Ontem (30), estudantes da Universidade Federal do Paraná (UFPR) de Palotina sofreram queimaduras causadas supostamente por desinfetante de uso veterinário – a popular “creolina” – durante a aplicação de um “trote”, prática esta proibida pela instituição. Segundo informações extraoficiais, os calouros eram do curso de Medicina Veterinária.
Conforme o que foi apurado pela reportagem, os calouros estavam na região central da cidade pedindo dinheiro em semáforos, no que é chamado de “pedágio”. Na sequência, eles foram banhados com um produto que estava em frascos de creolina, que acabou causando queimaduras.
Pelo menos 20 estudantes ficaram feridos e foram encaminhados ao Hospital Municipal de Palotina, onde passariam por atendimento médico. A Polícia Civil deve instaurar inquérito para apurar quem foram os responsáveis pelo trote.
PRÁTICA PROIBIDA
A direção da UFPR ainda não se pronunciou sobre o ocorrido. Contudo, de acordo com o regulamento do Conselho Universitário (Coun), a aplicação dos chamados trotes é proibida e os infratores devem ser submetidos às normas disciplinares do Regimento Geral da UFPR.
O conselho ressalta ainda que os calouros não são obrigados a participar de qualquer tipo de atividade realizadas pelos veteranos. Em caso de ameaça ou constrangimento, denúncias podem ser feitas, de forma anônima, à coordenação dos cursos, à ouvidoria ou ao Programa de Repressão à Violência e à Discriminação da UFPR.
MEDO DE REPRESÁLIAS
“As marcas são chocantes. Os autores deste crime devem ser punidos à altura”, disse uma aluna que preferiu não se identificar, pois tem medo de represálias.
Um estudante revelou à que, aparentemente, a intenção dos autores do trote era realmente ferir os calouros. Também com medo de sofrer perseguição, o acadêmico pediu para não ter o nome revelado.



Com Correio do Ar/Catve