Com o intuito de planejar a retomada das aulas na Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), a Pró-Reitoria de Graduação (Prograd) encaminhou à comunidade acadêmica em maio um questionário a fim de conhecer a realidade de estudantes e professores nesse momento de pandemia de Covid-19.
O principal objetivo foi avaliar a existência de infraestrutura básica que possibilite desenvolver algum tipo de atividade de ensino remoto utilizando conexões de internet e plataformas interativas (softwares de comunicação).
De acordo com a Unioeste, 73,17% dos acadêmicos e 70,58% dos docentes responderam à pesquisa, a qual apurou que 92% dos discentes declararam ter computador e 95% conexão de internet domiciliar. Além disso, 60% consideram ter boas condições domiciliares para acompanhar as atividades.
Atualmente, a Unioeste tem 9.265 discentes matriculados no nível de graduação. Destes, 6.779 responderam ao questionário (27% não responderam).
A universidade conta com 1.210 docentes, sendo 1.001 estatutários,
119 afastados, 830 têm TIDE, 183 são RT-40 e os demais apresentam carga horária menor que 35 horas. Nessa pesquisa, 854 docentes responderam ao questionário.
RESPOSTAS DOS ACADÊMICOS
O estudo foi subdividido segundo as seções: moradia atual e transporte, meios tecnológicos e internet, ensino durante a pandemia, renda na pandemia e comorbidades.
Sobre o tópico moradia atual e transporte, 58,41% dos acadêmicos responderam que residem na cidade onde estudam e 10,24% que vivem na área rural. Quanto ao meio de transporte, 24,37% utiliza transportes coletivos para poder frequentar as aulas presenciais, sendo que 16,51% não têm acesso ao transporte durante a pandemia.
No quesito aparelhagem de acesso à internet, 92,08% dos discentes responderam ter computador e/ou tablet e 97,73% smartphones; destes, 67,55% têm aparelhos individuais. Em relação à conectividade, 30,14% utilizam dados móveis e 95,37% têm internet domiciliar, sendo que 72,68% classificam a qualidade da conexão como boa e 24,3% como ruim.
Em termos de plataformas que poderiam ser utilizadas, o Skype se destacou com o maior número de usuários, cerca de 56,68%. Os estudantes comentaram sobre dificuldades de concentração e na instabilidade da conexão, principalmente ao utilizar essas ferramentas.
AULAS REMOTAS
Quando perguntados a respeito da possibilidade de aulas remotas, 57,57% dos acadêmicos disseram preferir aguardar as aulas presenciais. No que diz respeito aos formandos, a maior parte destes declarou preferir retornar às atividades acadêmicas de forma remota. Sobre o índice de participação em caso de aulas remotas, 81,6% dos estudantes afirmaram poder participar de metade ou mais das atividades da graduação e 5,16% responderam não poder participar de nenhuma. Já no que tange às condições de estudo em casa, 60,3% expuseram ter um ambiente bom e propício e 91,13% dos discentes não pretendem desistir dos estudos, devendo retornar quando as aulas recomeçarem.
Quanto a questões de renda, 8,69% dos alunos que responderam ficaram desempregados e 30,3% tiveram a condição financeira piorada. Em relação às comorbidades que levam ao agravamento de pacientes de Covid-19, 33,69% dos discentes têm alguma enfermidade e 55,08% possuem familiares nesse perfil.
RESPOSTAS DOS PROFESSORES
Em relação ao questionário dirigido aos professores, este foi subdividido segundo as seções: atividades de home-office e dificuldades, recursos tecnológicos utilizados; cursos e trabalhos on-line durante a carreira, ensino durante a pandemia e comorbidades.
Mais da metade do corpo docente da universidade tem se envolvido em atividades acadêmicas, sendo que 92,97% estão participando de reuniões remotas, 84,43% de pesquisas, produção e/ou avaliação de artigos científicos, 79,74% como ouvintes em cursos e/ou palestras on-line; 78,81% prestam orientações a alunos, 69,91% produzem/preparam material didático e aulas, 54,57% desenvolvem projetos de ensino ou extensão, 26,58% ministram aulas remotas na pós-graduação e 12,88% na graduação.
Sobre as dificuldades encontradas se destacam a internet de má qualidade, com 40,28%, ausência de registro das atividades com 34,66%, pouca disponibilidade em decorrência de demanda familiar com 32,9% e falta de ambiente adequado para realizar as atividades com 30,56%. Já 98,24% utilizam alguma das plataformas e/ou programas disponíveis para comunicação remota e 16,16% afirmam não ter dificuldades no manuseio.
Sobre questões de cursos e trabalhos on-line realizados durante a vida docente, 77,7% não possuem curso didático sobre isso, mas, em contrapartida, apenas 8,2% disseram nunca ter participado de atividades on-line com cursos, palestras, aulas, entre outras atividades.
Quando o tema é aula, 69,17% dos professores preferem retornar com aulas remotas, sendo que 46,24% disseram ter disciplinas que poderiam ser ministradas on-line e outros 37,44% alegaram poder ministrar parcialmente on-line suas disciplinas. Sobre a possibilidade de retorno com aulas remotas, 18,26% declararam estar com as práticas docentes preparadas, enquanto o restante disse precisar de auxílio e formação no preparo dos equipamentos.
CAMPUS DE MARECHAL RONDON
No curso de Administração do campus de Marechal Cândido Rondon, de 156 acadêmicos matriculados, 69,87% responderam ao questionário. Destes, 39,1% preferem aguardar o retorno das aulas presenciais, mas, em contrapartida, caso as atividades fossem retomadas de maneira remota, 54,49% afirmaram que poderão participar de metade ou mais das atividades e 68,2% dos estudantes de Administração pretendem retornar quando as aulas forem retomadas.
No curso de Agronomia do campus rondonense, 80,81% dos 198 estudantes da graduação responderam à pesquisa, sendo que 49,49% dos acadêmicos preferem esperar por aulas presenciais, mas se as aulas acontecerem remotamente, 59,6% disseram conseguir participar. Setenta e três por cento dos acadêmicos de Agronomia não pretendem desistir dos estudos.
No curso de Ciências Contábeis, dos 177 alunos matriculados, 71,19% do total responderam ao questionário. Trinta e cinco por cento dos acadêmicos disseram preferir aguardar o retorno das aulas presenciais, contudo, 67,23% responderam poder frequentar as aulas remotas, se for o caso. Sessenta e seis por cento dos estudantes de Ciências Contábeis pretendem retornar ao curso após a retomada das aulas.
Dos 199 discentes matriculados no curso de Direito do campus de Marechal Rondon, 78,39% responderam à pesquisa. Destes, 41,21% preferem aguardar o retorno das aulas presenciais. Caso haja aulas remotas, 69,35% dos estudantes disseram que participarão de metade ou mais das atividades. Sobre a retomada dos estudos, 75,88% não pretendem desistir.
No curso de Educação Física Bacharelado, 75,18% dos 141 estudantes matriculados responderam à pesquisa. Destes, 42,55% declararam preferir aguardar o retorno das aulas presenciais. Em caso de aulas remotas, 66,67% disseram poder participar de metade ou mais das atividades propostas. Em relação a desistir, 70,92% não pretendem abandonar o curso.
Já no curso de Educação Física Licenciatura, dos 112 discentes matriculados, 77,68% participaram da pesquisa. Grande parte dos alunos, 41,07%, prefere aguardar o retorno das aulas presenciais, ainda que 61,61% tenham condições de frequentar metade ou mais das atividades remotas. Sessenta e seis por cento não pretendem desistir da graduação.
Setenta e um por cento dos 80 estudantes de Geografia da Unioeste rondonense participaram da pesquisa. Destes, 53,75% preferem aguardar as aulas presenciais, mas, em caso de aulas remotas, 53,75% disseram poder participar das atividades. Sessenta e seis por cento dos estudantes responderam pretender retornar à universidade quando as aulas forem retomadas.
No curso de História, 58,7% dos 184 estudantes matriculados responderam ao questionário, sendo que 46,74% disseram preferir esperar por aulas presenciais. Em caso de aulas remotas, 41,3% dos acadêmicos declararam poder participar de metade ou mais das atividades. Cinquenta e três por cento dos alunos não pretendem desistir do curso.
Oitenta por cento dos 126 estudantes de Letras responderam à pesquisa. Destes, 40,48% disseram que preferem aguardar as aulas presenciais, contudo, 64,29% declararam poder participar de metade ou mais das atividades remotas caso aconteçam. Setenta e um por cento dos discentes disseram pretender retornar à universidade.
No curso de Zootecnia, 83,22% dos 143 estudantes responderam ao questionário. Destes, 56,64% disseram preferir aguardar aulas presenciais. Em caso de aulas remotas, 58,74% declararam poder participar de metade ou mais das atividades remotas. Setenta e quatro por cento não pretendem desistir da graduação.
Os dados da pesquisa podem ser consultados em https://www5.unioeste.br/portalunioeste/prograd/comunidade/interna/academico/dados-e-estatisticas/pesquisa-com-docentes-e-discentes.
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