O chão repleto de sacolas simboliza vendas de muitos dias em apenas poucas horas. Essa é a realidade dos estabelecimentos que promovem as lives shop, as queridinhas do momento. A prática de vendas chegou ao Brasil em 2017 e teve seu “boom” durante a pandemia, momento em que o comércio expandia seus atendimentos no meio digital.
Uma mescla entre os canais de vendas na TV e as transmissões de entretenimento on-line, as lives shop ou shopping acontecem ao vivo nas redes sociais, têm a venda como principal objetivo e a simultaneidade como principal característica: os clientes compram direto no chat em tempo real. O cuidado com a audiência é uma preocupação e para que o público compareça virtualmente as lojas apostam em sorteios simultâneos à transmissão e, majoritariamente, ofertam descontos diferenciados.
Pioneira nas lives de vendas
Aliando o apreço do consumidor por conteúdos ao vivo e a crescente das vendas on-line, as lives shop chegaram em Marechal Cândido Rondon em 2020. Há menos de um ano, a Opção da Moda dava início à primeira de suas lives shop e a proprietária da loja, Marjori Maiara dos Santos, via seus esforços darem resultados.
“Foi a primeira live shop da cidade, pelo que sei. Pensamos na praticidade e no conforto das pessoas comprarem pela live, vendo a peça no corpo. A aceitação foi ótima e os clientes da loja física acompanham. Também vimos crescer o número de vendas em outros locais”, enaltece ao O Presente, pontuando que, mesmo sendo uma prática inaugurada na pandemia, as lives “devem permanecer entre as estratégias de venda” no pós-pandemia.
Com demanda suficiente para estabelecer um cronograma de transmissões, Marjori menciona que as lives alcançam cerca de duas mil visualizações, com média de audiência entre 150 e 200 telespectadores. “O volume de vendas de uma live shop de algumas horas corresponde a um dia de venda na loja física”, compara.

Proprietária da Opção da Moda, Marjori Maiara dos Santos: “Pensamos na praticidade e no conforto das pessoas comprarem pela live, vendo a peça no corpo. A aceitação é ótima e os clientes da loja física acompanham. Também vimos crescer o número de vendas em outros locais” (Foto: Divulgação)
Proximidade aos clientes
Na loja Joias Canaã, a live shop de estreia aconteceu em agosto deste ano. “Começamos a fazer, porque vimos que seria uma ótima oportunidade. As lives nos deixam mais próximos dos clientes e as pessoas buscam por isso, não só produtos, mas também afeto. A possibilidade de efetuar vendas extras é outro ponto importante nesse momento de pandemia”, ressalta a proprietária do estabelecimento, Maria Luiza Roos Formighieri.
Tanto clientes consolidados quanto um público novo foram alcançados pelas transmissões da empresa, que viu seu movimento crescer após mais pessoas conhecerem a joalheria nas redes sociais. “Em uma live shop de três a quatro horas vendemos o valor correspondente a quatro dias normais de vendas da loja. Acredito que vai ser uma opção permanente, porque ficamos um mês sem fazer e várias clientes nos pediram de novo”, relata.
O imediatismo das vendas no chat, por vezes, gera “aglomeração”, conta Maria Luiza. “Os comentários que os clientes fazem na live chegam de ordem alternada. Assim, uma cliente pode ter pedido uma peça antes, mas para nós apareceu tempo depois. Nesse meio tempo outra cliente já pode ter pedido, o que causa certo ‘desentendimento’ na separação dos produtos”, expõe ao O Presente.
Segundo ela, a demanda das transmissões tem superado as expectativas.

Proprietária da Joias Canaã, Maria Luiza Roos Formighieri: “As lives nos deixam mais próximos dos clientes e as pessoas buscam por isso, não só produtos, mas também afeto” (Foto: Divulgação)
Live shop x condicional
Por ser uma técnica nova de vendas, Lariessa Mergener Lang, proprietária das lojas Ellegance Calçados Multimarcas e Ellegance Calçados Lançamentos e Outlet, tinha algum receio em se lançar no mundo das lives shop. Porém, depois de recorrer a pesquisas e treinamentos, a primeira live aconteceu em agosto deste ano. Na opinião dela, as lives shoppings devem se consolidar, mas, como todas as práticas, terão adaptações constantes. “A sucesso da live é fazer o que você se propôs a fazer e, por isso, é importante definir o que você quer com a live. Acredito que essa ferramenta vai continuar por algum tempo, mas as empresas precisam se readaptar para puxar o público”, opina.
Tanto antes, com a separação da mercadoria, precificação e codificação para apresentação na transmissão, quanto depois, com a organização dos pedidos, as lives demandam muita preparação por parte das empresas. “Houve uma onda de lives de várias empresas, inclusive do nosso ramo, e, então, decidimos experimentar. A primeira vez foi para ver como seria, se a live traria resultado e foi um sucesso logo de primeira”, enfatiza.
Diferente das vendas no condicional, por meio do qual os clientes recebem as peças para provar em casa e decidir se compram ou não, as lives shoppings têm como objetivo efetivar a venda já durante a transmissão.
“A principal dúvida era em relação ao pós-venda, porque as pessoas são acostumadas com o condicional e tínhamos dúvidas se a live se converteria em vendas. No entanto, as pessoas conseguem ver os calçados, damos desde detalhes sobre material e numeração, até dicas de moda. Optamos por fazer trocas caso o cliente não se adequasse ao calçado e as pessoas entenderam”, declara Lariessa.

Proprietária das lojas Ellegance, Lariessa Mergener Lang: “É um sucesso de vendas, afinal, quando conseguiríamos trazer 400 clientes ao mesmo tempo no nosso estabelecimento? Esse é um dos pilares do sucesso das lives shop” (Foto: Divulgação)
Atrair e manter o público
Clientes que amam promoções e lançamentos marcaram presença nas lives da Ellegance, detalha a rondonense, assim como novos consumidores de fora de Marechal Rondon. “O maior desafio é atrair o público e, em seguida, fazer com que a audiência permaneça na live. Mantemos cerca de 200 pessoas em média, chegando a picos de 450 telespectadores simultâneos. É um sucesso de vendas, afinal, quando conseguiríamos trazer 400 clientes ao mesmo tempo no nosso estabelecimento? Esse é um dos pilares do sucesso das lives shop”, considera.
A empresária diz ser difícil mensurar uma média de venda, visto que cada live feita teve uma linha diferente de produtos. “Colocamos tudo a preço de custo ou até mais barato. Então, é um volume de venda maior do que se fosse na loja física, mas, às vezes, financeiramente é só para giro de estoque”, pontua.

Dinamismo e bom humor das “apresentadoras” conduzem as lives: roupas são mostradas tanto no corpo e manequim quanto soltas (Foto: Divulgação)

Cerca de quatro horas de live correspondem a quatro dias de vendas normais na loja física. Na foto, chão repleto de sacolas após transmissão (Foto: Divulgação)
O Presente