“Nosso objetivo é manter todo mundo que entra aqui vivo”. A afirmação é do diretor técnico da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Edgar Netzel, médico Tiago Lucietto Krielow, ao se referir aos pacientes internados na instituição rondonense, que tem enfrentado, nas últimas semanas, uma superlotação de leitos, com macas pelos corredores e alta demanda de pessoas que buscam atendimento com suspeitas de Covid-19. O alerta do profissional foi feito em vídeo publicado pela Prefeitura de Marechal Cândido Rondon nas redes sociais.
Assim como vem sendo registrado em toda a região, o número de casos de coronavírus em Marechal Rondon aumenta cada vez mais e, segundo Krielow, tem atingido “proporções absurdas, levando a óbito inclusive pacientes jovens, sem comorbidades”.
Mesmo com mídias e gestores ressaltando frequentemente que a população deve adotar as medidas preventivas ao coronavírus, o diretor técnico da UPA vê o “relaxamento nos cuidados” como a principal causa do agravamento da pandemia. “Estamos vivendo uma tensão psicológica muito grande, o que causa um desgaste emocional. As pessoas precisam ter consciência da gravidade da doença, que ainda está em alta. A melhor forma de cuidar de si é evitar aglomeração, evitar o futebol do final de semana, que é desnecessário, evitar a visita aos pais, aquele chimarrão ou tererê. A saudade existe, mas é preciso ter cuidado porque a Covid-19 ainda está aí”, expõe.

Diretor técnico da UPA, Tiago Lucietto Krielow: “As pessoas precisam ter consciência da gravidade da doença, que ainda está em alta. A melhor forma de cuidar de si é evitar aglomeração, visitas, aquele chimarrão ou tererê. É preciso ter cuidado porque a Covid-19 ainda está aí” (Foto: Divulgação)
CUIDADOS INTENSIVOS
Considerando que a Covid-19 é uma doença de fácil transmissão, a UPA modificou seu formato de atendimento. Uma triagem é realizada a fim de separar pacientes sintomáticos respiratórios dos demais.
Os pacientes sintomáticos respiratórios são atendidos no corredor 19 e demais casos são atendidos na área regular.
De acordo com o diretor técnico, os pacientes são observados e, em caso de necessidade, eles são encaminhados à Ala Covid. “É exclusiva para quadros que demandam de maior cuidado e atenção médica, uso de oxigênio ou até mesmo cuidados intensivos”, explica.
Na Ala Covid da UPA rondonense foram disponibilizados 20 leitos para pacientes do coronavírus. Nos últimos dias, assim como em março, auge da pandemia até então, quase todos os leitos estavam ocupados. Ontem (09), havia 14 pessoas internadas no local.
“Muitos pacientes ficam internados no corredor. Nas últimas semanas, sempre há de 18 a 19 leitos da Ala Covid ocupados”, lamenta Krielow.
PERMANÊNCIA PROLONGADA
Em virtude da superlotação das unidades de terapia intensiva (UTIs) dos hospitais da Macrorregião Oeste, os pacientes permanecem na UPA por mais tempo do que o previsto. “Se o paciente for mais grave, tende a evoluir para intubação e necessita da ventilação mecânica. Temos suporte respiratório e todos os cuidados necessários até a transferência do paciente para UTI, mas, infelizmente os leitos das referências estão lotados e o paciente fica conosco por mais tempo que deveria”, pontua.
O médico garante que os profissionais da UPA dão suporte ao paciente durante 24 horas. “Somos uma unidade de pronto atendimento, mas como não há suporte das referências hospitalares nesse momento, o paciente fica mais tempo aqui. Isso está acontecendo não somente em Marechal Rondon, mas também em outros municípios da regional”, assegura.
70 ATENDIMENTOS POR DIA
Em virtude do aumento de casos da Covid-19, Krielow ressalta que há uma certa demora no atendimento. “Chegamos a 70, 80 pacientes com sintomas respiratórios atendidos em um dia. Não há capacidade local de atendimento rápido a eles, porque, embora disponibilizemos dois consultórios e mais médicos, o atendimento do paciente com sintomas respiratórios demora para acontecer. O médico precisa avaliar, fazer escuta respiratória e não é tão rápido. O paciente é medicado, sai com receitas e medicação em mãos e/ou guias para realização de exames ou RT-PCR no Setor de Epidemiologia”, informa.
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