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Marechal Plano de enfrentamento

Vírus da febre amarela pode chegar a Marechal Rondon e região até fim do ano

Secretaria de Saúde de Marechal Rondon colocou em prática um plano de ação para imunizar e cadastrar no Sistema de Informações do Programa Nacional de Imunizações (SIPNI) as informações das carteiras de vacinação de pelo menos 95% da população local (Fotos: Leme Comunicação)

 

O vírus da febre amarela pode estar circulante na região da 20ª Regional de Saúde até o fim do ano de 2019.

O alerta é da Secretaria de Saúde de Marechal Cândido Rondon, que, desde a semana passada, colocou em prática um plano de ação para imunizar e cadastrar no Sistema de Informações do Programa Nacional de Imunizações (SIPNI) as informações das carteiras de vacinação de pelo menos 95% da população rondonense – meta estabelecida pela Secretaria de Estado da Saúde (Sesa). “Com base na orientação da Sesa, foi elaborado um plano de enfrentamento à febre amarela em Marechal Rondon, que preconiza o mapeamento do território para mapear os não vacinados e iniciar a estratégia de vacinação extramuro, priorizando a população residente nas áreas rurais, tendo em vista que o vetor da febre amarela é o mosquito que é encontrado em áreas de mata”, expõe a secretária de Saúde, Marciane Specht.

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VÍRUS ESTÁ “CAMINHANDO”

A perspectiva de que a região seja uma provável área com circulação do vírus tem como base um estudo elaborado pela Superintendência de Controle de Endemias (Sucen), de São Paulo, que no ano passado possibilitou o mapeamento das possíveis áreas de dispersão do vírus com base na identificação de macacos infectados.

De acordo com o pesquisador Adriano Pinter, o modelo para entender a dispersão do vírus no Estado de São Paulo foi feito mapeando as áreas onde foram encontrados macacos infectados, pontuando no mapa o local onde ele foi encontrado e a data.

A perspectiva do pesquisador é de que o vírus tem se deslocado de 2,5 a 2,6 quilômetros por dia e, com esse dado, foi possível traçar a data provável da chegada do vírus em alguns pontos de São Paulo, bem como uma série de dispersão espacial e temporal, ou seja, o tempo em que o vírus levou para se deslocar de um fragmento florestal a outro.

Com base neste modelo de dispersão do vírus da febre amarela, a Secretaria da Saúde do Paraná apresentou às Regionais de Saúde o mapeamento das áreas do Estado que podem estar com o vírus em circulação nos meses de março, maio e setembro deste ano, bem como os corredores de propagação, estabelecendo áreas para alta e média prioridade de vacinação e prazos para o cumprimento da meta de cobertura vacinal de 95%.

No Paraná, a primeira morte por febre amarela aconteceu no dia 06 de março, em Morretes, no litoral do Estado. Conforme dados da Secretaria de Estado da Saúde, entre julho de 2018 e março deste ano foram confirmados 13 casos de febre amarela no Paraná e 75 estão em investigação. Os casos ocorreram nas cidades de Antonina, Morretes, Adrianápolis, Campina Grande do Sul, Curitiba, Piraquara e São José dos Pinhais.

 

Secretária de Saúde, Marciane Specht: “Com base na orientação da Sesa, foi elaborado um plano de enfrentamento à febre amarela em Marechal Rondon, que preconiza o mapeamento do território para mapear os não vacinados e iniciar a estratégia de vacinação extramuro, priorizando a população residente nas áreas rurais”

 

CLUBES DE MÃES

O objetivo da Secretaria de Estado da Saúde é aplicar o plano de ação para cobertura nas regiões que seriam as prováveis áreas de circulação do vírus da febre amarela neste primeiro momento, considerando que desde 2018 o Ministério da Saúde ampliou a área de recomendação vacinal para todo o Estado do Paraná, tendo em vista o cenário epidemiológico da febre amarela no país.

Por ser uma região de fronteira, Marechal Rondon já contava com a vacinação da febre amarela no quadro vacinal para a faixa etária dos nove meses até 59 anos. “Com base nas orientações da Secretaria de Estado da Saúde, já colocamos em prática um plano de ação para fazer com que 95% da população esteja vacinada e com a carteira de vacinação registrada no sistema SIPNI, iniciando pela área rural. Para isso, fizemos um levantamento de todas as linhas do interior e, em parceria com a Secretaria de Assistência Social, estamos visitando os clubes de mães para fazer a checagem das carteiras de vacinação e a aplicação de vacina para aquelas pessoas que não estão imunizadas”, explica a enfermeira da Epidemiologia, Franciele A’ Costa Perez.

Apesar de a possibilidade de o vírus passar a circular na região apenas no fim do ano, Franciele declara que a estratégia de vacinação contra a febre amarela uniu-se com a campanha de vacinação contra a gripe nas localidades do interior do município.

De acordo com ela, no dia dos encontros dos clubes de mães, as mulheres que participam dos grupos trazem consigo suas carteiras de vacinação e de seus familiares, quando é feita a checagem da vacinação e o registro no sistema. “Caso alguma pessoa não esteja vacinada, nós fazemos a dose”, frisa.

O início do plano de ação deu-se na área rural porque o vetor da doença, o mosquito Haemagogus e do gênero Sabethes, encontra-se em áreas de mata e necessariamente precisa de áreas silvestres para viver. Já o hospedeiro do vírus, o macaco, também é normalmente encontrado em áreas de mata. “Por isso nosso foco e preocupação maior está em primeiro abranger a população do interior. Depois que o trabalho for concluído na área rural, vamos focar na área urbana”, comenta a enfermeira.

Ainda assim, pontua Franciele, para as pessoas que estão buscando as salas de vacina do município, já está sendo realizada a “carteirinha espelho”, ou seja, é verificado se ela possui a imunização contra febre amarela, quando foi feita e o lote para o registro no sistema. “Esse registro também é muito importante porque há cerca de três anos utilizávamos o sistema próprio do município, porém migramos para o sistema on-line do Programa Nacional de Imunizações, então se a pessoa mudar para outra cidade, eles vão conseguir ter acesso às vacinas que foram feitas aqui. É muito positivo não só em nível municipal, mas também nacional”, declara.

 

Enfermeira da Epidemiologia, Franciele A’ Costa Perez: “Fizemos um levantamento de todas as linhas do interior e, em parceria com a Secretaria de Assistência Social, estamos visitando os clubes de mães para fazer a checagem das carteiras de vacinação e a aplicação de vacina para aquelas pessoas que não estão imunizadas”

 

DOSE ÚNICA

No passado, a vacina contra a febre amarela era feita de dez em dez anos. Hoje, no entanto, Franciele frisa que a recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS) é de que apenas uma dose já é suficiente para a imunização. “As crianças recebem a vacina aos nove meses porque faz parte do quadro vacinal dos recém-nascidos, então a maioria da população abaixo dos 30 anos tem todas as vacinas”, considera. “Entretanto, caso a pessoa não tenha a carteira de vacinação, a indicação é que faça a vacina e guarde a carteira de vacina, que é um documento que precisa ser mantido em bom estado, assim como identidade ou carteira de trabalho”, orienta a profissional.

A secretária de Saúde diz que se alguma pessoa, por qualquer motivo, não quiser fazer a vacina, será preciso assinar um termo de recusa. “Esse procedimento é necessário porque se o município for questionado pelos órgãos competentes, poderemos comprovar que a tentativa de vacinar e fazer a busca ativa da população foi realizada, mas sem o consentimento da pessoa nós não podemos fazer a vacinação”, enfatiza Marciane.

 

O Presente

 

Perspectiva da pesquisa da Superintendência de Controle de Endemias (Sucen) de São Paulo é de que o vírus da febre amarela tem se deslocado de 2,5 a 2,6 quilômetros por dia (Foto: Divulgação)

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