A movimentação policial na cadeia pública de Marechal Cândido Rondon é intensa desde as primeiras horas deste domingo (22). Durante a madrugada, três pesos conseguiram fugir após serrar vigas de concreto e barras de ferro e acessar o solário da carceragem.
Conforme a Polícia Civil, os detentos usaram serras improvisadas para cortar as vigas e barras. Além destas, um trilho de trem que oferecia suporte à estrutura também foi danificado.
Os agentes plantonistas flagraram a ação dos presos através das câmeras de monitoramento, porém, como eles já estavam no teto da cadeia, não foi possível conter a fuga.
Entretanto, diante do flagrante, outros presos que também tentavam acessar o solário da cadeia foram impedidos pelos agentes.
Após chegarem ao solário, os presos se dirigiram à parte frontal da cadeia e pularam em cima de um veículo apreendido que estava estacionado no pátio.
De acordo com a Polícia Civil, os presos fugitivos são Anderson de Oliveira, Ericles Fernando Schneider e Jeferson Rodrigues Schulz.
A última fuga registrada na cadeia rondonense aconteceu no dia 31 de outubro de 2016, quando 39 presos conseguiram liberdade. Desde então, diversas tentativas de fugas foram frustradas pelos agentes de cadeia e investigadores da Polícia Civil.

Revista e contagem
Na manhã de hoje, os presos foram realocados no “gaiolão” para que os investigadores e agentes pudessem realizar a contagem e vistoria nas celas.
Durante a revista foram localizados carregadores para celular escondidos em alimentos que chegam até os presos por meio das visitas semanais. Aparelhos televisores também foram retirados das celas no decorrer da vistoria.
Como a estrutura da cadeia não conta com um pórtico de detector de metais, as visitas conseguem facilmente introduzir celulares, cerras e demais objetos que facilitam o trabalho de fuga dos presos.

Superlotação
A ala onde os presos fugitivos estavam alocados é chamada de “Casão” e no momento da fuga abrigava 83 detentos. O local, conforme a Polícia Civil, é para 16 presos.
A superlotação enfrentada pela cadeia pública rondonense é um problema anunciado e hoje se caracteriza como um barril de pólvora prestes a explodir. Atualmente, cerca de 105 presos ocupam uma estrutura projetada para abrigar apenas 18.
De acordo com o delegado de Polícia Civil, Diego Valim, a superlotação e a falta de estrutura impactam diretamente não apenas na segurança da população, como também no trabalho dos policiais. “Os policias vivem nessa rotina de frustrar as fugas dos presos, porque corriqueiramente são registradas tentativas. Felizmente, dessa vez fugiram apenas três, haja vista que se os agentes não tivessem flagrado a ação, o número seria muito maior”, destaca.
Valim salienta que a população é a mais afetada diante dessa situação. “Para a sociedade é uma total insegurança ter esse numero de presos alojados no centro do município”, frisa. Além dos presos provisórios, a cadeia rondonense abriga também aqueles que já estão condenados.
Conforme o delegado, a Polícia Civil sofre com esse quadro principalmente por estar em um claro desvio de função. “Enquanto o Estado não suprir essa necessidade e olhar o sistema carcerário com outros olhos, a população vai continuar sofrendo e a Polícia Civil sendo obrigada a arcar com a custódia de presos”, finaliza.
Imagens de câmeras de monitoramento registraram o momento em que os presos acessam o solário da cadeira. Confira:
Fugitivos

1ª foto: Ericles Fernando Schneider
2ª foto: Anderson de Oliveira
3ª foto: Jeferson Rodrigues Schulz