Com o objetivo de diminuir a utilização de fungicidas sem necessidade pelos agricultores da região Oeste do Paraná, reduzindo os custos de produção do produtor e aumentando a sustentabilidade da agricultura, o Instituto Emater e a Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), campus de Marechal Cândido Rondon, por intermédio do Laboratório de Nematologia e Fitopatologia, assinaram na última sexta-feira (26) um termo de cooperação. O documento de parceria prevê a realização de até dez avaliações semanais de amostras de campo para identificar a presença de esporos do fungo.
A parceria funcionará da seguinte forma: os extensionistas do Instituto Emater serão responsáveis pela coleta semanal de lâminas com amostras para identificar a presença do fungo Phakopsora pachyrhizi (que causa ferrugem asiática), nas Unidades de Observação do Programa de Manejo Integrado de Doenças da cultura da soja, que deverão ser encaminhadas para o Laboratório de Fitopatologia e Nematologia da Unioeste, onde os técnicos responsáveis pelo laboratório farão as avaliações e o controle das amostras recebidas. De acordo com o documento, conforme os protocolos do programa no Estado, os agricultores somente serão orientados a aplicar fungicidas para controle da doença após a presença de esporos viáveis do fungo no campo.
Mais sustentável
Segundo o gerente Regional da Emater, Ivan Raupp, essa cooperação entre Emater e universidade permite com que a agricultura da região seja muito mais sustentável, além de ser benéfica para o agricultor e toda a cadeia produtiva. “À medida que o produtor, baseado em critérios técnicos agronômicos, toma a decisão de não fazer aplicações desnecessárias, calendarizadas previamente, sem haver presença de praga ou agente etiológico, ele gera ganhos de renda, e assim fica com mais recursos que giram na economia local, além de haver menos produtos químicos sendo aplicados no meio ambiente, o que gera um ambiente mais favorável na região e favorece toda a cadeia de proteína animal e produção de alimentos”, afirma.
Raupp informa que a Emater vem desenvolvendo um trabalho para monitoramento de doenças na cultura da soja. “Aqui no Oeste temos aproximadamente 1,1 milhão de hectares e mais de 50 mil agricultores que desenvolvem, entre suas atividades na propriedade, a produção da soja, que é extremamente importante para nós”, expõe. Ele conta que existem critérios de controle e aparecimento da ferrugem da soja, sendo esta uma doença de difícil detecção. “Temos redes de coletores de esporos, que é o agente que causa essa doença, em mais de 40 pontos na região, e fazemos avaliações semanais de leitura de lâminas que são tiradas desses coletores e trazidas para leitura por profissionais da Emater e da Universidade”, diz.
Importante
Para o gerente regional, a parceria com a Unioeste é muito importante, já que através do Departamento de Fitopatologia é possível fazer as avaliações necessárias, que são fundamentais para ajudar o técnico e o agricultor a tomar decisões que serão táticas para o controle dessa doença na cultura da soja. “Em termos de cooperação, vai ajudar o agricultor e o técnico a tomar a decisão correta, além de trazer resultados históricos, que já temos obtido, da redução de duas a três sacas de soja por hectare no custo de produção, já que o produtor só aplica o fungicida no momento adequado, quando há condições ambientais e presença no agente etiológico”, salienta.
Benefícios incalculáveis
O diretor-geral do campus de Marechal Rondon da Unioeste, Davi Félix Schreiner, reitera a fala do gerente regional da Emater, destacando a importância da parceria entre as instituições. “Para a universidade e o Laboratório de Nematologia, é extremamente importante desenvolver essa parceria com a Emater, porque ela traz benefícios incalculáveis para a Universidade, já que através das análises nós estamos contribuindo também para a melhoria do ensino, uma vez que estas análises podem ainda ser utilizadas dentro de sala de aula, como material didático entre professores e alunos para, a partir delas, poder tirar conclusões e, assim, melhorar o aprendizado profissional”, enaltece.
Por outro lado, destaca Schreiner, a instituição de ensino está oferecendo uma grande contribuição para os agricultores, por meio da Emater, no sentido de poder orientá-los nos seus cultivos e agregar valor e renda à produção por meio do aumento da produtividade. “Isso nos torna bastante felizes, porque precisamos evidentemente desenvolver a nossa agricultura familiar e a agropecuária. Este é um belo exemplo de como a universidade, através de parcerias, pode produzir tecnologia e inovação aplicada ao desenvolvimento econômico na agricultura do nosso município e região”, comenta.
Participaram do encontro para assinatura da parceria o diretor do Centro de Ciências Agrárias da Unioeste, professor Nardel Luiz Soares da Silva, o engenheiro agrônomo Urbano Mertz, da Emater, e os professores responsáveis pelo Laboratório de Nematologia e Fitopatologia, José Renato Stangarlin e Odair José Kuhn.

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