente, Oliveira faz um apelo a toda comunidade. “Vamos evitar aglomerações, cuidar na questão do distanciamento social e higienização com álcool gel e observar o uso da máscara. Se não cuidarmos, infelizmente podemos ter um novo fechamento do comércio”, alerta. Confira.

 

O Presente (OP): Depois de participar de reunião do Centro de Operações de Emergência (COE), nesta semana, o senhor se reuniu com a diretoria da Acimacar para discutir sobre o crescente aumento do número de casos de Covid-19 em Marechal Rondon. O que foi decidido?

Ricardo Leites de Oliveira (RLO): A Acimacar decidiu fazer uma campanha de conscientização para, mais uma vez, alertar a população sobre o número de casos de coronavírus na nossa cidade, os quais estão muito altos. Já tivemos três fechamentos do comércio e não queremos que isso volte a acontecer. O que nos deixa preocupados é a questão da saúde dos munícipes e a saúde financeira das empresas. Então, novamente vamos organizar uma campanha de conscientização chamando a atenção para os cuidados com a Covid-19.

 

OP: As pessoas não viam a hora de 2020 acabar, acreditando que até lá a pandemia perderia força. Contudo, chegamos ao fim do ano e o que vemos é o contrário: vários países de diferentes partes do mundo todo, mais uma vez, fechando fronteiras, voltando com lockdown, adotando medidas restritivas, toque de recolher… O que esperar de 2021?

RLO: A expectativa que tínhamos era começar 2021 sem a Covid-19, mas infelizmente isso não vai ocorrer. Sabemos que as pessoas já estão cansadas de falar em prevenção, mas temos que conscientizar, sim, a população. Em Marechal Rondon os números estão crescendo todos os dias. Infelizmente, já passamos de 30 mortes e com certeza os números vão aumentar ainda mais. Nós temos mais de 190 pessoas com o coronavírus ativo. O Estado está com um atraso muito grande para apresentar os laudos das pessoas que já realizaram os testes, então, os números podem ser ainda maiores. São cerca de 100 exames atrasados em nosso município. Diante deste cenário, temos que conscientizar a população que a Covid-19 é algo sério. Se analisarmos os números de taxa de ocupação dos leitos de UTI da região de Marechal Rondon, da 20ª Regional de Saúde e da 10ª Regional, que abrangem os municípios do entorno de Toledo e Cascavel, respectivamente, estamos com 100% dos leitos ocupados, e isso é muito preocupante. Se precisarmos de leito não teremos como alocar os rondonenses. Atualmente, 14% das pessoas que tiveram e têm Covid-19 são trabalhadores dos serviços não essenciais, que são as lojas. Friso, as pessoas não estão sendo contaminadas no comércio, quando vão fazer as compras; são as pessoas que trabalham no comércio que estão doentes e afastadas. Esse afastamento prejudica as empresas, ainda mais em um período de muitas vendas, como essa época de Natal, porque as pessoas não estão podendo ir trabalhar e talvez uma ou outra loja nem possa funcionar, caso tenha um número reduzido de funcionários e estes estejam contaminados.

OP: O número de trabalhadores do comércio contaminados por Covid-19, então, mais que dobrou?

RLO: Nos meses de abril e julho, quando foi fechado o comércio, que integra as atividades consideradas não essenciais, a taxa de contaminação neste setor era de 6%. Hoje o índice é de 14%. É atualmente o setor com maior percentual de contaminação no município. Dentre esse percentual, o maior número de pessoas contaminadas abrange a faixa etária de 20 a 49 anos. Ou seja, são pessoas da classe produtiva e isso pode inviabilizar muitas atividades profissionais, causando prejuízos econômicos.

 

OP: O atual cenário pode provocar um novo fechamento do comércio rondonense?

RLO: Se não cuidarmos, infelizmente podemos ter um novo fechamento do comércio de Marechal Rondon. Se onúmeros continuarem aumentando como nos últimos dias, a possibilidade existe. Eu não posso falar pelo Ministério Público, por exemplo, mas ele tem o dever de cuidar da saúde da população e isso pode vir a acontecer. Por isso da importância de bater na tecla da conscientização. E é isso o que a Acimacar está fazendo. Vamos nos cuidar, evitar aglomerações, cuidar na questão do distanciamento social e na higienização com álcool gel e observar o uso da máscara. Nós temos que observar a saúde das pessoas e também a saúde das empresas. A Acimacar é uma entidade a favor do comércio, dos prestadores de serviço, das indústrias de Marechal Rondon, mas temos que entender que se houver alguma coisa mais grave e o Ministério Público, a prefeitura ou o Estado disser que deve ser feito um fechamento, isso causará um prejuízo muito grande para a população. E é justamente da população que nós pedimos a conscientização.

 

OP: Especula-se que depois do Natal e do ano novo haverá muitas confirmações de casos de coronavírus e que teremos em janeiro um mês bastante crítico no setor de saúde. O senhor acredita que de fato isso pode acontecer?

RLO: Nós temos essa preocupação, sim. O decreto do Estado proíbe aglomerações de mais de dez pessoas, mas veja o que aconteceu no fim de semana, por exemplo. Em Marechal Rondon alguém organizou uma festa com mais de 100 pessoas; na cidade de Foz do Iguaçu, outra festa com mais de 600 pessoas. São festas clandestinas que fazem com que haja uma proliferação maior do vírus. Agora teremos o Natal e o ano novo e as famílias vão se encontrar. Será que isso não pode causar um crescimento no número de pessoas com Covid-19? Nós pedimos essa compreensão da população, de que as festas fiquem somente no seio familiar e que não haja aglomeração de pessoas para conseguirmos controlar a transmissão do vírus.

OP: Como bater na tecla da prevenção em um período em que há grande movimento de pessoas pelas ruas da cidade, visitando o comércio, que há semanas está atendendo em horário estendido?

RLO: O comércio de Marechal Rondon está funcionando em horário estendido para que haja maior tempo e com isso um maior distanciamento entre as pessoas que vão às compras. A Acimacar já tinha feito no início do mês de dezembro uma campanha para que as pessoas antecipassem suas compras de Natal para não haver uma aglomeração na semana de Natal. Sabemos que muitas pessoas fizeram compras antecipadas, mas muitas ainda vão fazer, inclusive na véspera de Natal. Pedimos para que elas cuidem na questão da aglomeração e do distanciamento.

OP: Só teremos um cenário mais ameno quando iniciar a vacinação?

RLOQuando a vacina chegar não significa que tudo estará resolvido. Até porque a maioria da população não será vacinada. Primeiramente serão imunizadas as pessoas do grupo de risco, idosos, pessoas com comorbidades. Não podemos esquecer deste detalhe. Além do que, se você tomar a vacina hoje, a segunda dose é daqui a 30 dias e você vai estar imunizado apenas daqui a 60 dias. Então, quando tivermos a vacina, ainda serão mais de 60 dias para que as pessoas comecem a estar imunizadas, e a prevenção vai continuar, o uso de máscaras e o distanciamento.

OP: Enquanto dirigente da Acimacar, o senhor teve um ano cheio de desafios, tendo que criar novas estratégias para dar sequência aos trabalhos da entidade. É desanimador pensar que entraremos em 2021 e não há perspectivas de um cenário muito diferente do atual?

RLO: Tenho recebido algumas mensagens que me deram ânimo para continuar. As pessoas estão vendo que em momento algum a Acimacar desistiu das suas atividades. Não conseguimos organizar feiras, cursos, eventos e palestras presenciais, mas focamos na saúde da população e das empresas de Marechal Rondon. Das sete mil empresas do município, a Acimacar tem quase dois mil associados e tem que fazer com que essas empresas não desanimem. Elas não podem desanimar no começo de 2021. Eu me comprometo a ajudar cada vez mais as empresas a passarem por esse momento difícil. Sabemos que alguns setores nem sentiram a pandemia, alguns cresceram ainda mais, como o agronegócio e a construção civil, e outros ainda estão parados, como o de eventos, as empresas de transporte escolar, e passando por dificuldades. A Acimacar teve há poucos dias a visita da equipe da Fomento Paraná, que trouxe um incentivo, um apoio financeiro para as empresas ligadas ao turismo, que são restaurantes, lanchonetes, hotéis e todos esses que estão passando por dificuldades. Torcemos para que tudo seja superado e que o ano de 2021 seja melhor.

 

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