Com o falecimento de uma criança de um ano e oito meses na madrugada de quarta-feira (1º) devido a um quadro de meningite, pais de alunos que pertencem ao mesmo Centro Municipal de Educação Infantil (Cmei) que a pequena rondonense frequentava entraram em alerta acerca da possibilidade de contágio de outras crianças pela doença.
De acordo com o boletim médico divulgado pela Comissão de Controle de Infecção Hospitalar (CCIH) do Hospital Rondon, onde a menina estava internada quando faleceu, o quadro de meningite que levou-a ao óbito foi de origem bacteriana. “No líquor da referida paciente houve presença de diplococos gram positivos lanceolados – meningite pneumocócica”, informa a nota.
A meningite é uma doença contagiosa, transmitida de pessoa para pessoa por meio de gotículas de saliva ou secreção expelidas por indivíduos infectados ao falar, tossir ou espirrar, por exemplo. As meningites são processos inflamatórios das membranas que recobrem o cérebro. Tais processos inflamatórios podem ser causados por dezenas de diferentes gêneros bacterianos, bem como fungos e vírus.
Conforme a secretária de Educação, Marcia da Motta, com a confirmação da causa do óbito o protocolo adotado no Cmei onde a menina estudava, localizado no Jardim Botafogo, foi a desinfecção da sala de aula frequentada pela criança, bem como dos brinquedos e demais objetos de uso comum.

Segundo a secretária de Educação, Marcia da Motta, com a confirmação da causa do óbito, protocolo adotado no Cmei foi a desinfecção da sala de aula frequentada pela criança, bem como dos brinquedos e demais objetos de uso comum (Foto: Leme Comunicação)
Caso isolado
Desde a última sexta-feira (26), a criança estava sem frequentar o Cmei e neste período nenhum outro aluno do Centro Municipal de Educação Infantil apresentou sinais parecidos com o da menina, nem sintomas de meningite, que envolvem febre, fraqueza, dor de cabeça, choro, vômitos e alterações no comportamento típico da criança. “Não fomos notificados pelo Hospital Marechal Cândido Rondon, pelo Hospital Municipal Dr. Cruzatti ou pela Unidade de Pronto Atendimento (UPA), que são as três portas de entrada para casos como este e é por isso que a situação está sendo tratada como um caso isolado”, enfatiza a secretária de Saúde, Marciane Specht.
Segundo ela, a criança tinha todo o esquema vacinal em dia.
A chefe da pasta explica que a forma de transmissão da meningite bacteriana é através do contato direto com secreções orais de quem está infectado. “Situações como tosse, espirro, saliva, em que há presença de gotículas de matéria orgânica com a bactéria é quando pode ocorrer a transmissão para outras pessoas”, declara.
Ontem, a sala do Cmei onde a menina estudava permaneceu fechada. Entretanto, a secretária de Educação afirma que por se tratar de um caso isolado e pela forma de contágio da doença não há necessidade de suspensão das aulas. “Estamos em contato com a família, com a Secretaria de Saúde e tanto nós quanto a direção e professores ficamos preocupados com essa situação. No entanto, os pais podem ficar tranquilos porque não há nenhum outro caso suspeito e nenhuma outra notificação acerca de meningite”, frisa Marcia.
Suspensão das aulas não é necessária
Em nota oficial, a Prefeitura de Marechal Cândido Rondon informou que a suspensão das aulas é uma medida tomada apenas quando ocorrem outros tipos de meningite bacteriana, causadas por Haemophilus influenzae e Meningococo. Estes dois tipos necessitam da realização do bloqueio de pessoas próximas com rifampicina.
A Secretaria de Saúde orienta que, como medidas preventivas, devem ser feitas a lavagem das mãos, higiene pessoal, cuidados com material de uso individual, como chupeta, mamadeira, copo e brinquedos. “Os brinquedos devem ser individuais, mas nessa idade eles acabam sendo de uso coletivo, contudo, a equipe do Cmei já está tomando os devidos cuidados também neste sentido”, informa Marciane.
Vacinas em dia
Marciane destaca que, além das medidas preventivas acerca da meningite, é de extrema importância que os pais, familiares ou cuidadores mantenham o quadro vacinal das crianças atualizado, verificando a carteira de vacinação.
O esquema vacinal disponível no Sistema Único de Saúde (SUS) contra a meningite conta com a vacina Meningo C, que deve ser tomada aos três e aos cinco meses, com reforço no primeiro ano de idade. “Adolescentes de 11 a 14 anos também devem fazer uma dose da vacina, pois estudos apontam que essas são as faixas etárias que também apresentam casos da doença”, enaltece a responsável técnica pelas vacinas no município, Carla Trentini.
A vacina Pentavalente, a qual a criança deve receber aos dois, quatro e seis meses, a imuniza contra Hepatite B, tétano, difteria, coqueluche e Haemophilus influenzae tipo B, esta última que protege contra as formas graves da doenças causadas pelo Haemophilus influenzae tipo B.
Já a vacina Pneumo 10 (pneumocócica conjugada) ajuda a proteger as crianças das doenças causadas pela bactéria Streptococcus pneumoniae, que também pode ser um dos causadores de meningite, além da pneumonia, otite média aguda, sinusite e bacteremia. As doses devem ser feitas aos dois quatro meses, com reforço no primeiro ano de idade. “Todas essas vacinas estão disponíveis para a população no quadro vacinal atualizado para 2019”, complementa Marciane.

Secretária de Saúde, Marciane Specht: “Não fomos notificados pelo Hospital Marechal Cândido Rondon, pelo Hospital Municipal Dr. Cruzatti ou pela Unidade de Pronto Atendimento (UPA), que são as três portas de entrada para casos como este, e é por isso que a situação está sendo tratada como um caso isolado” (Foto: Leme Comunicação)
Vacinas para meningite na rede privada de saúde
O inverno está chegando e a estação mais fria do ano chama atenção para os casos de meningite, tendo em vista que as doenças do tipo bacterianas têm uma maior preponderância nessa época, enquanto as virais possuem maior predomínio no verão.
O SUS fornece gratuitamente a dose contra a meningite C – que representa até 70% dos casos de infecção – para crianças e adultos, entre dois meses e 50 anos de idade.
Para os outros tipos de meningite a vacinação tem custo.
A vacina mais completa contra a meningite, que protege contra os tipos A, C, W e Y, e a vacina para o tipo B são disponibilizadas apenas através da rede privada de saúde. Porém, os valores altos assustam os pais que gostariam de imunizar os filhos.
Até o ano passado algumas clínicas de Marechal Rondon disponibilizavam as vacinas, mas por não haver demanda a manutenção se tornou inviável. Com a negativa na oferta de doses no município, muitos rondonenses foram aconselhados a buscar clínicas em Toledo, município próximo e também de referência para a região.
Em recente matéria a reportagem de O Presente coletou informações em quatro dessas clínicas e, conforme o levantamento, o preço da dose para a vacina contra a meningite do tipo B varia entre R$ 520 e R$ 600 no pagamento à vista. Já a vacina ACWY fica entre R$ 350 e R$ 420. Todas as clínicas oferecem pagamento parcelado no cartão ou cheque.
A maior procura registrada é para a imunização de crianças, mas também está sendo comum a busca de vacinas para todos os demais membros do grupo familiar. A vacina conjugada ACWY é a que enfrenta maiores problemas de abastecimento.
O Presente