O ano epidemiológico 2020/2021 da dengue terminou no início deste mês com o total de 27.889 casos confirmados e 32 óbitos em decorrência da doença no Paraná. Os dados, conforme a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), apresentaram melhoras se comparados ao ano epidemiológico 2019/2020: os casos registrados diminuíram 87,7% enquanto o número de óbitos passou de 177 para 32, redução de 81,9%. Dos 399 municípios paranaenses, 111 não tiveram nenhum registro de dengue, ou seja, 288 tiveram casos da doença.
20ª Regional de Saúde
Os 18 municípios que compõem a 20ª Regional de Saúde, sendo eles Assis Chateaubriand, Diamante d’Oeste, Entre Rios do Oeste, Guaíra, Marechal Cândido Rondon, Maripá, Mercedes, Nova Santa Rosa, Ouro Verde do Oeste, Palotina, Pato Bragado, Quatro Pontes, Santa Helena, São José das Palmeiras, São Pedro do Iguaçu, Terra Roxa, Toledo e Tupãssi, tiveram ao menos um caso confirmado de dengue, entre agosto de 2020 e 31 de julho de 2021. Por outro lado, a 20ª Regional não computou nenhum óbito em decorrência da doença.
Ao todo, a 20ª Regional de Saúde registrou 1.677 casos de dengue e uma incidência média, por 100 mil habitantes, de 377 no último ano epidemiológico.

(Arte: O Presente)
Análise regional
Da 20ª Regional de Saúde, Mercedes apresentou o maior número de casos no último ano epidemiológico, com 624 diagnósticos, sendo que 19 pacientes tiveram dengue com sinais de alerta (DSA). O município atingiu incidência superior a 11 mil a cada 100 mil habitantes.
Santa Helena ocupou o 2º lugar dentre os municípios com mais casos confirmados de dengue no último ano epidemiológico, sendo 350 diagnósticos, porém sem DSA ou dengue grave (DG). A incidência chegou a 1,034.
Em 3º lugar, com 293 casos registrados de dengue, aparece Pato Bragado, que atingiu incidência de 4,8 mil, índice superior ao de Santa Helena. Os três municípios decretaram epidemia de dengue.
Já os municípios da 20ª Regional que menos registraram casos de dengue foram Tupãssi (um caso), São Pedro do Iguaçu (um caso) e São José das Palmeiras (dois casos).
Marechal Rondon
Sessenta e sete casos de dengue foram registrados em Marechal Rondon no ano epidemiológico anterior, numa incidência de 82,09 a cada 100 mil habitantes. Deste total, 41 foram autóctones. “Neste ano epidemiológico não tivemos registro de óbitos pela doença”, comenta a coordenadora do Setor de Endemias, Solange Terezinha Rohr, emendando que abril de 2021 foi o mês com mais casos positivos, enquanto agosto de 2020 teve menos diagnósticos no último ano epidemiológico.
Segundo ela, os subtipos virais que circulam em Marechal Rondon são o um e o dois. “Existem quatro tipos do vírus da dengue, DEN-1, DEN-2, DEN-3 e DEN-4. É o mesmo tipo de vírus, mas com quatro variações que causam os mesmos sintomas. Se o indivíduo já teve dengue de um destes tipos não pega novamente do mesmo. Por exemplo, quem já teve dengue do tipo um, só tem de novo se a doença for causada pelos tipos dois, três ou quatro”, explica.

Coordenadora do Setor de Endemias de Marechal Rondon, Solange Terezinha Rohr: “Existem quatro tipos do vírus da dengue. Se o indivíduo já teve um destes tipos não pega novamente do mesmo subtipo. Por exemplo, quem já teve dengue do tipo um, só tem de novo se a doença for causada pelos tipos dois, três ou quatro” (Foto: Divulgação)
Índices menores
No penúltimo ano epidemiológico – 2019/2020 – Marechal Rondon declarou estado de epidemia de dengue, o que não aconteceu em 2020/2021. “Os dados deste ano mostram índices menores de casos suspeitos e confirmados de dengue. Podemos considerar dois fatores: a pandemia da Covid-19 e também as medidas sanitárias”, expõe Solange. “Foi um ano complicado. Viemos de uma epidemia de dengue e vimos dO coronavírus, que gerou restrições e dificultou o trabalho. Mesmo assim, fizemos o possível para que as atividades diárias fossem realizadas da melhor maneira”, destaca.
Acompanhamento
O Levantamento Rápido de Índices para Aedes aegypti (LIRAa), realizado a cada 60 dias, também foi fundamental para que os números da dengue fossem controlados, afirma a coordenadora. “O acompanhamento do LIRAa identifica quais regiões necessitam de um trabalho mais intensivo, com ações envolvendo a sociedade, o Poder Público e a conscientização da população. Isso foi importante para que não entrássemos em epidemia novamente”, enaltece, acrescentando que as ações de vigilância são realizadas a cada ano e intensificadas em períodos chuvosos e quentes.
A população, menciona Solange, tem feito a sua parte no que diz respeito às medidas de prevenção à disseminação do mosquito transmissor da dengue. “Contamos com o apoio da administração municipal e da sociedade civil organizada, como clubes de serviço e a Acimacar (Associação Comercial), para a realizar muitas ações, inclusive arrastões nos fins de semana”, enaltece.
O último relatório do LIRAa aconteceu em julho e apresentou resultado de 0,4%, dentro do índice preconizado pelo Ministério da Saúde, que é abaixo de 1%. “As regiões do extrato 3 e extrato 5 foram as com maior nível de infestação”, menciona Solange.
Do extrato 3 fazem parte os bairros Ana Paula, São Lucas e Torres. Já o extrato 5 compreende os bairros Primavera, Higienópolis, Augusto e Barcelona.
Dengue e coronavírus
O coronavírus possui alguns sinais “populares” que se assemelham a sintomas presentes na gripe e também na dengue. “A dengue e a Covid-19 apresentam alguns sintomas semelhantes, por isso é necessário buscar atendimento médico especializado. Em relação à forma de contágio, apresentam-se de forma diferentes”, compara Solange.
Ela ressalta que se os cuidados para evitar a procriação do mosquito transmissor da dengue são contínuos e diários, há diminuição de criadouros e, consequentemente, menos casos da doença. “Auxilia também no combate ao coronavírus, uma vez que previne que os sintomas sejam confundidos”, considera.
2021/2022
Neste novo ano epidemiológico da dengue, Marechal Rondon registrou sete notificações da doença. Nos municípios que compõem a 20ª Regional de Saúde nenhum caso de dengue foi positivado até o momento.
“As vistorias seguem sendo realizadas, obedecendo as medidas sanitárias devido à pandemia de coronavírus. Em decorrência do período de poucas chuvas, o clima favoreceu e a presença de focos do mosquito diminuiu. Todavia, não podemos ser relapsos e descuidar. É preciso fazer as tarefas diárias em relação às águas paradas. Somente assim podemos evitar uma nova epidemia de dengue”, evidencia a coordenadora.
O Presente