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Acadêmico que não se vacinar vai arcar com testes semanais, afirma reitor da Unioeste

(Foto: Divulgação)

Enquanto outras universidades postergaram a data de início das aulas presenciais em 2022 devido ao aumento do número de casos de Covid-19, com a disseminação da variante Ômicron, a Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste) segue avaliando o cenário epidemiológico. “Precisamos ver na semana que vem como vai estar a situação, mas, a princípio, está prevista a volta de todos os cursos presencialmente no dia 24”, declarou ao O Presente o reitor Alexandre Webber.

Segundo ele, os estudantes precisarão anexar junto ao sistema da universidade o comprovante de vacina nos primeiros dias de aulas presenciais. “Se não se vacinou, o discente vai ter que arcar com exames PCR semanalmente ou até que complete o esquema vacinal. O acadêmico que não cumprir com os procedimentos terá a matrícula trancada para o ano letivo vigente”, expõe. Conforme a ordem de serviço nº 001/2022, que será publicada hoje (14), serão cobradas apenas primeiras e segundas doses.

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Em entrevista ao O Presente, o reitor fez considerações acerca da Lei Geral das Universidades (LGU), falou sobre evasão, mudanças no restaurante universitário (RU), planejamento para 2022 e outros assuntos. Confira.

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O Presente (OP): No próximo dia 24 voltam as aulas da Unioeste, em continuidade ao primeiro semestre do ano letivo de 2021. No campus de Marechal Cândido Rondon, todos os cursos devem voltar presencialmente. Como será o retorno nos demais campi da universidade?

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Alexandre Webber (AW): Para dia 24 de janeiro está previsto o retorno de todos os cursos presencialmente. Estamos acompanhando o aumento de casos e, até agora, o acompanhamento não tem demonstrado um aumento de internamentos. Ainda precisamos ver na semana que vem como vai estar a situação, mas, a princípio, está prevista a volta de todos os cursos da universidade presencialmente no dia 24.

 

OP: Os casos de Covid-19 voltaram a aumentar neste início de 2022. É possível que o avanço das infecções impeça o retorno das aulas presenciais ou a vacinação garante essa retomada?

AW: Vemos no mundo e também no Estado o aumento da contaminação, mas até o presente momento não temos visto um aumento de internamentos. Estou acompanhando diariamente o número de internações na UTI (unidade de terapia intensiva) no Hospital Universitário. Este é um balizador muito forte, porque foi o primeiro a instalar ala Covid. Em todo caso, quem falar que tem certeza de alguma coisa quanto ao coronavírus está mentindo. Estamos acompanhando e a qualquer risco de explosão de casos pode ser que as aulas retornem remotamente. Aos poucos voltamos às aulas presenciais em 2021, mas continuamos com o sistema remoto a postos, porque pode acontecer a paralisação de uma turma, curso ou campus, e nesse caso as aulas voltam para o remoto. Precisamos ver essa semana e semana que vem como a situação vai transcorrer. Até o momento não está aumentando o número de internamentos em relação ao coronavírus, o que dá a entender ser resultado da vacinação. Mas é prematuro ainda fazer uma análise definitiva.

 

OP: A Unioeste é uma das universidades do Paraná que cobrará passaporte de vacina da comunidade acadêmica. Como a cobrança vai funcionar?

AW: A Pró-reitoria de Graduação elaborou uma instrução de serviço sobre como vai acontecer essa cobrança. O aluno vai ter um prazo no começo para apresentar o comprovante via sistema. Se não se vacinou, o discente vai ter que arcar com exames PCR semanalmente ou até que complete o esquema vacinal. O acadêmico que não cumprir com os procedimentos terá a matrícula trancada para o ano letivo vigente.

 

OP: A cobrança do comprovante de vacinação aconteceu no início do ano letivo de 2021? Se sim, como foi a adesão da comunidade acadêmica?

AW: No início do ano letivo de 2021 foi pedido essa comprovação, mas, como a faixa etária de alguns alunos ainda não estava no cronograma para a segunda dose, a cobrança não foi rigorosa. Não tivemos nenhum indicativo de acadêmico que não quis se vacinar dos cursos que voltaram presencialmente. Agora vamos ter um rigor maior nessa cobrança, porque é preciso pensar no coletivo.

 

OP: Depois de quase dois anos de pandemia, aulas suspensas, aulas remotas e híbridas, como estão os índices de evasão na Unioeste?

AW: A evasão é um problema crônico por vários fatores. A pandemia auxilia neste processo, mas não por si só. Não temos dados para informar se isso se agravou muito com a pandemia. No ano passado fizemos um esforço muito grande tanto após o vestibular quanto nas inscrições. Tivemos várias vagas sobrando e fizemos um novo programa, conseguindo uma ocupação surpreendente das vagas iniciais. Remodelamos também a resolução para ocupar as vagas de desistência por meio de transferências e, assim, também ocupamos uma série de vagas.

 

OP: Qual é o planejamento da Unioeste para este ano que se inicia? Há alguma novidade?

AW: Todos os campi da Unioeste se prepararam para receber os alunos e estamos prontos também para, se preciso for, retornar ao ensino remoto, parcial ou totalmente. O sistema remoto continua pronto e preparado, mas estamos trabalhando para conseguir retornar à normalidade e ter nossos alunos dentro da universidade, claro, com os cuidados adicionais. A universidade está extremamente atuante e temos grandes desafios pela frente. Ainda no primeiro semestre deste ano temos a tarefa de aprovar o regimento do Hospital Universitário. Temos também que rediscutir o regimento da universidade e já fizemos o primeiro passo, que foi a definição de regras para os nossos núcleos. A partir disso, continuamos com as discussões internas de regimento e implantação de protocolos, o que eu acho muito importante para agilizar e reduzir o papel da universidade. Será um ano de discussões internas e ajustes para que a universidade esteja cada vez mais presente na sociedade e para que a sociedade cada vez mais se orgulhe da luta que teve no passado para criar a Unioeste. Tenho plena convicção de que cada vez mais a sociedade percebe e perceberá a importância da universidade ao desenvolvimento da nossa região.

 

OP: De que maneira a Lei Geral das Universidades (LGU), já aprovada, deve interferir na organização das universidades paranaenses? Algum projeto em curso da Unioeste será afetado?

AW: Na semana que vem teremos a primeira reunião dos reitores em Curitiba e na outra semana uma reunião de uma comissão para levantamento de dados. Existe ainda uma transição e precisamos saber como vai funcionar para internamente ir trabalhando com isso. Alguns aspectos da LGU serão implantados gradativamente durante quatro anos, mas da maneira que está nada em andamento deve ser afetado na Unioeste. Claro, vamos verificar algumas questões internas. Depende de como a LGU vai ser implantada.

 

OP: Como está o orçamento da universidade para 2022? Que mudanças na distribuição orçamentária das universidades estaduais a LGU deve gerar?

AW: Se a vigência da LGU começar neste ano, a universidade terá um avanço na questão de custeio, mesmo que só um quarto do aumento seja incrementado neste primeiro momento. Em relação a custeio e agentes universitários, com a possibilidade de abrir concursos, há um grande avanço. Na questão de professores, a LGU traz alguns ajustes e precisamos ainda compreender qual vai ser o impacto disso, se vai ser feito gradativamente e como faremos essas mudanças ao longo dos próximos quatro anos. É preciso verificar a carga horária de todos os cursos e sua distribuição, mas pretendemos fazer essa análise baseada na qualidade. Vamos pontuar os três cursos de universidades públicas mais bem avaliados no Brasil e comparar se não temos grandes discrepâncias. Pretendemos fazer isso com calma, com discussão interna e organização dos ajustes necessários. Houve uma liberação de orçamento atípica no final do ano, o que nos deu certa tranquilidade. As despesas principais da universidade, como terceirização, luz e água, já estão com o orçamento garantido para os primeiros três meses deste ano. Isso nos dá tranquilidade para estar com as contas em dia enquanto houver a discussão da LGU, porque não precisa sair no início do ano correndo atrás de custeio para pagar despesas básicas.

 

OP: Os preços no restaurante universitário (RU) para os acadêmicos devem ser reajustados para quanto em 2022?

AW: No final do ano aprovamos uma resolução que até então não tínhamos para os restaurantes universitários da Unioeste. Aprovamos no Conselho de Assistência Estudantil e no Conselho Universitário, com a participação dos acadêmicos. Nossos RUs precisam ter estabilidade e não dá para ficar todo ano tendo reajuste no valor pago à empresa e o valor do aluno não ser reajustado. Fizemos um levantamento dos RUs das universidades estaduais e vimos que havia uma discrepância muito grande do valor cobrado na nossa e nas demais. Então, ficou definido um valor inicial de R$ 4, sendo que antes era R$ 2,50, e o atendimento foi estendido para os alunos da pós-graduação, o que antes não acontecia. Também nesta resolução consta que alunos carentes que tiverem Cadastro Único podem solicitar que o valor de antes fique mantido.

 

OP: De que maneira as eleições devem interferir nos trabalhos da Unioeste?

AW: Acredito que as eleições não devem interferir em nada na Unioeste, porque o orçamento está aí com suplementações. No dia a dia isso não afeta a universidade, só em algumas questões de convênios federais que a instituição se prepara para que não sejam afetados.

Reitor Alexandre Webber: “Nossos RUs precisam ter estabilidade e não dá para ficar todo ano tendo reajuste no valor pago à empresa e o valor do aluno não ser reajustado” (Foto: Arquivo/OP)

 

O Presente

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