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Alojamento menor de aves e suínos e repasse ao consumidor não são descartados

calendar_month 15 de julho de 2021
4 min de leitura

No time dos cautelosos, o presidente da Cooperativa Agroindustrial Lar, Irineo Costa Rodrigues, considera prematuro fazer estimativas de perdas da safrinha. “Seria um mero chute”, pontua. No entendimento dele, é preciso aguardar as primeiras colheitas para avaliar a produção e, além disso, a qualidade do milho colhido.

O clima seco e sem chuvas tido atualmente é, na opinião do líder cooperativista, um ponto positivo para a safrinha. “É muito difícil opinar sobre a efetiva perda nesse mês de julho. Isso deve ser possível pela metade de agosto, porque aí vai ser colhido o milho que mais sofreu com a geada e deve ter tido a qualidade dos grãos comprometida, além do volume”, menciona.

 

“NÃO COGITAMOS DESABASTECIMENTO”

Ao O Presente, Rodrigues diz que, caso houvesse dependência do mercado somente pela safra brasileira, pela segunda safra, poderia faltar milho no mercado interno. Contudo, ele afirma que não existe essa exclusividade no abastecimento. “Já existe uma continuidade na importação de milho da Argentina por parte de grandes companhias. Também virá milho do Paraguai, assim que a colheita iniciar no país vizinho. A safra americana está se desenvolvendo e, se for boa e o dólar não estiver tão elevado, deve se viabilizar a importação de lá”, opina.

Nessa perspectiva, o presidente da Lar não cogita o desabastecimento, posto que a cooperativa será abastecida por alguma frente, seja pela Centro-Oeste ou seja por importação.

Ele alega que há tempo para que as coisas se ajeitem. “Desde que venham chuvas mais cedo que no ano passado, pelo mês de agosto, há incentivo ao milho de verão, o que ajudaria no abastecimento. Se plantado em setembro, a colheita se dá no mês de janeiro. Tudo pode ir se arrumando no andar da carruagem”, afirma.

 

QUALIDADE ADEQUADA

Considerando a cooperativa Lar, o presidente afirma que não há nenhum “apavoro” diante da situação. “Inclusive, já adquirimos um pouco de milho do Mato Grosso e pode vir também de Goiás; é preciso que venha, porque vem com mais qualidade. Além disso, o trigo colhido com qualidade comprometida para pão, por exemplo, pode virar ração para os animais”, expõe.

Para que seja possível utilizar o milho local, acometido pela estiagem e pelas geadas, o presidente da Lar ressalta que é preciso que o grão apresente uma qualidade adequada. “Um milho com qualidade comprometida não serve para todas as partes da nossa criação, como, por exemplo, as matrizes gestantes ou em lactação da suinocultura”, salienta.

 

ALOJAMENTO MENOR

Apesar de refutar a possibilidade de desabastecimento, Rodrigues vê o encarecimento da produção como algo certeiro. “Havendo um encarecimento muito forte, pode haver uma diminuição de produção por meio de um alojamento menor. Também pode ser preciso fazer um repasse do preço do frango ao consumidor”, enaltece.

Segundo ele, “não existe milagre” e as companhias não vão suportar o prejuízo por um período muito longo. “A atividade já está no vermelho e uma hora isso tem que parar, porque se não compromete a vida das empresas. Como se diminui o prejuízo? Produzir menos, alojar menos frango e quem sabe menos suínos, menos ovos comerciais, mas o repasse do preço também”, pontua, emendando: “Não vai haver o crescimento da produção de suíno e frangos no Paraná por um ano. Todas as empresas tinham perspectivas de crescimento e estávamos crescendo, mas isso não vai acontecer dentro de um ano. Deve reduzir a produção, mas nada significativo”, observa.

 

SENSO DE DEFESA

Sobre possíveis prioridades diante da diminuição da produção, Rodrigues alega que, como produtora, o papel da cooperativa é se defender nesses momentos, optando pelo mercado que melhor remunerar, seja ele externo ou interno. “Não nos cabe fazer políticas de abastecimento e nunca se pode prejudicar o exportador. A Argentina e outros países estipularam isso, mas fazer as empresas atenderem ao mercado interno em detrimento de um resultado financeiro melhor para reduzir o prejuízo é um tiro no pé. Quebra as empresas, desestimula a produção e o consumidor sofre quando faltar alimentos”, salienta.

Ele diz, por outro lado, que também os compromissos no mercado externo existem dentro de uma viabilidade financeira. “O jogo é bruto e é preciso resolver os problemas para não comprometer a viabilidade econômica da empresa, visto que os empregos precisam continuar girando no país”, finaliza.

 

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