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Marechal

Vereador e médico rondonenses esclarecem fatos envolvendo caso de ameaça

Uma denúncia de ameaça envolvendo o vereador rondonense Ronaldo Pohl e o diretor do Hospital Municipal Dr. Cruzatti, Wesley Stantowtz, está repercutindo nas redes sociais desde a noite de segunda-feira (25). Em entrevista concedida à imprensa, na manhã desta terça-feira (26), ambos esclareceram os fatos, cada qual apresentando sua versão dos acontecimentos.

Segundo relatou o vereador, ele estaria na companhia de familiares em um estabelecimento comercial da cidade, quando teria sido ofendido verbalmente pelo médico, utilizando-se de palavras de baixo calão.

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Em seu depoimento, Pohl ainda afirma que o médico, em posse de um facão, o teria ameaçado, fato este que o motivou a acionar a polícia. “Ao questionar o médico do porque ele estava me ofendendo, acreditando que se tratava de um mal-entendido ou um equívoco por parte do mesmo, ele não se deu por convencido e disse que eu não “pagava por esperar”, relata o vereador. Após o episódio, o médico teria saído do local e seguido em direção a uma rua escura. “Nesse momento, por segurança, eu chamei a polícia, disse que havia sido ameaçado e que queria uma viatura para investigar os fatos”, acrescenta Pohl.

Conforme ele, o médico se ausentou por um lado da rua escura e depois retornou, enquanto ele e seus familiares estavam aguardando fora do estabelecimento, do outro lado da rua. “Nesse momento o médico vai até seu veículo, pega um facão e parte para cima de nós. No entanto, a polícia chegou ao local e ele jogou o facão embaixo do veículo”, menciona Pohl.

Por ocasião dos fatos, os dois foram encaminhados à delegacia de Polícia Civil, onde prestaram depoimento.

Agora, para Pohl, resta aguardar o desfecho da polícia. “Não quero polemizar em cima disso. Acho que a classe médica merece respeito, mas acredito que ele não tem condições de ser diretor do Hospital Municipal. Não podemos colocar nossos munícipes na mão de um “ser” que pega um facão e parte para cima de uma pessoa pública”, declara.

 

A motivação dos fatos

Para Pohl, o que teria motivado o desentendimento seria o fato de ele ter apresentado ao Poder Legislativo uma denúncia contra o médico, alegando que o mesmo não estaria cumprindo seu plantão na Unidade de Saúde 24 Horas. “Após receber a denúncia na tarde de um sábado, fui até o 24 Horas, onde realmente constatei que o médico não estava. Sendo assim, encaminhei a denúncia para o Executivo Municipal”, declara o vereador, reiterando que os motivos que pudessem ter feito o médico sair da unidade de saúde não o interessam. “Minha função é apenas investigar”, reitera.

Todavia, em função da denúncia, Pohl apresentou um Projeto de Lei na Câmera de Vereadores, que visa tornar visível a escala de médicos e assim a mesma seria fixada nas paredes das unidades de saúde dos bairros, no 24 Horas e no Hospital Dr. Cruzatti. Na noite de ontem o projeto foi aprovado em segunda votação e agora passa a ser lei no município. Isso, para Pohl, teria contribuído para o desdobramento dos fatos. “A única explicação para o ato de ontem é ele ter ficado revoltado com a denúncia e a aprovação do projeto, que moraliza a Saúde de Marechal Rondon, ou seja, quem estiver com o nome na lista e no referido plantão, vai ter que estar trabalhando”, assegura.

 

O outro lado

Por sua vez, o diretor do Hospital Municipal Dr. Cruzatti se defende das acusações e afirma que a versão apresentada pelo vereador não condiz com a verdade.

Ele conta que na data de ontem havia trabalhado até as 19 horas e, após esse horário, ido para casa e depois a um estabelecimento comercial comprar quatro espetinhos para jantar com sua esposa. Enquanto aguardava a preparação dos mesmos, o médico diz que o vereador teria passado em sua frente e tentado o cumprimentar. “Como já havia antecedentes com ele, e como não sou hipócrita, falei para ele que não precisava me cumprimentar, que não éramos amigos”, relata Stantowtz.

Diante dos fatos, o médico conta que Pohl começou a indagar quem era ele, utilizando a expressão “quem é você na luz do dia?”. Stantowtz responde que o vereador deveria lhe conhecer, já que estaria perseguindo e incomodando. “Estando no estabelecimento eu percebi toda a situação e nisso já chegou próximo de nós mais dois irmãos dele e um terceiro senhor”, descreve, emendando: “Quando vi aqueles quatro homens adultos, mais a esposa dele pedindo para parar com aquilo, eu simplesmente levantei e me retirei do estabelecimento para não causar mais problemas”.

Após pagar a conta, o médico afirma ter se retirado do local, no entanto, não contente com a situação, Pohl teria ido novamente de encontro com ele. “Ele subiu no veículo juntamente com sua esposa, seus dois irmãos subiram em outro e o senhor também subiu em um terceiro carro e então passaram a me perseguir pela rua Santa Catarina”, acusa Stantowtz. Ele ainda descreve em detalhes a situação. “Jogaram o carro em cima de mim e o irmão dele me ameaçou, jogando o carro na calçada. O outro senhor desceu do carro e veio correndo ao meu encontro e eu tive, obviamente, que sair do local, pois estava sozinho contra quatro homens”, detalha.

Afirmando não estar armado e assim não ter como reagir frente as ameaças, o médico disse ter se escondido em um terreno baldio, esperando por alguns minutos até que eles fossem embora. “Quando vou novamente de encontro ao meu carro, que continuava estacionado em frente ao estabelecimento comercial, eles novamente vieram até mim e me ameaçaram”, diz.

Nesse intervalo de tempo, Stantowtz relata que Pohl já havia acionado a polícia. “Ele registrou boletim de ocorrência dizendo que eu o ameacei e que estava com um facão em mãos, mas ele está faltando com a verdade. Não estava armado, se eu estivesse teria revidado e reagido”, ressalta.

Além disso, Stantowtz também afirma que não procede a informação de que ele estaria bêbado. “Estava trabalhando até as 19 horas, e os fatos aconteceram por volta das 20 horas. Como ele pode dizer que eu estava bebendo a noite toda?”, indaga.

Sobre a suposta ameaça de morte, o médico se defende e reforça que em nenhum momento ameaçou quem quer que fosse. “Eu estava sozinho e eles em quatro pessoa. Quem realmente foi ameaçado de morte?”, sugere, acrescentando: “É só perguntar para o dono do estabelecimento comercial ou pegar as filmagens das câmeras de segurança. Quando os policias chegaram eu estava aguardando ao lado do meu caro, não havia nenhuma arma comigo”, enfatiza Stantowtz, alegando que arma que foi encontrada estava debaixo de um caminhão estacionado a frente do seu veículo. “Poderia ser do caminhoneiro ou de sei lá quem, mas minha não era”, alega.

Durante seu relato, o médico ressaltou seu respeito pela vida, mencionando que trabalha como médico há mais de 15 anos. “Ele (Pohl) questionou, devido um problema particular, a minha capacidade profissional e a idoneidade da minha classe profissional nessa cidade. Ele tem que ter respeito pelos médicos da cidade e por aquele homem de respeito e de bem, que paga seus impostos”, finaliza.

 

Nota oficial

Após a ampla repercussão do caso, a administração municipal emitiu parecer público visando esclarecer os fatos que envolvem o médico rondonense.

Confira na íntegra:

Em face dos acontecimentos envolvendo o médico Wesley Stantowtz, a administração municipal rondonense vem a público esclarecer o seguinte:

Os fatos da noite de 25 de setembro não ocorreram durante o exercício do cargo. Portanto, sobre isso o município não tem qualquer motivo para se manifestar, cabendo a apuração às autoridades policiais competentes.

Quanto à denúncia de que o citado médico teria descumprido sua carga horária, no exercício de seu cargo junto aos serviços de saúde do município, a administração municipal instaurou uma comissão de sindicância, cujos trabalhos de apuração foram concluídos em 1º de setembro.

Conforme o Estatuto do Servidor, a suposta falta poderia estar infringindo o artigo 169, inciso I. O artigo 185 determina que, comprovada a falta, o servidor seria passivo de advertência.

No caso em questão, a comissão concluiu que não houve irregularidade, pois o médico tinha autorização de seus superiores para se ausentar, tendo, ainda, solicitado o desconto em seu salário relativo ao período de afastamento, não causando dano ao erário.

Por esses motivos, embasado na apuração da comissão de sindicância, o prefeito Marcio Rauber determinou o arquivamento do caso.

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