Municípios Polêmica

Catedral da Igreja Católica é cercada e divide opiniões em Cascavel 

Fotos: Divulgação

 

Lindonez Rizzotto era secretário de Meio Ambiente do então prefeito Jacy Scanagatta nos anos 70. Foi a dupla que trouxe a controversa legustre, majoritária na arborização urbana de Cascavel, árvore “acusada” de implodir calçadas.

Certa ocasião, relata Rizzotto, os padres implicaram com o ajardinamento em frente a mais nobre das quadras, a da Catedral. A “bronca” era com os mendigos e meliantes que, segundo os sacerdotes, se utilizavam da área verde para peraltices.

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– Por que então vocês não abrigam os mendigos dentro da igreja durante a noite? – sugeriu Rizotto na ocasião.

Se o bispo da época fosse o argentino Jorge Mario Bergoglio, a sugestão estaria acatada de pronto.

Anos mais tarde, a força do clero se fez valer e a quadra da igreja transformou-se em um deserto, com a remoção das palmeiras jerivás e outras plantas ornamentais.

Agora a área voltou ao noticiário. Dom Mauro mandou cercar as laterais da catedral. Antes dele, também dividindo opiniões, o prefeito Leonaldo Paranhos havia cercado os “pontões” de ônibus no centro para forçar a patuleia a usar as faixas de pedestres.

As cercas estão de volta. “Os padres que me desculpem, estão matando nosso principal monumento, tá muito ruim”, opina o arquiteto e urbanista Nestor Dalmina, ex-secretário de Planejamento, em raríssimo desalinhamento ideológico com o bispo.

 

Ministério Público

Ouvido pela Catve, o arcebispo Mauro Aparecido dos Santos disse que as cercas atendem notificações do Ministério Público, já que veículos e até caminhões se utilizavam do espaço e danificavam as calçadas, expondo os pedestres a acidentes.

– As pessoas acham que aquilo é espaço público – queixa-se o bispo.

Vira e mexe, as cercas surgem no noticiário. Elas apareceram e desapareceram da Praça Wilson Jofre. Vieram e sumiram do entorno do Palácio Iguaçu, em Curitiba.

Cascavel, ao que parece, enfrenta seu período trumpista, aquele sujeito que se elegeu fechando portas e prometendo muros.

Disse um enigmático Carlos Drummond de Andrade sobre o tema: “Em vão me tento explicar, os muros são surdos… sob a pele das palavras há cifras e códigos…”.

 

A cerca ao lado da Catedral e a praça pré-calvície, no anos 1970, direto do arquivo do Xico Tebaldi: nem sempre a gestão clerical está em consonância com a opinião pública (Fotos: Divulgação)

 

Com O Pitoco

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