Marechal 1,5ºC acima da média

Verão bate recorde histórico de calor na região Oeste e vêm mais dias quentes por aí

Foto: Mirely Weirich

 

Termômetros acima dos 30ºC, tempo seco e clima abafado. Essa é a realidade enfrentada desde o início do verão, que chegou com tudo, emplacando temperaturas recordes em diversas cidades do Paraná e também do Brasil.

Marechal Cândido Rondon, por exemplo, já enfrentava temperaturas elevadas muito antes do início da estação, mas foi no último dia de 2018 (31 de dezembro) que alcançou a maior marca do ano: 36,1ºC. No dia 28 do mesmo mês os termômetros marcaram 34,9ºC, enquanto que a sensação térmica ficou na casa dos 40ºC.

Não bastando as altas temperaturas, o verão também está sendo marcado por baixo índice pluviométrico, o que piora ainda mais a situação e gera preocupação. “Isso acontece devido ao predomínio de uma massa de ar quente, que é típico nessa época do ano, mas que agora está um pouco mais intensa”, declarou o meteorologista do Sistema Meteorológico do Paraná (Simepar), Reinaldo Kneib, à reportagem de O Presente.

Devido à falta de chuva, o tempo está sendo mais seco que o normal e o calor acaba se fazendo mais presente. “Dessa forma, o tempo estável, seco e com sol predomina muito mais do que em um ambiente que tivesse nuvens e chuvas”, comenta.

De acordo com o meteorologista, a ausência de chuvas é sentida não só na região Oeste, mas em todo o Estado.

 

Acima da média

Kneib afirma que as temperaturas registradas na região Oeste estão cerca de 1,5ºC acima da média histórica. “É uma estação quente, mas como não está chovendo, a sequência de dias com temperaturas elevadas está fora do comum”, relata.

Junto do Noroeste e do Litoral, o Oeste desponta como uma das regiões mais quentes do Estado.

Entretanto, apesar do forte calor que vem “castigando” os rondonenses nas últimas semanas, os verões dos últimos anos seguiram a mesma tendência, de acordo com o meteorologista do Simepar. “Os verões de 2014 e 2015 também apresentaram dias com chuvas abaixo da média histórica e com isso as temperaturas ficaram acima da média. E em 2016 o verão também foi muito seco na região”, lembra.

 

Lago de Itaipu

Além de influenciar no clima, a falta de chuvas significativas nos últimos 40 dias também é responsável pela mudança no cenário natural da região. O Lago de Itaipu, por exemplo, vem apresentando uma grande vazão e a redução da água impacta nos balneários da Costa Oeste, que neste período recebem um grande número de visitantes.

Apesar disso, o meteorologista garante que a influência do lago no clima local é muito pequena. Segundo ele, a umidade e até mesmo o calor liberado pelo lago é sentida apenas a algumas centenas de metros da margem.

 

Vem mais calor por aí

O calor e a estiagem não devem dar trégua nos próximos dias. As previsões meteorológicas apontam que as temperaturas devem bater novos recordes e continuarão em torno dos 30ºC. “Vai continuar quente e as temperaturas elevadas vão permanecer. No entanto, se espera que haja uma frequência maior de chuvas no mês de fevereiro, enquanto que janeiro deve terminar com chuvas abaixo da média”, expõe Kneib.

Para fevereiro também se projeta temperaturas mais amenas. Um mês típico de verão: chuvas intercaladas com calor. “A partir de março, massas de ar menos aquecidas passam a atuar na região Oeste, o que deve normalizar as temperaturas”, pontua.

 

Meteorologista Reinaldo Kneib: “Como não está chovendo, a sequência de dias com temperaturas elevadas está fora do comum” (Foto: Divulgação)

 

 

El Niño

Um verão com temperaturas acima da média histórica já era previsto antes do início da estação. O aquecimento é consequência da formação do fenômeno El Niño, que também impacta nos regimes de chuvas em boa parte do Brasil.

De acordo com o Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (CPTEC-INPE), a média histórica de temperatura máxima em todo o Brasil é de 31,5ºC no trimestre (dezembro, janeiro, fevereiro). Esse é o valor que deve ser superado no período.

Caracterizado pelo aquecimento acima do normal da água na superfície do Pacífico Sul e equatorial, o El Niño impacta diretamente no clima global. Conforme projeções climáticas, o fenômeno previsto não deverá ser tão poderoso quanto o evento de 2015-2016, que foi ligado a secas, inundações e o branqueamento de corais em diferentes partes do mundo. Mas, ainda assim, ele pode alterar significativamente os padrões de precipitação e temperatura em muitas regiões, com importantes consequências para a agricultura, segurança alimentar, gestão de recursos hídricos e saúde pública, e pode se combinar com as mudanças climáticas de longo prazo de forma a elevar as temperaturas globais em 2019.

“No Brasil a influência do El Niño em geral é de aumento do volume de chuva no Sul com diminuição do volume no Norte e Leste da Amazônia e na região do semiárido do Nordeste”, diz Kneib. “Também há um aumento da temperatura média no país, com probabilidade de ficar até 2 graus Celsius mais alta, mas isso varia de região para região. Já no Sudeste o El Niño não muda significativamente o volume total, mas aumenta a possibilidade de chuvas intensas”, finaliza.

 

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