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Caixa antifurto é solução para roubo de cobre, afirma inventor

Empresário desenvolveu equipamento capaz de revolucionar a segurança de cabos subterrâneos


calendar_month 5 de outubro de 2025
4 min de leitura

Basta uma caminhada mais atenta pelo Calçadão da Avenida Brasil, em Cascavel, para perceber: caixas de concreto abertas, violadas, e os cabos ausentes. O cobre foi furtado e a consequência é múltipla: vias escuras, prejuízo no bolso do contribuinte, e até o risco de uma fratura na cavidade aberta da caixa.

De outro lado, os “amigos do alheio” continuam agindo. Quando pegos, as penas brandas estimulam “recaídas”.

Há solução para o roubo de fios de cobre, verdadeira epidemia em Cascavel e no Brasil como um todo? O empresário cascavelense Altair Soares está convicto que sim. Ele desenvolveu a primeira caixa de passagem subterrânea antifurto.

Pitoco: Você é o inventor da primeira caixa de passagem subterrânea antifurto do Brasil? Está patenteado?
Altair Soares – Sim, é verdade. Depois de muitos anos acompanhando os problemas que os furtos de cabos causam em cidades, empresas e concessionárias, percebi que a solução estava em repensar a base do sistema. A Talmak Solutions desenvolveu e patenteou a primeira caixa de passagem subterrânea antifurto do Brasil, criada justamente para dificultar a ação criminosa e trazer modernidade a uma área que parou no tempo.

Como se deu o desenvolvimento do produto?
Desde o início do projeto, que durou mais de um ano e oito meses, realizamos diversos testes e aprimoramentos. Hoje já estamos na versão 04 do nosso equipamento, cada vez mais seguro e eficiente, fruto dessa evolução constante. A ideia surgiu depois de acompanhar tantas notícias sobre os impactos dos furtos: postos de saúde que perderam milhares de vacinas por falta de refrigeração, escolas e creches sem aulas pela ausência de energia, empresas paralisadas e, principalmente, a escuridão nas ruas pela falta de iluminação pública.

Quando você fala que “parou no tempo”, o que exatamente quer dizer?
Hoje ainda se usa caixas de passagem em concreto simples, projetadas na década de 30. Ou seja, quase 100 anos se passaram e as prefeituras, concessionárias e até empresas privadas ainda instalam o mesmo sistema. Essas caixas acumulam água, sujeira, geram desorganização nos cabos e, principalmente, não oferecem nenhuma segurança contra furtos.

Há exemplos municípios que já adotaram a sua solução?
O primeiro cliente que visitamos foi a equipe de engenharia da Prefeitura de Cascavel. O pessoal da engenharia gostou muito do projeto, e os gestores responsáveis pela decisão estão avaliando o produto. Londrina é a primeira cidade do país a optar pelo nosso equipamento. Lá instalamos nossas caixas antifurto em uma praça da cidade, realizamos os primeiros testes em ambiente público e o resultado foi muito positivo.

E na nossa região, o que você tem observado?
Em Cascavel vemos muitos casos de furtos justamente porque continuam usando caixas ultrapassadas. Basta olhar para obras públicas, rodovias e viadutos: no Trevo Cataratas, na passagem para Boa Vista da Aparecida, na BR-277, todos os cabos foram furtados.

E qual foi a solução adotada?
Uma medida paliativa os chamados “varais” de fios expostos. Isso até resolve o problema da escuridão momentaneamente, mas é esteticamente horrível para uma cidade do porte de Cascavel. Se você passar pelo Trevo da Portal, por exemplo, verá como a paisagem urbana foi comprometida. O que acontece é o seguinte: o poder público investe em caixas antigas, de concreto, que não oferecem segurança; os cabos são furtados; e, sem conseguir resolver, optam pela gambiarra dos fios expostos.

E o cobre é um metal visado…
Exatamente. Estamos em 2025 ainda usando tecnologia da década de 1930. Naquele tempo, furtar um cabo era algo raro. Hoje, não: o cobre se tornou um material caro e muito visado. O Brasil, inclusive, está entre os cinco países do mundo com maior número de furtos de fios de cobre. Para se ter ideia da dimensão, o Chile é o maior produtor mundial de cobre, com mais de 5 milhões de toneladas métricas em 2024, representando cerca de 23% do fornecimento global. Já o Brasil responde por apenas cerca de 1% da oferta mundial, o que mostra como o cobre é escasso aqui e ainda mais atrativo para o crime.

Isso pode mudar?
Pode e deve. É hora de parar de aceitar soluções paliativas e ultrapassadas. Precisamos investir em tecnologia, segurança e sustentabilidade. A Talmak Solutions nasceu com esse propósito: trazer inovação para um problema queatinge todos os municípios. Cascavel e toda a região têm muito a ganhar com essa modernização. Não podemos mais permitir que nossas cidades fiquem vulneráveis. Não faz sentido insistirmos em usar caixas da década do século passado em plena era digital.

Por Jairo Eduardo. Ele é jornalista, editor do Pitoco e assina essa coluna semanalmente no Jornal O Presente

pitoco@pitoco.com.br

 
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