Motivada pela crise hídrica que assola o município e o Paraná, Cascavel está em “Situação de Emergência”. O Decreto Municipal foi publicado nesta quinta-feira (26), no Diário Oficial do Município, assinado pela Defesa Civil e pelo prefeito Leonaldo Paranhos. A medida permite renegociação de dívidas dos produtores rurais e possibilita a prefeitura buscar recursos junto ao Governo do Paraná e ao Governo Federal.
O ato atende um pedido do Sindicato Rural de Cascavel e da FAEP (Federação da Agricultura do Estado do Paraná). “São mais de R$ 600 milhões em prejuízos produtores rurais em Cascavel em 2021. Esse decreto vai ajudar a recuperar o fôlego de produtores que tiveram grandes perdas, renegociando dívidas”, comentou Paulo Orso, presidente do Sindicato Rural de Cascavel.
O Sindicato Rural de Cascavel, com apoio da FAEP e de outras entidades, como o Deral e a Secretaria de Agricultura de Cascavel, elaborou um laudo baseado em dados oficiais para detalhar a crise vivida pelo setor. O documento corroborou a decisão do decreto de “Situação de Emergência”.
A estiagem que houve no município em 2020 causou inúmeros problemas na agropecuária. Além de ser umas das mais duradouras que se tem notícia, a pior nos últimos 100 anos, prejudicou o abastecimento de água, tanto para os proprietários, plantações, pastagens e animais, pois muitas nascentes e poços secaram, como também houve a redução de água nos rios e para a agricultura, nas 4.915 propriedades rurais do município. A situação se perdurou por 2021. Além da seca, as geadas castigaram o setor agro.
As perdas de produção sofrida pelos produtores rurais, nas diversas atividades do Município, correspondem a R$ 602.313.866,67 em 2021.
“São enormes prejuízos ao setor. E também à sociedade, já que o custo de alimentos subiu. Ficamos felizes com a decisão do prefeito Paranhos, pois esse decreto possibilita renegociação de dívidas dos produtores, assegurar perdas que podem estar sendo negadas por seguradoras e também permite ao município buscar recursos na esfera estadual e federal”, comentou Paulo Orso, presidente do Sindicato Rural de Cascavel.
O decreto municipal detalhou que o nível de chuva nos últimos anos foi abaixo do normal, com destaque para o período entre janeiro e dezembro de 2020, que choveu apenas 2020 milímetros, 50% abaixo do habitual. A situação se agravou neste ano, pois até 15 de agosto, de acordo com o Simepar, choveram apenas 647 milímetros, muito abaixo do necessário.
Recursos
Em reunião do Comder (Conselho de Desenvolvimento Rural de Cascavel), realizada nesta quinta, o coordenador da Defesa Civil de Cascavel, Marcio Ribeiro, explicou que a decisão é importante, além de possibilitar essa renegociação aos produtores, de facilitar a busca de verbas estaduais e federais.
“Assim podemos buscar recursos para construção de poços artesianos, irrigação e também para caminhões pipa, já que várias propriedades rurais já tem falta de água para os animais”, informou.
Confira laudo elaborado pelo Sindicato Rural de Cascavel:
A estiagem que tivemos em nosso município em 2020 causou inúmeros problemas na agropecuária. Além de ser umas das mais duradouras que se tem notícia, prejudicou o abastecimento de água, tanto para os proprietários, plantações, pastagens e animais, pois muitas nascentes e poços secaram, como também houve a redução de água nos rios e para a agricultura, nas 4.915 propriedades rurais do município.
Na agricultura, o atraso das primeiras chuvas, previsto para setembro, só aconteceu no final de outubro e novembro, quando a maior parte do plantio ocorreu de fato, tanto milho como soja. Alguns agricultores plantaram no seco, esperando chuvas, o que não aconteceu, sendo que uma parcela teve que fazer o replantio, principalmente na cultura da soja, e aqueles que não o fizeram podem sofrer quebra na produtividade.
Já em 2021 o campo prosseguiu com preocupação quanto à produção agropecuária – primeiro com a estiagem, atrasando o plantio dos cultivares. E em seguida mais estiagem, no início do desenvolvimento das plantas, reduzindo seu crescimento, apressando sua maturação e por conseqüência, resultando em grãos menores.
Em seguida, fortes e contínuas geadas maltrataram as propriedades rurais, dizimando plantações inteiras e agravando ainda mais a já delicada situação no campo, causando enormes prejuízos aos produtores.
Safra de milho (verão)
Ocorreu uma perda acima de 38% na produção, causada pela seca prolongada, replantio, atraso no plantio, baixo stand, lavoura desuniforme e baixa produtividade.

Esse montante de 46.000.020 kg de milho em grão equivale a 766.667 sacas que, ao valor de R$ 97,00 cada, ultrapassa R$ 74.366.667,00 em perdas.
Safra de soja (verão)
Houve uma queda de produção de 12%, conforme ilustrado na tabela:

Os 51.891.480 quilos equivalem a 864.858 sacas. Ao valor de R$ 160,00 a saca, ultrapassa R$ 138.377.200,00 em perdas na cultura do grão.

Os 156.000.000 kg equivalem a 2.600.000 sacas. Considerando o valor de R$ 97,00 a saca, totaliza R$ 252.200.000,00 de perda.
Historicamente, a área destinada ao plantio de milho safrinha é de 70.000 ha. Considerando uma redução de área em 35%, devido à época de plantio do milho, uma vez que houve atraso no plantio da soja, fortes e contínuas geadas para o milho, sem cobertura do seguro agrícola, houve 66% de queda na produtividade, por se plantar o maior volume fora da época recomendada.
À previsão inicial de 4.350.000 kg, e colhendo somente 1.466.667 quilos, perdemos 2.883.333 quilos, totalizando R$ 279.683.333,00 em prejuízo aos produtores do grão.
Trigo
A quebra na produtividade de trigo está estimada em 20%, porém as perdas podem ultrapassar essa estimativa.
Pecuária
Quanto à pecuária, apesar das chuvas terem se iniciado, as pastagens não voltaram ao normal, fazendo com que o criador, ao longo de 2020, investisse na compra de alimentos para os animais, e também na compra de equipamentos para abastecer a propriedade e os animais com água.
No decorrer de 2021 tais necessidades se ampliaram, principalmente o custeio dos rebanhos devido ao alto custo dos grãos necessários à atividade.
Pecuária de Leite
Houve uma queda de 25% na produção de leite, provocado pela seca prolongada, falta de água, falta de pastagem, atraso no plantio de milho para silagem, fazendo com que o criador fosse buscar silagem, feno, ração e farelos em outros locais para alimentar os animais, ficando com um custo adicional.

Com a quebra na produção de leite de 22.500.000 litros, considerando o valor de R$ 2,00 o litro de leite, o setor terá prejuízo de R$ 45.000.000,00,. Esse montante não considera o custo adicional com os gastos com ração, desequilibrando ainda mais a cadeia produtiva e aumentando sobremaneira o prejuízo dos agropecuaristas.
Pecuária de Corte
Estimava-se uma queda de 25% na produção de animais e carne, provocado pela seca, falta de água, redução do plantel, estado corporal, queda de fertilidade, morte de bezerros e animais adultos, e falta de pastagens, porém a continuidade dos problemas elencados elevou tal queda para no mínimo 30%.

A perda estimada equivale a 5.040.000 kg de carne, correspondendo a 336.000 arrobas. Considerando R$ 255,00 o valor da arroba do boi, essa queda de produção resulta em R$ 92.400.000,00 de prejuízos ao setor.
Os criadores foram obrigados também a recorrer à aquisição de alimentos (feno, silagem, ração e farelos), em outros locais para alimentar os animais, ficando com um custo adicional.
Estimativa de perda de produção.
As perdas de produção sofrida pelos produtores rurais, nas diversas atividades do Município, correspondem a R$ 602.313.866,67.
Falta de água nas propriedades rurais
Algumas propriedades rurais foram auxiliadas pelo Município de Cascavel com caminhões-pipa, levando água para atender as dessedentação animal e pequenas áreas de horticultura.
Também foi realizada, pelo Município, a escavação de tanques para reservatório de água nas propriedades rurais.
O exposto reflete a realidade decorrida da estiagem e rigorosas geadas no Município de Cascavel durante o período de 2020/2021, até a presente data.
Com assessoria