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Cataratas do Iguaçu: entenda como chuvas e baixa demanda por geração de energia levaram à vazão recorde

calendar_month 9 de junho de 2022
3 min de leitura

A grande quantidade de chuvas registrada em maio, somada à baixa demanda por geração de energia elétrica contribuíram para a vazão recorde registrada pelas Cataratas do Iguaçu. É o que explicam especialistas.

A vazão é a quantidade de água que flui por um canal em determinado período de tempo. Na última sexta-feira (3), as quedas em Foz do Iguaçu, no oeste do Paraná, registraram a maior vazão dos últimos cinco anos: 10,4 milhões de litros por segundo. A vazão considerada normal é de 1,5 milhão.

A Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar) explica que os reservatórios das seis usinas hidrelétricas instaladas ao longo do Rio Iguaçu estão com o armazenamento de água próximo da capacidade máxima.

Os reservatórios cheios são resultado, explica a companhia, de vazões acima da média causadas pelas chuvas e pela baixa demanda por geração de energia nas usinas devido à disponibilidade de outras fontes para atender o Sistema Interligado Nacional, como a eólica.

Segundo a companhia, de 29 de maio a 4 de junho houve uma acumulo de mais 100 mm de precipitação ao longo de toda a bacia hidrográfica do Rio Iguaçu. O volume considerado acima da média pela Copel elevou a vazão média diária das usinas. Veja dados da bacia Iguaçu mais abaixo nesta reportagem.

O Rio Iguaçu nasce em Curitiba e deságua em Foz do Iguaçu, na divida do Brasil com Argentina e Paraguai.

Uma destas usinas instaladas no rio é a de Salto Santiago, em Saudade do Iguaçu, no sudoeste do estado que abriu todos os vertedouros para escoamento da água excedente do reservatório na sexta (3).

“Todos os reservatórios foram projetados para serem testados no momento de crise. As vazões excessivas são esse momento, mas os reservatórios estão preparados para isso. [..] E por onde a água vai sair? Pelo vertedouro, por isso todas as hidrelétricas têm uma estrutura de emergência chamada vertedouro, que aí o reservatório vai ficar protegido”, explica o hidrólogo, especialista em gestão de recursos hídricos Cristóvão Fernandes.

A usina Foz do Areia, em Pinhão, na região central do Paraná, por exemplo, passou de uma vazão de 297 mil litros por segundo, em 27 de maio, para 1,7 milhão em 3 de junho, conforme a Copel.

Segundo Cristóvão, este reservatório é responsável por regular a vazão das outras usinas ao longo do Rio Iguaçu, como uma espécie de cascata.

“Esse conjunto (bacia) tem uma série de usinas que estão em cascatas e dão essas características para a bacia. Tem o reservatório principal, que é o de Foz do Areia, que regulariza as vazões que vão implicar nas usinas subsequentes,” explica o especialista.

Veja na imagem abaixo a localização da UH Governador Bento Munhoz da Rocha Netto, conhecida como Foz do Areia, localizada no município de Pinhão, na região central do Paraná.

“O que acontece é que agora os reservatórios ficam cheios. Um ano atrás eles estavam vazios, com seca, agora eles voltaram à condição normal, o que é importante. Significa que do ponto de vista energético as coisas vão continuar da mesma forma, mas os reservatórios enchem,” ressalta Cristóvão.

Usinas hidroelétricas (UH) ao longo do leito do Rio Iguaçu:

UH Baixo Iguaçu, entre Capanema e Capitão Leônidas Marques;

UH Foz do Areia, em Pinhão;

UH Salto Caxias, entre Capitão Leônidas Marques e Nova Prata do Iguaçu;

UH Salto Osório, em São Jorge do Oeste;

UH Salto Santiago, em Saudade do Iguaçu;

UH Segredo, entre Mangueirinha e Reserva do Iguaçu.

 

Com G1

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