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Chuvas podem ajudar safra cultivada tardiamente em Marechal Rondon e região

calendar_month 29 de janeiro de 2022
4 min de leitura

As precipitações que interromperam o longo período de estiagem vivenciado no Paraná pouco ajudaram os agricultores da região. Grande parte das lavouras de soja estava em estágio avançado e não pôde se beneficiar das chuvas de verão.

Marechal Cândido Rondon, a exemplo disso, tem avançado na colheita da soja e os índices de produtividade seguem desanimadores. “Cerca de 25% a 30% das áreas de soja já foram colhidas na região. Boa porcentagem dessas lavouras está com produtividade baixa, muito baixa e algumas extremamente baixa”, avalia o engenheiro agrônomo Cristiano da Cunha.

Segundo ele, a média de produtividade na região de Marechal Rondon oscila em 20 sacas do grão por alqueire. “Algumas áreas têm produção zero e outras produzem 35 sacas por alqueire aproximadamente”, expõe, acrescentando que a qualidade do que é colhido também está baixa. “Em virtude da estiagem os grãos foram malformados e, consequentemente, têm baixo teor de proteína e de óleo. Para a indústria esses grãos têm representado problemas, porque não entregam aquilo que deveriam entregar”, comenta.

Engenheiro agrônomo, Cristiano da Cunha: “Cerca de 25% a 30% das áreas de soja já foram colhidas na região de Marechal Rondon, aproximadamente. Boa porcentagem dessas lavouras está com produtividade baixa, muito baixa e algumas extremamente baixa” (Foto: Divulgação)

 

Colheita durante fevereiro

Cunha adianta que as colheitas devem ser concluídas até final de fevereiro. “De modo geral, essas ‘últimas’ lavouras ainda vão demorar uns 30 dias para serem colhidas”, antecipa.

Se outrora a questão era colher ou não colher, agora os produtores decidiram pela colheita. “A porcentagem de áreas de soja que não serão colhidas é extremamente pequena, menos de 1%. Mesmo que a produtividade seja baixa, o agricultor opta por colher porque precisa tirar a soja da lavoura e deixar a área pronta para semeadura do milho safrinha”, diz.

Em torno de 25% da área cultivada com soja já colhida na região: boa porcentagem das lavouras está com produtividades baixas (Foto: Bruno de Souza/OP)

 

As chuvas interferem?

Tendo em vista que a colheita até agora não tem apresentado uma boa produtividade, o engenheiro agrônomo pondera que as chuvas podem recuperar as áreas plantadas tardiamente. “Com o retorno das chuvas algumas áreas que foram plantadas mais tarde podem vegetar novamente e buscam uma eventual recuperação. Claro, são chuvas bastante irregulares ainda, mas favorecem as lavouras”, explica.

Os índices pluviométricos registrados até o momento não são suficientes para prejudicar as plantas boas para colher. “As chuvas são bastante esparsas e irregulares. Não acreditamos que devemos ter problemas de perdas na soja por chuva na colheita”, considera.

Os que mais ganham com a chuva são os agricultores que colheram a soja e já iniciaram o plantio da próxima safra. “Favorece as lavouras de milho safrinha que já estão plantadas”, pontua.

 

Projeção da safra de soja no Paraná diminui

A Previsão de Safra Subjetiva apresentada, ontem (27), pelo Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento do Paraná (Seab) diminuiu mais uma vez a projeção de produtividade da safra de soja no Paraná.

Anteriormente, era esperada uma produção de 21 milhões de toneladas de soja na safra 2021/2022. Contudo, o novo indicativo diminuiu a estimativa inicial em 39%, isto é, uma produção de 12,8 milhões de toneladas.

 

Dada largada à safrinha

À medida que as áreas de soja são colhidas é possível identificar lavouras com o milho safrinha já plantado. “Alguns agricultores semearam e isso vai aumentando conforme a colheita da soja vai avançando. A janela mais propícia para o plantio do milho safrinha é entre 05 e 15 de fevereiro, mas o zoneamento agrícola da região vai até dia 28 de fevereiro e os produtores farão o plantio do milho dentro desse período. As lavouras de milho plantadas um pouco mais cedo têm um potencial produtivo bastante alto”, assegura o profissional rondonense.

Apesar das grandes perdas da safra de verão, Cunha enfatiza que o produtor renova as expectativas para a safrinha. “As previsões meteorológicas ainda são incertas, mas o produtor coloca a semente no solo com esperança de uma grande colheita”, ressalta.

Depois da esperança depositada, o agricultor acompanha as plantas por cinco meses, com as variáveis que podem ser controladas. “Deve-se ter atenção com o controle de pragas, principalmente cigarrinha e percevejo. Se o produtor não ficar atento, monitorar e controlar, ele pode amargar prejuízos significativos já no começo, porque uma lavoura extremamente atacada por percevejos ou cigarrinhas normalmente não tem condição de recuperar a produtividade”, orienta.

 

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