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Marechal

Vendas de 0km em marcha lenta

 

Mirely Weirich/OP

Com queda de 26% na venda de automóveis novos em Marechal Cândido Rondon, empresários esperam recuperar um pouco do fôlego perdido com a injeção do 13º salário no mercado

 

Do total de 39.675 veículos que compõem a frota de Marechal Cândido Rondon, 647 foram emplacados entre janeiro e setembro deste ano, de acordo com dados do Departamento de Trânsito do Paraná (Detran-PR). Apesar de significativo, o número de carros novos em circulação no município se distanciou do registrado no mesmo período de 2015, quando os emplacamentos somaram 876 até setembro – uma retração de 26% na venda de novas unidades em 2016.

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De acordo com Legário Gilberto Von Mühlen (Beto), proprietário da Beto Marcas, no acumulado de 2014 para 2015 a queda na venda de carros zero quilômetro foi de 30% e, neste ano, o número continuou caindo. Ou seja, o mercado de veículos novos encolheu cerca de 50% no acumulado de dois anos, e isso se reflete na nossa região também, afirma.

Ele destaca que, há muitos anos, o mercado de automóveis tem passado por uma série de alterações. Geralmente quando há um aquecimento na venda de seminovos e usados há uma redução pela procura de carros zero quilômetro, e vice-versa. As pessoas continuam comprando automóvel, mas elas não têm comprado nesses últimos meses como antes, opina.

Na visão do empresário, a maior dificuldade do setor automobilístico – especialmente para os veículos novos – começou a aparecer após o auge de vendas nos anos de 2013 e 2014 devido à elevação do custo do dinheiro, o aumento na taxa Selic, além de as instituições financeiras terem adotado regras mais rígidas para a liberação de crédito. Como boa parte das vendas acontece por meio das linhas de crédito das instituições financeiras e a inadimplência aumentou muito, eles começaram a ser mais rígidos para a concessão de crédito, e automaticamente houve elevação na taxa de juros, deixando os bancos mais criteriosos para liberação do dinheiro. Este foi um fator predominante para a queda nas vendas, pontua.

As altas taxas de juros foram um dos principais fatores que dificultaram o fechamento de negócios em todo o Brasil. Um carro de R$ 50 mil, por exemplo, pode custar até R$ 70 mil se financiado em 36 parcelas, com juros de 2% ao mês. Em uma tentativa de escapar dos temidos juros, muita gente está guardando dinheiro para dar uma entrada maior ou até mesmo comprar à vista, o que pode acontecer agora, no fim do ano, com a injeção do 13º salário.

 

Incertezas

O empresário assinala que, desde que o tema impeachment começou a fazer parte do vocabulário popular, o desemprego em nível nacional também passou a aumentar significativamente, o que gerou na classe trabalhadora uma incerteza em relação a sua manutenção no mercado de trabalho. Na nossa região, geralmente o marido e a mulher trabalham, mas existem muitos casos em que um dos dois já está desempregado. Automaticamente o orçamento da família é comprometido e cria-se uma incerteza com relação ao que se deve comprar, se devem assumir algum compromisso, diz.

De acordo com ele, as pessoas estão mais precavidas, tendo em vista as notícias ruins relacionadas à economia nacional e, a cada dia mais, às incertezas. Não sabemos em que momento voltaremos a ter uma melhora na economia, por isso as pessoas ficam receosas para adquirir veículos, expõe.

A queda do dólar registrada nos últimos meses também culminou na redução da venda de produtos para um dos principais fomentadores do setor: os agricultores. Agora eles estão esperando a elevação do preço do produto agrícola para voltar a adquirir esses bens duráveis, e o mercado automobilístico também depende muito do dólar e das bolsas internacionais, afirma.

 

Pior ano da história

O empresário Rui Schimmel, proprietário da Ford Rodovel, afirma que durante 2016 as baixas na venda de veículos novos chegaram a alcançar os 30%. Mas nos últimos dois meses tivemos as maiores quedas, diz.

Segundo os dados de primeiro emplacamento do Detran-PR, os piores meses de saída de carros zero para as concessionárias foram agosto, com -58 veículos no comparativo de 2015 e 2016, seguido por abril, com -42, e março e janeiro, empatados com -36 carros novos emplacados. O único período com saldo positivo foi o mês de março, com cinco carros a mais contabilizados pelo órgão. Aqui dependemos muito da agricultura e da pecuária, que com raríssimas exceções não está em um momento muito bom, então quem ainda aproveitou os piques que tivemos foi o agricultor, ressalta Schimmel. Agora, no entanto, ele já está receoso, como todo mundo, complementa.

Na visão do empresário, o trabalhador assalariado não quer assumir compromissos. Mesmo que seu carro esteja a ponto de ser trocado, ele quer esperar. Já tínhamos uma previsão de que teríamos uma dificuldade neste ano, mas não que este seria um dos piores anos que já tivemos. A própria indústria achava que venderíamos cerca de 2,5 milhões de unidades e ficaremos na casa dos 2,1 milhões, expõe.

Ele ressalta que, em nível nacional, mais de mil pontos de venda – entre lojas e filiais – foram fechadas entre 2015 e 2016, com uma média de 25 mil funcionários dispensados. Quem conseguir manter e não tiver que se desfazer de nada vai ter uma pequena conquista, já que não temos muita perspectiva de recuperação nem para o primeiro semestre de 2017, opina.

Apesar de também trabalhar com a venda de seminovos, o empresário enfatiza que a venda de carros usados não chega a compensar a perda do modelos zero quilômetro. Talvez nos seminovos a recuperação possa ser mais rápida, já que quem quer melhorar de carro ao invés de ir para o novo vá para o seminovo, mas um salto nas vendas para voltarmos aos patamares de 2014, ninguém espera, garante.

 

Esperança

Com a injeção do 13º salário e muitos trabalhadores com férias programadas, Beto diz que há esperança de crescimento nas vendas para o fim de ano. Tradicionalmente em novembro e dezembro crescem as vendas de automóveis porque, junto às férias e ao 13º, as pessoas procuram melhorar o carro que tem. Por isso estamos otimistas e o mercado pode esperar uma boa recuperação, principalmente em dezembro, expõe. Com a ajuda do produto agrícola temos alguns números melhores do que os nacionais, e também pelo desemprego na nossa região não ser tão acentuado como nos centros, a nossa queda foi um pouco menor do que no âmbito nacional, conclui.

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