Ao contrário das escolas públicas, que recentemente aderiram a um sistema de educação a distância para atender os estudantes da rede estadual de ensino enquanto perdurar a pandemia do coronavírus, as universidades estaduais do Paraná seguem sem aulas desde o dia 20 de março.
De acordo com o diretor-geral do campus de Marechal Cândido Rondon da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), Davi Félix Schreiner, apesar das aulas suspensas há praticamente 45 dias, as atividades na instituição não foram totalmente paralisadas. “Adotamos as medidas de distanciamento e outros cuidados necessários e as atividades prosseguem. Na parte administrativa, seguimos fazendo o serviço por escala, bem como no setor de vigilância. O setor de licitações, por exemplo, tem nos próximos dias quatro licitações sendo abertas, editais sendo lançados para dar continuidade a obras e aquisição de equipamentos na universidade”, menciona.
Nas estações experimentais da universidade, acrescenta Schreiner, os trabalhos também seguem em andamento. “Temos cultivos que depois serão utilizados em experimentos de alunos, animais que precisam ser cuidados, logo, os agentes universitários seguem em atividades, respeitando todos os protocolos recomendados”, expõe.
Em relação às atividades acadêmicas, mesmo com as aulas suspensas, o diretor comenta que ações estão ocorrendo tanto na graduação como pós-graduação. “As orientações de mestrandos e doutorandos continuam, porque há prazos da Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior) e eles precisam ser atendidos. Bancas de qualificação de defesa de mestrados e doutorados também têm ocorrido, tudo por meio de plataformas virtuais. Ainda, experimentos que estavam em andamento quando do início da pandemia estão avançando”, salienta, acrescentando que os professores solicitam o acesso dos acadêmicos aos laboratórios e o uso acontece em escala e horários alternados.

Diretor-geral do campus rondonense da Unioeste, Davi Felix Schreiner: “Nós já tivemos paralisações de meses e as aulas foram repostas integralmente pelos docentes” (Foto: O Presente)
PROFESSORES
Schreiner destaca que a universidade se faz no tripé ensino, pesquisa e extensão e, assim sendo, garante que os professores não deixaram de produzir pesquisa. “Nesse momento, os docentes estão trabalhando na produção e publicação de artigos e livros, elaboração de relatórios, de pareceres, de projetos e obras, criando pontes com outras instituições, pois elas conversam entre si”, pontua, reforçando que a formação nunca cessa.
AULAS REMOTAS
Questionado sobre a possibilidade da Unioeste aderir a aulas virtuais (ensino a distância), alternativa já adotada por muitas instituições de Ensino Superior privadas e até mesmo pela rede estadual de ensino, o diretor do campus rondonense comenta que há uma resolução do Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão (Cepe). “Ela regula que 20% da carga horária total dos cursos de graduação podem ser de atividades a distância, excetuadas as atividades complementares, para fazer o cálculo”, informa.
Contudo, segundo ele, a resolução deixa clara a diferença existente entre ensino a distância e atividades remotas por ela proposta. “Atividades remotas significam aulas ao vivo ou gravadas nos dias e horários das presenciais, interação com o professor, materiais e testes personalizados e elaborados pelo docente de acordo com conteúdos tidos nas aulas remotas. Portanto, é muito diferente do ensino a distância”, diferencia.
TRÂMITES
Ainda que haja a possibilidade de 20% da carga horária acontecer de maneira remota, somente dois cursos presenciais da Unioeste contam com isso em seu projeto político-pedagógico. “Serviria para as aulas teóricas e não para as práticas, devido à impossibilidade de realização remota. Então, a implantação desses 20% depende de uma discussão do colegiado de cada curso, com participação de professores e alunos. Lá é definido se mantém a forma que está hoje ou se altera as coisas”, indica o diretor do campus rondonense, explicando sobre o ponto de partida para tal decisão.
“A partir da discussão do colegiado acontece toda a tramitação legal da universidade: passa pela aprovação das instâncias do Conselho de Centro, Conselho de Campus e Conselho de Ensino e Extensão. Isso leva algum tempo e espero que, mesmo não sendo tão demorado assim, estejamos de volta na sala de aula em breve”, ressalta Schreiner, acrescentando: “Já há toda uma discussão acumulada em relação ao ensino a distância no interior da universidade. Todavia, hoje se fala em atividades remotas. Neste momento, inclusive, muitos cursos discutem essa mudança no projeto político-pedagógico”, expõe.
“AULAS PODEM SER REPOSTAS, VIDAS NÃO”
O diretor do campus rondonense da Unioeste diz que a expectativa é de que o ano letivo de 2020 não seja perdido. “Aulas podem ser recuperadas. Vidas não se recuperam. Olhando para o que tem ocorrido nos outros países, sobretudo os que mais foram atingidos, espera-se que nós retornemos às atividades letivas logo mais adiante. Seria um achismo querer aventar qualquer data nesta direção, até porque a universidade e os estabelecimentos de ensino nos diferentes níveis são locais de aglomeração de pessoas e em nosso campus recebemos alunos de muitos municípios, há um grande deslocamento”, pontua.
Já sobre a retomada das atividades e reposição de aulas, ele comenta que os diretores de campi, juntamente com o reitor e o vice-reitor, acompanham o desenrolar dos fatos. “Nós já tivemos paralisações de meses e as aulas foram repostas integralmente pelos docentes. Há discussões a respeito em todos os âmbitos da universidade. Todavia, é importante frisar a nossa preocupação com a vida da comunidade acadêmica e de toda a população. Evidentemente, ainda não há previsão, mas não será daqui a algumas semanas”, opina.
Para Schreiner, a situação vivida atualmente é gravíssima. “Basta dizer que o mundo nunca enfrentou uma pandemia dessa magnitude. Então, não havia pessoa e não há ainda totalmente uma instituição, um governo em qualquer um dos níveis, um país que consiga dar respostas de forma eficiente e irrestrita para esse problema”, considera.
AÇÕES DA UNIVERSIDADE
Partindo da premissa de resguardar vidas e contribuir no possível, a Unioeste, afirma o diretor do campus rondonense, muito tem feito no enfrentamento do novo coronavírus. “Temos o Hospital Universitário (HU) que atende mais de dois milhões de pessoas, sendo referência no tratamento da Covid-19. A universidade trabalha em sintonia com as regionais de saúde em um esforço conjunto para o contingenciamento do vírus. A Unioeste está com três linhas oficiais de call-centers para dar informações e orientações sobre a pandemia, nos números 0800 200 4501, 0800 200 4502 e 0800 200 4503. Além disso, ressalta-se a produção de álcool gel pela Farmácia Escola em Cascavel que distribui o produto para toda a universidade, HU e órgãos do Estado; há a produção de máscaras faciais por parte do NIT e do curso de Computação; e, ainda, o curso de Ciência da Computação criou um aplicativo que possibilita o monitoramento de pessoas”, destaca.
O Presente