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Base Cobra se mostra eficaz no desmanche da logística de criminosos na fronteira

calendar_month 21 de julho de 2020
5 min de leitura

O Corpo de Operações de Busca e Repressão Aquática (Cobra) do Batalhão de Polícia de Fronteira (BPFron) opera na antiga Base Náutica de Entre Rios do Oeste desde dezembro de 2019, quando as instalações foram cedidas à Polícia Militar do Paraná pela Itaipu Binacional após anos de abandono.

Desde então, o local passou a ser chamado de Base Cobra e tem se mostrado um ponto de apoio eficiente na logística operacional das incursões aquáticas dos policiais no Lago de Itaipu e no Rio Paraná, contra os crimes transfronteiriços.

No primeiro semestre deste ano o Cobra apreendeu 33 embarcações, quase o dobro do mesmo período do ano passado, quando 18 barcos que transportavam produtos ilícitos foram retirados de circulação.

O pelotão também é o responsável pela apreensão de 800 mil pacotes de cigarros contrabandeados do Paraguai, além de inúmeros outros produtos e bens utilizados para o transporte de ilícitos.

 

DESMANCHE DA LOGÍSTICA

De acordo com o comandante do BPFron, major André Dorecki, o Pelotão Cobra desempenha um papel fundamental para o desmanche da logística dos criminosos, pois com as drogas e os cigarros, por exemplo, acontecem apreensões das embarcações usadas no transporte. “Isso faz com que a logística do crime organizado sofra uma perda, porque ele terá que tentar repor isso para continuar a movimentação ilegal dele”, afirma.

Segundo Dorecki, as operações acontecem de forma integrada com o Comando de Operações Especiais (COE) da Polícia Militar e com as equipes do Núcleo Especial de Polícia Marítima (Nepom) da Polícia Federal de Guaíra. “A integração possibilita as ações tanto no Lago de Itaipu como também na região ribeirinha, que é onde normalmente os traficantes e contrabandistas tentam desembarcar suas cargas para depois transportá-las para dentro do país”, destaca.

Comandante do BPFron, major André Dorecki: “A Base Cobra é taticamente importante porque deixa as ações mais rápidas e, consequentemente, oportuniza uma resposta mais efetiva” (Foto: Sandro Mesquita/OP)

 

PROFISSÃO DE RISCO

Conforme o comandante do Cobra, que por conta do sigilo das ações preferiu não se identificar, os fatores de risco aos quais os policiais são expostos exigem um treinamento exaustivo, porém necessário para o bom desempenho da equipe. “Para operar no Cobra o policial precisa passar por uma carga de treinamento intensa, desde como se portar num ambiente aquático como em um local de mata, e tudo isso eleva bastante o fator de risco das operações”, enaltece.

Segundo ele, após a implantação do Pelotão Cobra em Entre Rios do Oeste aumentou a abrangência de atuação do BPFron na região de fronteira. “E com isso nossa atuação está bem mais presente na segurança do Lago de Itaipu e do Rio Paraná”, ressalta.

Comandante do Pelotão Cobra destaca a importância da população no auxílio à polícia para o combate ao crime na região de fronteira: “Denunciando esses crimes, o cidadão contribuirá para uma sociedade muito melhor” (Foto: Sandro Mesquita/OP)

 

AUMENTO DAS APREENSÕES

O número de apreensões realizadas pelos policiais do BPFron, seja em água ou em terra, aumentou consideravelmente em 2020.

No primeiro semestre deste ano foram apreendidas cerca de 16 toneladas de drogas, principalmente maconha, contra cinco toneladas no mesmo período de 2019, aumento de mais de 200%.

O cigarro, um dos principais produtos contrabandeados na região, também teve aumento expressivo este ano em termos de apreensões, passando de 655 mil pacotes em 2019 para 1,6 milhão de pacotes retirados de circulação no primeiro semestre de 2020.

De acordo com o comandante do BPFron, dois fatores contribuíram para o aumento das apreensões. O primeiro, aponta ele, foi o fechamento das alfândegas e aduanas, como na Ponte Internacional da Amizade e o caminho vindo pela Ponte Ayrton Senna, que passa pelo Mato Grosso do Sul. “No Estado do Paraná, essas ações ilegais acabam se concentrando no lago, que é um meio usado para tentativas de entrar com mercadorias ou drogas”, comenta.

Segundo Dorecki, o outro fator determinante para a elevação das apreensões é a Operação Hórus do Ministério da Justiça e Segurança Pública, que integra diversas outras forças de segurança do Paraná e Mato Grosso do Sul. “Essa intensificação é transformada em resultados, que são as apreensões”, evidencia.

Atracadouro para as embarcações na Base Cobra, ponto de partida das incursões aquáticas (Foto: Sandro Mesquita/OP)

 

Portos clandestinos no Lago de Itaipu são o principal alvo do Pelotão Cobra (Foto: Sandro Mesquita/OP)

 

CUIDADOS

A pesca esportiva e profissional é comum no Lago de Itaipu, e alguns pescadores que costumam navegar pelas águas em busca dos peixes esquecem dos riscos que o local apresenta por conta da atividade criminosa.

Muitos evitam pescar à noite, pois sabem que é o período mais utilizado pelos traficantes e contrabandistas para fazer o transporte de ilícitos.

O comandante do Pelotão Cobra diz que o pescador deve estar ciente do risco de encontrar esses criminosos. “Se por acaso alguém for ameaçado ou até mesmo avistar uma embarcação cometendo ilícito deve informar o BPFron através dos canais de denúncia para que possamos tomar as providências cabíveis”, menciona.

 

DENÚNCIAS

O grande número de apreensões realizadas pelo BPFron e demais forças de segurança está diretamente ligado à participação da população, afirma Dorecki. “A maioria das ocorrências realizadas pelo Batalhão em que acontecem prisões e apreensões são oriundas de denúncias. Isso, para nós, é muito gratificante porque mostra a confiança que a população tem no trabalho que a Polícia Militar realiza”, enfatiza.

As denúncias podem ser feitas através do número 181 da Polícia Militar do Paraná ou pelo Whatsapp do BPFron que é o (41) 99106-6815.

De acordo com o major, tanto as denúncias feitas pelo 181 quanto aquelas realizadas diretamente para o Batalhão têm a identidade do denunciante mantida sob sigilo. “De forma alguma essa pessoa será mencionada, pelo contrário, ela não precisa nem se identificar”, frisa.

(Arte: O Presente)

 

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