Não é segredo que a prática de esporte traz inúmeros benefícios para a saúde. O corpo trabalha melhor e a rotina do dia a dia se torna mais prazerosa. Na terceira idade, então, nem se fala. Ao manter este hábito, há a oxigenação das células do corpo que auxiliam na circulação sanguínea e melhoram diversas funções, inclusive motoras.
O educador físico Tiago Augusto Pinz, diz que a prática de atividade física para o idoso está associada à longevidade e ao menor risco de morbidade. “Por volta dos 30 anos de idade, o corpo humano passa a perder, gradativamente, massa muscular. Mas isso só se torna perceptível quando chegamos aos 60. Praticar exercícios é uma forma de prevenir doenças crônicas, cardiovasculares, além de quedas e acidentes domésticos”, explica.
Pinz diz que a falta de atividade física faz aumentar o percentual de gordura no corpo, deixando a mobilidade física comprometida. “Um conjunto de fatores se agrava com o envelhecimento. Órgãos como coração e pulmão, por exemplo, não têm a mesma resposta de quando eram mais jovens. O idoso que pratica atividade física mantém a massa muscular, o equilíbrio, força corporal, menor índice de queda e lesão. Tudo isso contribui com a melhora da capacidade cardiorrespiratória”, ressalta, salientando a importância de sempre procurar ajuda de um profissional sério e que respeite os limites do idoso.

Bem-estar
A caminhada, por exemplo, é uma atividade aeróbica que auxilia no condicionamento físico, enquanto a musculação ajuda no fortalecimento dos músculos. Anita Frost tem 60 anos e faz academia com atendimento personalizado desde 2019. “Eu sentia muitas dores, principalmente nas pernas. Depois de uns três meses com a prática de exercício começou a melhorar”, comenta Anita, que frequenta a academia duas vezes por semana. “Para mim, significa bem-estar. Melhora na minha qualidade de vida, no humor. Me sinto mais disposta”, enaltece.
Ela recorda que achava que seria perda de tempo e dinheiro investir em exercícios físicos. “Quando meus filhos falavam para eu fazer academia, eu pensava que iria ser apenas um gasto a mais. Mas quando as dores nas minhas pernas não cessavam mais, passei a acreditar que realmente poderia ser algo muscular. Foi então que resolvi fazer academia. Os exercícios são adaptados conforme as minhas possibilidades e necessidades. Agora não falto às aulas por nada. Tenho me sentido mais feliz. Acredito que a prática de exercícios auxilia em um envelhecimento saudável”, relata.

Adeus às dores
Problemas como obesidade, diabetes e hipertensão também podem ser mais bem controlados. Doenças relacionadas às articulações e à mobilidade em geral podem ser contidas ou mesmo revertidas. A rondonense Naemi Graff Pinz tem 67 anos e faz caminhada há mais de 20 anos. Já participou, inclusive, de projetos com estagiários de Educação Física da Unioeste. Ela conta que já passou por muitos problemas de saúde. “Demorei muito tempo para ser diagnosticada com hanseníase. Comecei a fazer o tratamento e, devido à alta dose de corticoide, desenvolvi diabetes, chegando a ser internada e entrar em coma”, revela.
Após receber alta do hospital, Naemi não conseguia mais caminhar. Entretanto, aos poucos foi se recuperando. “Comecei a fazer pequenas caminhadas. Primeiro na frente da minha casa, depois ao redor da quadra, até que comecei a evoluir”, detalha. Foi neste momento que ela procurou a ajuda de um educador físico. “Expliquei meu caso, minhas limitações. No início precisava de ajuda inclusive para levantar do colchonete, mas aos poucos fui progredindo até conseguir fazer tudo sozinha”, expõe.
Contudo, neste meio tempo ela foi diagnosticada com câncer de mama e foi submetida a um tratamento de quimioterapia. A academia teve que ser interrompida, mas as caminhadas não foram deixadas de lado. “Graças aos exercícios físicos não tive enjoos durante o tratamento. Me alimentava normalmente. Fazia quimioterapia uma vez por semana e sempre me mantive forte. Após algumas semanas da cirurgia de mastectomia eu já estava de volta na academia fazendo os exercícios recomendados”, relembra.
Hoje em dia ela frequenta a academia três vezes por semana. “Lá encontro colegas de trabalho que hoje são aposentadas e também faço novas amizades. Atualmente, não tenho mais dores nas juntas, sinto um bem-estar, durmo melhor e tenho boa qualidade de vida”, resume.

Efeito psicológico
Para além dos benefícios físicos, os esportes para idosos têm, ainda, um efeito psicológico positivo. Como libera serotonina – neurotransmissor responsável pela sensação de felicidade e bem-estar – o exercício físico ajuda a combater a depressão. Feito em grupo, também ajuda a manter as habilidades sociais de pessoas de mais idade que normalmente são mais solitárias.
Fonte de juventude
Seu Ataliba Pires de Campos tem 73 anos e é aposentado. A atividade física chegou na vida dele em 1967, quando entrou no Exército, aos 19 anos de idade. Desde então nunca mais parou. Hoje ele faz parte do Projeto Aprove Jiu-Jitsu. “Idade não é doença. Você pode chegar aos 100 anos e ainda ser um atleta. Claro que com muito mais cautela. Exercício físico é a única fonte de juventude”, opina.
Além disso, ele conta que caminha oito quilômetros três vezes por semana. “Faço minha caminhada nos dias que não pratico jiu-jitsu, percorrendo algumas vezes até dez quilômetros. Fora isso, em casa eu faço todos os dias 400 flexões de maneira alternada entre um exercício e outro”, comenta.
A disposição para tanto exercício físico vem da época que ele trabalhava como 1º escrivão na delegacia de Marechal Cândido Rondon. “Trabalhava dia e noite. Muitas vezes nem dormia. Na época eu fazia karatê. Terminava a aula e eu chegava em casa cansado, mas ainda assim ia para a delegacia. Um trabalho que exigia muito vigor, defesa pessoal e saúde”, lembra ele, que praticou a arte marcial por 26 anos.

Mal do século
Para ele, o mal do século é o sedentarismo. “E a má alimentação, o cigarro, o álcool, o automóvel, a vida fácil. Você que é jovem, procure fazer uma atividade física”, aconselha. “A pessoa é doente se quer, é velha se quer. Enquanto eu tiver vida e saúde, vou me dedicar às artes marciais. E agradeço ao mestre Ângelo dos Reis por ter me acolhido de braços abertos e por toda a equipe que me valorizou”, enfatiza.
Nunca é tarde
O professor do projeto de jiu-jitsu, Ângelo Reis, diz que a participação de Seu Ataliba mostra que nunca é tarde para continuar e salienta que o esporte transforma e melhora a qualidade de vida. “Ele, com 73 anos, mostra que nunca é tarde para recomeçar e que a modalidade não faz distinção de idade. É uma motivação para as outras pessoas. Uma quebra de barreiras e preconceitos pelo fato de ele ser uma pessoa mais velha e deixar claro que nunca é tarde para recomeçar e que desistir não é uma opção”, finaliza.

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