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Boom imobiliário em Cascavel devolve status à estrada histórica que abrigou o telégrafo de Catanduvas a Porto Mendes

calendar_month 30 de maio de 2021
3 min de leitura

Quem vê a pujança imobiliária inaugurada pelo Bairro Tropical, em Cascavel, não pode imaginar que toda aquela região da cidade era conhecida unicamente – por mais de meio século – por abrigar a “estrada velha para Toledo”.

O Tropical nasceu em 1978, sob lágrimas, como recorda o empreendedor do loteamento, João Destro. Ele relata que a esposa do pecuarista Alvino Kruger, dono daqueles 32 alqueires, chorou ao assinar a escritura.

Ela tinha um apego sentimental pela área, onde a família criava gado. A fazendinha foi picotada em 933 lotes. E já nascia para abrigar um bairro nobre, restrito.

“Quem comprasse um terreno assinava um documento dizendo que não faria casa de madeira e nem menor que determinada metragem”, afirma Destro.

Eram lotes de 450 metros acima, distribuídos por superquadras com charmosas alamedas sem saída.

Logo o bairro ganhou status semelhante ao Jardim Maria Luíza e Country, recebendo belas moradas edificadas pela classe média alta da cidade.

Experts do mercado imobiliário perceberam que o recall do Tropical podia comportar um “puxado” em direção à rodovia 467, margeando a “antiga estrada para Toledo”.

Entre outros incorporadores, o contabilista Cezar João de David, da BC&O, morador do Tropical, paquerava há anos aquela topografia privilegiada e convenceu os sócios de Umuarama a investir.

Ali surgia o Tropical I, II e III, e agora o Paraíso Tropical. São mais de seis mil terrenos loteados pela empresa, em parceria com sitiantes, cujos pais e avós pioneiros jamais poderiam imaginar que aquele lugar isolado, ligado unicamente por uma estradinha carroçável poeirenta, em algum dia poderia ostentar tamanha valorização.

O metro quadrado naquela região está sendo vendido entre R$ 650 e R$ 800, preço de condomínio fechado. E os negócios vão bem, obrigado. “O Tropical III é hoje o bairro com maior número de construções na cidade, com todas as unidades vendidas”, diz Cezar.

 

Telégrafo

Antes de se tornar “estrada velha para Toledo”, aquela via foi aberta para receber a fiação do telégrafo que ligava a estação de Catanduvas a Porto Mendes, em Marechal Cândido Rondon.

É coisa dos anos 1920, conforme explica o pioneiro Beto Pompeu. O trecho mais “batido” era aquele que saia da região da Praça do Migrante e seguia até onde está a 467.

No caminho havia um recanto, uma área de lazer dos cascavelenses dos anos 50: o Rio das Antas, onde as famílias faziam piquenique e se refrescavam nos verões do velho Oeste.

A centenária estrada do telégrafo agora será uma ampla avenida, com potencial para esvaziar o fluxo da Rua Jorge Lacerda. Algo inimaginável para a senhora Kruger, que legou àquele chão suor e lágrimas.

 

O Pitoco

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