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Acadêmico da Unioeste calcula potencial energético em aterro sanitário

Foto: Divulgação

Os aterros sanitários são sistemas para tratamento de resíduos sólidos urbanos (RSU). O lixo de nossas residências, metade é biodegradável e necessita de tratamento para ser descartado e pode ser aproveitado economicamente, pois produz diversos gases e matéria orgânica. Um desses gases, é o biogás, muito semelhante ao gás de cozinha, composto por metano (CH4), dióxido de carbono (CO2), e uma pequena porcentagem composta por gás sulfídrico, monóxido de carbono, nitrogênio, oxigênio e outros.

Estudos comprovam que o metano é cerca de 21 vezes mais nocivo que o dióxido de carbono. Assim, foi constatado que queimar o biogás seria melhor que deixar na natureza. Por isso, o gás necessita ser queimado ou melhor que isso, pode se transformar em energia elétrica em motores geradores a gás, que atualmente é injetada na rede e pode ser utilizada em escolas, creches, hospitais e demais edifícios públicos.

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Nos anos de 2012 e 2013, em sua proposta de conclusão de curso, o acadêmico Abel Alves de Souza, orientado pelo professor Samuel Nelson Melegari de Souza, analisaram o potencial de emissão de biogás de célula já finalizada do aterro sanitário municipal de Cascavel – PR.

Segundo estudos, metade da população mundial vive nas cidades e são responsáveis por cerca de 70 a 80% das emissões de gases estufa de todas as naturezas, inclusive com seus RSU. Esse mesmo estudo informa que essa população também consome dois terços da energia primária, sendo notória a necessidade em tratar o RSU e produzir energia limpa.

 

O PROCESSO

O RSU é depositado no aterro sanitário e tem inicialmente sua decomposição por meio aeróbio, que ocorre comumente logo após a inserção do material; após o esgotamento de oxigênio, acontece a decomposição anaeróbia, caracterizando o aterro como um reator biológico. O aluno Abel explica que “a produção de biogás no aterro é dependente das reações químicas que o meio possibilita, sendo influenciada por fatores como percentual de oxigênio, disponibilidade de nutrientes, pH, temperatura e da taxa de decomposição do material”.

Os dados foram obtidos no decorrer dos anos de 2012 e 2013 no aterro municipal de Cascavel, localizado entre as nascentes do Rio Boi Piguá e do Córrego são José, sub-bacia do Rio azul, afluente da margem esquerda do Rio Piquiri; com latitude 24º51’04 Sul, longitude 53º29’08” Oeste e altitude média de 670 m. O clima da região é subtropical úmido com temperatura média de 19 oc. A área do município destinada ao aterro sanitário compreende 237.800 M2, porém concentrou-se o estudo em parte desta área, em células já devidamente preenchidas e prontas.

As células em estudo, iniciaram o trabalho em maio de 2003 e receberem até outubro de 2011 em média 225 toneladas por dia de resíduos domiciliares que se enquadram na classe IIA, conforme a NBR 10004.

O estudo da vazão de biogás nas células já finalizadas do aterro municipal de Cascavel, mostrou uma vazão expressiva para os dois anos de medição. Em 2012, a vazão medida foi 378,3 m3 por hora; em 2013 a vazão de biogás foi 315,8 m3 por hora, 19,8% menor em relação a medida no ano anterior, assim como o esperado pela literatura. O que corresponde a um potencial de geração de 600 kW, o que daria para suprir energia para 3600 residências unifamiliares, considerando-se um consumo mensal de 100 kWh/residência. Isso mostra que a utilização deste potencial é expressiva.

 

Com assessoria

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