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Marechal Percalços da pandemia

Setor de eventos vive expectativa do retorno definitivo

(Foto: Arte/OP)

Os holofotes permanecem desligados. Caixas de som e instrumentos musicais continuam calados. As câmeras fotográficas e os equipamentos de vídeo já não registram com a mesma intensidade os momentos felizes que outrora eternizavam em som e imagem.

O setor de eventos foi um dos primeiros a suspender as atividades por conta das medidas restritivas para conter o avanço da Covid-19, e mais de um ano após o início da pandemia, profissionais de diversos segmentos se desdobram para conseguir sobreviver à crise do coronavírus.

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Casamentos, formaturas, festas de aniversários e demais cerimônias movimentavam um leque grande de profissionais e geram emprego e renda para inúmeras pessoas de diversos segmentos do setor.

O empresário do ramo de foto e vídeo Hilário Boech conta que antes da pandemia o estúdio tinha eventos todos os fins de semana, principalmente casamentos.

Ele relata que muitos casais tiveram que remarcar a data da cerimônia mais de uma vez. “Tinha casamento marcado para outubro de 2020, que foi transferido para maio deste ano e agora precisou ser remarcado para maio de 2022”, comenta.

Hilário lamenta a difícil situação que o setor atravessa, mas avalia como necessárias as restrições para minimizar o número de casos da doença. “Os eventos reúnem muita gente, e o contato físico é muito grande”, pontua.

Ele diz que o fato de possuir loja própria, onde comercializa produtos como álbuns e oferecer outros serviços, como revelação e ensaios fotográficos em estúdio, foi determinante para manter as portas abertas. “É o que está salvando a gente. Se dependêssemos só de eventos, teríamos que mudar de ramo”, afirma.

O empresário acredita que o setor está preparado para o retorno gradativo dos eventos de forma segura, respeitando os protocolos de distanciamento e cuidados com a higiene. “Teremos que trabalhar com respeito às leis para termos segurança total”, ressalta.

Para Boech, a volta dos eventos será normalizada assim que a maioria da população estiver vacinada contra a doença. Ele acredita que isso deve acontecer até o fim deste ano. “Temos que pensar positivamente, que tudo vai dar certo”, destaca.

 

Hilário Boech, proprietário da Foto Rondon: “Comercializar produtos como álbuns e oferecer outros serviços é o que está salvando a gente. Se dependêssemos só de eventos, teríamos que mudar de ramo” (Foto: Sandro Mesquita/OP)

 

ANIVERSÁRIOS E CONFRATERNIZAÇÕES

Outro segmento que ainda sofre com a falta de eventos é o de locação de espaços para festas e confraternizações.

Conforme Márcia Koppe, proprietária do BNH-2 Festas, um dos estabelecimentos mais tradicionais em Marechal Rondon, especializado em aniversários, foi preciso se reinventar nesta pandemia. “Os aniversários, as comemorações, em especial as do 1º aninho, são um momento muito esperado pelas famílias, e tanto elas como nós tivemos que nos reinventar”, comenta.

Ela lembra que antes da pandemia era preciso agendar a reserva dos salões com bastante antecedência, pois a procura era muito grande. “Eu estava recusando eventos, deixava de atender muitos clientes porque não tinha mais data disponível”, relata.

Márcia conta que por causa das restrições, algumas famílias preferem realizar encontros com um número bem limitado de pessoas. “Acabamos fazendo algo apenas para família, menor e mais personalizado”, compartilha.

No entanto, a empresária menciona que esse tipo de festa tem um custo mais elevado, o que acaba se tornando inviável para o cliente. “Às vezes as mães acabam não querendo investir um valor alto para uma festa personalizada para poucas pessoas”, conta.

A empresária diz que recentemente teve uma conversa com membros do Centro de Operações de Emergência (COE) do município para tratar de um possível retorno. “Vejo agora uma luz no fim do túnel. Vou enviar um protocolo para tentar liberar pelo menos os eventos que já estavam agendados. Eles me deram esta esperança”, aponta.

O retorno, todavia, só será possível com um número de convidados bem reduzido. Ainda assim, segundo ela, isso não é um empecilho para os clientes. “Os pais não se importam com isso. Mesmo que tenha entre 30 e 40 pessoas no máximo, eles não querem se preocupar com higienização, por exemplo. Querem chegar no local e encontrar tudo preparado para o evento acontecer com segurança”, salienta.

 

Empresária Márcia Koppe, proprietária do BNH-2 Festas: “A procura para reservas é muito grande. Tenho solicitações diárias de clientes que perguntam quando deve liberar para locação do espaço. Ao menos já vejo luz no fim do túnel” (Foto: Divulgação)

 

EVENTOS DE MÉDIO E GRANDE PORTE

Profissionais responsáveis pela promoção e realização de eventos de médio e grande porte são os que mais sentem a proibição.

As festas universitárias e raves que costumam ter mais de 12 horas de duração ainda estão longe de serem liberadas pelas autoridades.

Guilherme Souza, DJ e promotor de eventos desde 2014 que já organizou festas para quase mil pessoas, enfatiza que com as restrições vieram também as preocupações. O jovem conta que sua empresa está desde janeiro de 2020 sem gerar receita alguma e que recentemente começou a trabalhar com entregas de moto em uma farmácia da cidade para manter as contas em dia. “Este ano está sendo pior pra mim do que ano passado. Toquei apenas em uma festa”, comenta.

Além das entregas sobre duas rodas, ele diz que está tentando compensar a falta de eventos com a realização de cursos de DJ, que acontecem no estúdio em sua casa, onde mora com os pais. “Sou um privilegiado por morar com meus pais e se não fossem eles eu estaria numa situação pior”, pontua.

Apesar de fazer parte do setor de entretenimento, ele acredita que as restrições deveriam ser mais rígidas em bares e tabacarias, a exemplo do que acontece com os eventos. “Acho que em locais de entretenimento a probabilidade de contaminação é muito maior, porque ninguém usa máscara em um bar ou numa festa,” exemplifica.

Guilherme acredita que as medidas restritivas não foram compatíveis com a gravidade da situação, pois mesmo com números recordes de mortos no país, alguns municípios estão flexibilizando as restrições em determinados setores da economia. “Ficam tentando tapar o sol com peneira. Esse libera e suspende atrasa ainda mais o retorno definitivo, e vira um ciclo vicioso”, opina.

 

A empresa do DJ e promotor de eventos Guilherme Souza está desde janeiro de 2020 sem gerar receita. Recentemente, ele começou a trabalhar com entregas de moto em uma farmácia para manter as contas em dia (Foto: Sandro Mesquita/OP)

 

GASTRONOMIA

O segmento de gastronomia também precisou se reinventar para resistir às intempéries provocadas pela pandemia, e uma das alternativas foi apostar no sistema de drive thru.

Mari Silva, sócia-proprietária do Cali Buffet e Eventos, menciona que a empresa oferece todo o suporte necessário para a realização de eventos, desde o serviço de garçom, decoração, música e até utensílios, porém, segundo ela, o carro-chefe é mesmo a gastronomia.

De acordo com a empresária, apesar de todas as dificuldades, a empresa está conseguindo contornar a pandemia graças a um bom planejamento e muita criatividade. “Nós sempre tivemos uma reserva financeira para momentos de crise, e talvez por conta disso e do sistema de delivery e de drive thru estamos conseguindo ‘driblar’ a pandemia”, expõe.

Ela destaca a importância do atendimento especializado e personalizado para aproximar e fidelizar os clientes. “Nos adaptamos a essas novas formas de atendimento, o que é ótimo, porque passamos a ter um contato mais próximo e mais humano”, considera.

Mari afirma que as mídias digitais passaram a ser a principal ferramenta para divulgação dos serviços e produtos da empresa. “A pandemia possibilitou a conquista de novos clientes, conhecer novas formas de trabalho e a criação de novos produtos”, entende.

Conforme ela, a expectativa para a liberação dos eventos é muito grande e mesmo que seja de maneira gradativa, será muito positivo para o setor. “Acredito que o retorno aconteça, mesmo com quantidade reduzida de pessoas, até o fim do ano”, prevê.

 

Mari Silva, sócia-proprietária do Cali Buffet e Eventos: “Transformamos todos os desafios, o medo e a insegurança em ações positivas para que pudéssemos seguir em frente” (Foto: Leila Fotografias)

 

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