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Marechal

Um ano depois, assaltos com reféns voltam a assombrar rondonenses

 

Joni Lang/OP

Comandante da 2ª Companhia de PM, capitão Valmir de Souza: Temos informações de que são dois grupos distintos, um deles já identificado e outro em fase de identificação e consequentemente prisão

 

A comunidade de Marechal Cândido Rondon volta a se sentir acuada diante da ação de marginais que estão invadindo residências, anunciando assaltos e levando pessoas como reféns. Embora em alguns casos não haja violência física, ainda assim a violência moral empregada pelos bandidos deixa os cidadãos em estado de alerta no sentido de se questionarem se mais rondonenses serão alvos desses criminosos.

Ações praticadas por elementos armados estão sendo registradas aproximadamente um ano depois de uma onda de assaltos à mão armada que deixou muitos rondonenses assombrados. A coincidência neste ano é que os marginais estão praticando assaltos à mão armada tendo como objetivo roubar caminhonetes Toyota/Hilux, tendo em vista que nas últimas semanas foram vários os casos observados. Porém, enquanto no ano passado as vítimas eram mantidas reféns em casa, neste ano os assaltantes revelam maior ousadia e levam reféns como garantia de que tenham sucesso nos seus atos.

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Nem a Páscoa afugentou os criminosos, que praticaram diversas ações entre a noite da última sexta-feira (14) e a noite de domingo (16) no município de Marechal Cândido Rondon. Por volta das 02 horas de madrugada de sábado (15), policiais militares foram informados de que na noite de sexta-feira um grupo de elementos armados e encapuzados invadiu uma residência na Rua Mato Grosso anunciando assalto. Eles levaram pertences pessoais das vítimas, assim como a caminhonete Toyota/Hilux de cor prata, placas MKT-3526, que estava estacionada na frente da residência. A família foi levada como refém até Maracaju dos Gaúchos, no interior de Guaíra, assim como o vizinho e sua esposa.

Conforme relatos, a situação envolveu quatro indivíduos armados que estavam com uma pick-up Fiat/Strada de cor prata que foi abandonada posteriormente no distrito de Oliveira Castro. Um dos marginais que portava uma arma longa ficou com os reféns no milharal até o momento que um outro veículo retornou para buscá-lo.

O caso mais recente aconteceu no fim da noite de domingo, quando dois elementos encapuzados e armados invadiram uma residência na Rua Minas Gerais e deram voz de assalto. Eles roubaram uma caminhonete Toyota/Hilux, dinheiro e demais pertences. O proprietário do veículo foi levado pelos bandidos até a Linha Sanga Mineira, proximidades do portal de entrada de Mercedes, e foi mantido refém por um terceiro indivíduo envolvido no crime, enquanto os outros dois fugiram com a caminhonete em direção a Guaíra. Pouco tempo depois, a vítima foi libertada e o criminoso fugiu com uma motocicleta.

 

MARGINAIS FERIDOS

Na manhã de ontem, militares do Batalhão de Polícia de Fronteira (BPFron) realizaram uma coletiva de imprensa para esclarecer a onda de assaltos seguida pelo roubo de veículos e com pessoas sendo feitas reféns. O caso se refere ao assalto registrado na noite de domingo na Rua Minas Gerais.

O comandante da 1ª Companhia do BPFron, capitão Nairo Cardoso, revelou que os policiais militares realizaram um cerco para acompanhar a ação dos bandidos, visto que normalmente após os roubos eles seguiam em direção à cidade de Guaíra. Próximo a Maracaju dos Gaúchos, os militares avistaram a caminhonete que havia sido roubada e iniciaram perseguição, sendo que a Hilux colidiu com um GM/Vectra na rotatória de entrada da cidade, cujo motorista foi ejetado do veículo. Os dois assaltantes tiveram ferimentos graves, tanto que um deles, de 19 anos, resultou com traumatismo craniano, enquanto o outro, de 21, teve fratura na perna.

Com um dos assaltantes foi encontrado um revólver calibre 38, produtos do roubo, R$ 500 em dinheiro, além de bolívares venezuelanos que, convertidos, somam R$ 6.625 (na moeda brasileira). O terceiro assaltante, que estava com a motocicleta, não havia sido localizado.

De acordo com o capitão, o bandido que sofreu traumatismo craniano seguia em coma e aguardava vaga para ser transferido para Toledo, enquanto o outro seria transferido ainda no período da tarde para Marechal Rondon.

 

MAIS ENVOLVIDOS

O comandante da 1ª Companhia do BPFron reitera que provavelmente existam mais envolvidos e que os nomes dos assaltantes são mantidos em sigilo para não atrapalhar as investigações que buscam identificar e localizar os demais integrantes da quadrilha. Além disso, não está descartada a hipótese de que haja ligação entre esse e os demais assaltos seguidos de roubos de veículos que estão acontecendo com frequência no município e na região.

 

RESPOSTA

Nairo acredita que com a ação que está sendo desenvolvida pelo BPFron e demais órgãos de segurança poderá ser dada uma resposta às situações de roubos. Os trabalhos estão sendo realizados tanto pelo BPFron quanto pela Polícia Militar e Polícia Civil de Marechal Cândido Rondon, então nas próximas horas ou dias poderemos ter mais desdobramentos sobre os casos, afirma.

 

O Presente

Comandante da 1ª Companhia do BPFron, capitão Nairo Cardoso: Não está descartada a hipótese de que haja ligação entre esse e os demais assaltos seguidos de roubos de veículos que estão acontecendo com frequência

 

TRABALHO CONSTANTE

O comandante da 2ª Companhia de Polícia Militar (PM) de Marechal Cândido Rondon, capitão Valmir de Souza, salienta que o trabalho da PM é constante. O contato com outros órgãos também faz parte do trabalho realizado para coibir esses delitos que vêm acontecendo. A importância que nós damos é a informação que nos chega, muitas vezes através da comunidade. Isso é fundamental para que possamos encontrar os criminosos que agem no nosso município e levá-los até a prisão. Se observarmos os dados estatísticos, percebe-se que eles mantêm normalidade em relação aos anos anteriores. Se analisarmos o ano de 2013, hoje temos uma redução de 40% nesses crimes. Todavia quando acontecem esses delitos, o nosso trabalho é fazer de tudo para encontrar essas pessoas e efetuar as prisões, destaca.

 

PRISÕES

Souza ressalta que no tocante aos roubos, os setores policiais detectaram as quadrilhas de criminosos que estão agindo em Marechal Rondon, com algumas prisões realizadas no dia de ontem. Em outro roubo foi apreendida uma pick-up que também estava envolvida nesses crimes e policiais de Oliveira Castro (interior de Guaíra) realizaram apreensão do veículo depois dos criminosos terem fugido ao avistar a equipe policial. O combate a esses crimes vem sendo realizado, mas por conta de uma deficiência de equipamentos em um primeiro momento e na sequência o trabalho de conseguir esses equipamentos com certa urgência, a atuação acontece no sentido de evitar que esses crimes sejam realizados no nosso município, enfatiza.

 

GRUPOS DISTINTOS

O capitão enaltece que as investigações vêm sendo conduzidas com eficiência pela Polícia Civil. A Polícia Militar levanta informações, trabalha em conjunto com Polícia Civil, PRF (Polícia Rodoviária Federal) e BPFron para levantar essas informações e entregar à Polícia Civil para que possa realizar as suas devidas diligências e encontrar esses criminosos. Nós também temos informações de que são dois grupos distintos, um deles já identificado e outro em fase de identificação e consequentemente prisão. Acreditamos que a Polícia Civil chegará a esses criminosos e nós diminuiremos sensivelmente esse número de crimes, garante.

 

CICLO

Souza, que atua na região há 20 anos, observa que há uma sazonalidade e um ciclo no roubo de caminhonetes. A polícia, tendo conhecimento, se coloca à disposição de trabalhar e impedir que aconteça, faz a prisão desses criminosos, muitas vezes com confronto armado, em que muitos deles acabam neutralizados. Na sequência são presos, mas passados dois, três ou quatro anos voltam à atividade normal porque saem da cadeia. Alguns grupos são nesse sentido, enquanto outros são grupos novos que não tinham contato com a criminalidade e passam a realizar esses crimes, são presos e saem de circulação. Então é esse ciclo que acontece, explica.

Nós estamos no ciclo reiniciado por criminosos que se colocaram nessa vida e consequentemente são presos. Provavelmente serão confrontados em troca de tiros, portanto esperamos que o policial militar não seja baleado e tampouco ferido e que possamos prender essas pessoas dentro da maneira mais adequada, finaliza.

 

FURTOS GERALMENTE SÃO PRATICADOS POR MORADORES DA CIDADE

O comandante da 2ª Companhia de Polícia Militar de Marechal Cândido Rondon, capitão Valmir de Souza, esclarece que muitas vezes a polícia detecta que crimes como furtos costumeiramente são praticados por indivíduos da comunidade local. São pessoas que conhecem a rotina dos moradores e das empresas. Ao longo do tempo percebemos que são pessoas que reiteradamente têm passagens pela polícia, contudo não chegam a ser condenadas, então não são reincidentes juridicamente falando. O que há é reincidência em se tratando da recaptura por parte da 2ª Companhia, menciona.

São pessoas com histórico de terem sido presas em flagrante por furto, mas por não terem sido julgadas não são consideradas reincidentes. Na maioria das vezes são jovens, sendo alguns deles adolescentes. Os números mostram um nível mantido há anos (confira na tabela), com alteração em determinados momentos, mas todo furto é único. Estamos desenvolvendo o melhor trabalho possível para que possamos proporcionar tranquilidade aos moradores de todo município, enaltece o capitão Souza.

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