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BPFron vive momento de transformação: “Cada vez mais precisamos integrar as forças de segurança”, diz Sanson

Comandante do BPFron, tenente-coronel Saulo Sanson, em visita ao Jornal O Presente: “O crime não tem fronteiras e cada vez mais precisamos integrar as forças, sejam nacionais, Polícia Militar, Polícia Civil, Polícia Rodoviária Federal, Polícia Federal, Guarda Municipal” (Foto: Maria Cristina Kunzler/OP)

Implantado há sete anos e tendo como sede o município de Marechal Cândido Rondon, o Batalhão de Polícia de Fronteira (BPFron) vive um momento importante em sua história. Ao longo dos anos a corporação tem conquistado cada vez mais respeito, o seu espaço e busca ampliar e intensificar as ações na região de fronteira.

E isso tem sido possível a partir de um novo alinhamento do comando da unidade policial com os governos estadual e federal, cuja parceria tem permitido ao BPFron avançar. “Sabemos que se ficássemos somente no orçamento do Estado muitas vezes, como se diz, a ‘coberta é curta’. O crime organizado busca lucro, o qual vem através do contrabando de cigarro, tráfico de drogas, e passa muito pelo Lago de Itaipu. Nós temos uma extensão grande, são 170 quilômetros de lago, e precisamos ter essa cobertura. Então sentamos com o governo federal, identificamos alguns pontos e fizemos uma parceria com o Ministério da Justiça para realizar a Operação Hórus em Guaíra. Isso tem dado repercussão local e nacional. Veio a expertise da secretaria do ministro Sérgio Moro e trouxe essa integração com os órgãos”, declara o comandante do BPFron, tenente-coronel Saulo de Tarso Sanson Silva, admitindo, porém, que ao estancar o crime organizado em Guaíra os grupos começaram a migrar para outros pontos.

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Atualmente, o Batalhão conta com a sua sede em Marechal Rondon e três companhias: uma localizada no próprio município rondonense, a segunda em Guaíra e a terceira em Santo Antônio do Sudoeste. A partir do próximo mês, o BPFron deve ter um “braço” também em Entre Rios do Oeste com a ocupação da Base Náutica (ler matéria ao lado), instalada em um ponto considerado estratégico.

Diante de uma estrutura que aumenta, o comandante da corporação diz haver a necessidade agora de ampliar o efetivo policial. “O Estado vai contratar 2,4 mil policiais ano que vem. Gostaríamos que um reforço viesse para o Batalhão com a formação de policiais aqui. E aí já poderíamos disponibilizar uma parte do efetivo para o Pelotão Cobra, que atuará na Base Náutica”, detalha.

 

TECNOLOGIA ALIADA DA SEGURANÇA

O comando do Batalhão de Fronteira tem dado uma atenção especial em três frentes: melhorar cada vez mais a estrutura disponível para os policiais, bem como investir em treinamentos e, em especial, em tecnologia. “Quando eu assumi o comando disse uma frase que até hoje seguimos: fazer mais com menos. Não adianta colocar cinco mil policiais no BPFron, pois ainda assim vai passar o crime na fronteira, pois a extensão é muito grande”, lamenta.

Ele compara com a situação dos Estados Unidos. O país norte-americano tem uma fronteira de três mil quilômetros com o México e, mesmo assim, encontra dificuldade em fazer a vigilância. “Se os Estados Unidos não conseguem resolver a questão da fronteira, imagina o Brasil, que tem 17 mil quilômetros de extensão de suas fronteiras”, exemplifica. “Portanto, não é apenas uma questão policial. A tecnologia vem para auxiliar os policiais. Os municípios precisam entender que nós temos que ter videomonitoramento, o que chamamos de cercamento virtual. É instalar em pontos estratégicos câmeras que possam monitorar a circulação de pessoas. Palotina é um exemplo muito bom que eu até fiz questão de conhecer”, cita.

De acordo com ele, hoje a cidade palotinense é monitorada por cerca de 320 câmeras. Como é possível? Simples: houve uma parceria entre moradores, empresários, comerciantes e o próprio Poder Público, que se uniram e autorizaram o uso das imagens que são direcionadas para a via pública para uma plataforma de inteligência, auxiliando no trabalho das forças de segurança. “É fantástico”, exalta o comandante do BPFron. “Se um veículo é furtado, por exemplo, precisamos saber instantaneamente. E para que isso possa acontecer temos que ter uma inteligência policial através da tecnologia. O que estamos difundindo para as prefeituras locais é que possam aderir a essas tecnologias”, defende o tenente-coronel.

A autoridade acrescenta que um policial consegue acompanhar a imagem de cerca de seis câmeras em tempo real. Já a inteligência artificial permite ir além, como fazer a leitura da placa de veículos e, imediatamente, identificar se há algum alerta de furto, roubo ou débitos ao Estado. “Isso é importante, porque nós não somos onipresentes e temos que ter essa informação em tempo real. Hoje o BPFron consegue receber essas imagens das placas de veículos”, expõe, declarando que a identificação facial é outra tecnologia que também está chegando e o comando da corporação defende o uso nos municípios da Costa Oeste.

 

TREINAMENTOS

Mas não basta ter tecnologia à disposição se quem está do outro lado da tela ou está manuseando o equipamento não tem o devido conhecimento. Por isso, o BPFron tem procurado oferecer novos treinamentos ao efetivo. Dentre as várias capacitações, uma delas começou segunda-feira (04) e reúne em Marechal Rondon 33 agentes de forças de segurança, como da Polícia Federal, Polícia Civil, Polícia Militar e Polícia Rodoviária Federal. “São pessoas de várias instituições que estão juntas em uma sala para receber instruções sobre o combate ao crime organizado”, menciona o tenente-coronel.

Outro curso é destinado às operações fluviais já pensando no uso da Base Náutica de Entre Rios. “Estamos preparando um efetivo. São cinco semanas de imersão”, comenta.

 

INTEGRAÇÃO DAS FORÇAS POLICIAIS

Na avaliação do comandante do BPFron, o novo governo tem uma visão de promover uma integração entre as forças policiais para combater o crime. Recentemente, Saulo Sanson participou de um curso no Paraguai realizado por meio de uma iniciativa da Embaixada dos Estados Unidos e que contou com a presença do país-sede, Brasil e Argentina. A discussão girou em torno das armas de fogo devido ao tráfico ser uma preocupação na tríplice fronteira. “A embaixada americana promoveu essa imersão de praticamente uma semana e meia de estudos e debates com especialistas das forças policiais americanas para as forças policiais do Brasil, Paraguai e Argentina. Foi importante para nós sabermos o seguinte: o crime não tem fronteiras e cada vez mais precisamos integrar as forças, sejam nacionais, Polícia Militar, Polícia Civil, Polícia Rodoviária Federal, Polícia Federal, Guarda Municipal. Tem que haver interação também com outros países. Para o Mercosul é importante”, salienta.

Já em Brasília, onde a autoridade rondonense participou de um curso de três semanas, o ponto-chave do encontro foi mais uma vez debater sobre a integração das forças locais. Para isso, o Ministério da Justiça se espelha em um projeto dos Estados Unidos, chamado Fusion Center, que é um centro integrado e no qual as entidades de segurança trocam informações entre si. O primeiro modelo brasileiro será implantado em Foz do Iguaçu, sendo que o lançamento do projeto ocorreu nesta semana pelo ministro Sérgio Moro. “É uma estrutura que foi espelhada nos Estados Unidos, em virtude do 11 de setembro, e estamos trazendo para Foz. É um projeto inovador e será o primeiro do país”, destaca.

 

SEDE PRÓPRIA DO BPFRON

Por outro lado, o comandante da corporação revela que a empresa que venceu a licitação para elaborar os projetos complementares de edificação da sede própria do Batalhão de Fronteira deve concluir os trabalhos até fevereiro de 2020. O próximo passo será fazer a licitação da obra, o que deve ocorrer a partir de março. “O mais importante é que temos o dinheiro carimbado. São R$ 20 milhões que o Estado destinou para a obra a partir de um financiamento junto ao BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento)”, enaltece.

A sede própria estará localizada a cerca de 50 metros do atual imóvel utilizado pelo BPFron. A área já foi adquirida para este fim e o projeto prevê a construção de aproximadamente seis mil metros de obra.

 

DESVIO DE CONDUTA

Por fim, ao ser questionado como tem sido desenvolvido o trabalho para evitar os desvios de conduta dentro das corporações, considerando que a sociedade convive com uma desconfiança em relação às forças policiais, o tenente-coronel é enfático: “Desvio de conduta acontece em qualquer setor, seja policial, judiciário, político. Em todo setor há desvios. No entanto, há algo muito importante nas instituições que são as corregedorias, que receberam investimento ao longo dos anos. Eu posso saber que o policial tem uma conduta suspeita, mas uma questão é você saber e outra coisa é você provar. Antigamente tínhamos dificuldades em apurar esses desvios, mas hoje contamos com muitas ferramentas de inteligência, assim como as corregedorias têm muito mais controles internos. Portanto, é um problema sério nas forças, mas graças a Deus no nosso Batalhão isso tem sido quase nulo. Eu sempre digo que o vestimento da farda é uma questão de honra, orgulho em não se corromper, não participar do lado do criminoso. Então é uma vigilância constante”, conclui.

 

Sede provisória do BPFron: expectativa é que licitação da sede definitiva aconteça a partir de março de 2020 (Foto: Joni Lang/OP)

 

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