A conta de energia elétrica é uma das despesas fixas que mais pesa no bolso da população brasileira. A estimativa no país para este ano é um aumento médio de 14,5%, segundo um estudo da TR Soluções, empresa de tecnologia aplicada ao setor elétrico. A avaliação leva em conta números das 53 distribuidoras e sete permissionárias do país, com base no Serviço para Estimativa de Tarifas de Energia (Sete).
A região Sul deve registrar o menor aumento tarifário, cerca de (12,2%), seguida pelo Sudeste com 13,1%, Nordeste com 17,6% e Norte e Centro-Oeste com 19,4%.
O principal agravante para tantos aumentos na tarifa de energia nos últimos anos é a crise hídrica. Mas, se por um lado a falta de chuva causa elevação no preço da energia elétrica, por outro, a constância do sol pode ser um diferencial na busca por uma energia mais barata e renovável.
Em 2020, o aumento de usuários de energia solar no país foi superior a 117% em relação a 2019, tendo o Estado do Paraná papel de destaque e a região Oeste foi a que mais cresceu neste período.
A grande incidência solar no Oeste paranaense faz a região ser responsável por cerca de 45% de toda a energia fotovoltaica no Estado. Este número reflete na microrregião de Marechal Cândido Rondon, que vê o setor crescer consideravelmente nos últimos anos, mesmo durante a pandemia.
Pontos positivos
Segundo Henrique Augusto Schmidt, sócio-proprietário da E-Gera, empresa do segmento, a proximidade com Cascavel e Maringá, cidades-polo na distribuição de equipamentos para o setor, colabora para este crescimento. Além disso, a grande demanda também se deve, de acordo com Schmidt, pela economia que o sistema proporciona tanto para residências urbanas quanto para propriedades rurais. “A gente converte o mesmo valor que a pessoa teria com gasto na fatura de energia em um investimento que em cinco anos está pago e com vida útil do equipamento em torno de 45 a 50 anos”, enaltece.
Para Schmidt, a ascensão do setor gera pontos positivos para o consumidor em virtude da competitividade, que força os preços para baixo. “Acompanhada da popularidade e com o avanço da tecnologia, a energia solar ficou mais barata do que era há alguns anos”, pontua.

Henrique Schmidt, sócio-proprietário da E-Gera: “A gente converte o mesmo valor que a pessoa teria com gasto na fatura de energia em um investimento que em cinco anos está pago e com vida útil do equipamento em torno de 45 a 50 anos” (Fotos: O Presente)
Pontos negativos
Porém, ele destaca que este aumento na demanda também causa pontos negativos por conta do grande número de pessoas não qualificadas que acabam se inserindo no mercado. “O acesso a estes produtos junto com a regulamentação brasileira torna muito fácil o ingresso de mais pessoas no segmento de energia solar”, ressalta.
Urbano e rural
No decorrer da pandemia a demanda pela energia solar disparou na região, especialmente em residências. Já na área rural os números se mantiveram. Schmidt explica que a demanda no setor rural costuma aumentar durante o Plano Safra, quando são abertas linhas de financiamento para os produtores rurais que poderão este ano adquirir o sistema fotovoltaico subsidiado pelo Governo do Paraná com juro zero. “Já temos a primeira a conseguir financiamento com valor acima de R$ 400 mil na modalidade de experimento”, revela.

Engenheiro eletricista da Neogrid Energia Solar, Diego Rafael Ribeiro: “As pessoas passaram a entender que se trata realmente de um investimento, e comparado a outros investimentos o prazo de retorno é curto” (Foto: Divulgação)
Preços
No último ano os preços sofreram acréscimo devido à alta de dólar e à pandemia, que provocou a falta de equipamentos no mercado.
Schmidt diz que, atualmente, o tempo médio para entrega de produtos é de 60 dias. “Mesmo assim os preços estão bem menores do que há cinco anos, quando teve a explosão do setor de energia solar”, destaca.
Diego Rafael Ribeiro, engenheiro eletricista da Neogrid Energia Solar, compartilha da mesma opinião e ressalta que o investimento em energia solar teve redução significativa em comparação há alguns anos devido ao aumento da demanda. “Os custos fixos de produção ficaram diluídos e isso faz com que o produto em si tenha redução no seu preço”, comenta.
Acompanhado destes fatores que impulsionaram o setor, Ribeiro enaltece a mudança na mentalidade dos consumidores, que, segundo ele, em geral perceberam as vantagens do sistema fotovoltaico. “Passaram a entender que se trata realmente de um investimento, e comparado a outros investimentos o prazo de retorno é curto”, pontua.
Ele afirma que a redução nos custos mensais com energia elétrica viabiliza o orçamento familiar e a atividade econômica, além de valorizar a propriedade. O ganho ocorre também na preservação ambiental, que impacta na qualidade de vida de todos. “Inclusive de quem atualmente não dispõe da geração fotovoltaica em sua propriedade”, evidencia.
Projeções
A tendência para o setor é de crescimento permanente e acentuado, o que leva a crer que a geração fotovoltaica terá um papel significativo na matriz energética brasileira. Ribeiro destaca alguns motivos, como as condições climáticas favoráveis, o baixo custo de manutenção e o pequeno ou inexistente impacto ao meio ambiente. “Dispensando assim, na maioria dos casos, licenciamentos ambientais, além da possibilidade de implantação em locais compactos e não agricultáveis”, aponta.
Cidades que se destacam
De acordo com o engenheiro eletricista, a implantação de sistemas de energias solar ocorre em grande volume em todos os municípios da microrregião. “Mas se destacam os municípios de Marechal Cândido Rondon, Pato Bragado, Mercedes e Nova Santa Rosa”, revela.
Conforme ele, as instalações urbanas vêm aumentando exponencialmente, porém, a concentração maior na região é na área rural, por conta da vocação para o agronegócio e em virtude das cooperativas que fomentam as atividades de avicultura, suinocultura e piscicultura. “Somado a isso, linhas atrativas de financiamento”, expõe.
Economia na fatura
Um bom exemplo de como a energia solar proporciona economia na conta de luz pode ser encontrado no imóvel da engenheira civil Suely Aparecida Túlio Hey, que há cerca de seis meses instalou o sistema fotovoltaico.
O equipamento gera energia elétrica para diversas salas no térreo, onde existem dois escritórios, e atende também o piso superior, onde é a residência da engenheira.
Suely comenta que o imóvel é antigo e já possuía um sistema de aquecimento de água com painéis solares, que continua em funcionamento e atendem todas as torneiras e chuveiros da residência com água aquecida. “Coloquei energia fotovoltaica para atender o restante do que é consumido e hoje minha casa está 100% sustentável em geração de energia”, menciona.
Ela conta que investiu R$ 24 mil para a instalação de 17 painéis e uma miniusina que possibilita redirecionar a energia excedente para outro imóvel da família. “Se esse dinheiro que investi estivesse na poupança, por exemplo, geraria um juro irrisório e enquanto isso eu gastaria um valor considerável com a conta de energia”, comenta.
Suely diz que antes da instalação do sistema fotovoltaico a conta de energia era de aproximadamente R$ 900 e atualmente é de R$ 150. “Se os chuveiros estivessem ligados na rede da Copel (Companhia Paranaense de Energia), minha conta passaria de R$ 1 mil”, comenta.
Ela relata que financiou 30% do valor para instalar o sistema com parcela de R$ 500 e dois anos e meio para quitação do empréstimo. “Acho que foi um excelente investimento”, comemora.
A engenheira civil faz questão de indicar a seus clientes o sistema fotovoltaico para todos os tipos de projetos e considera o custo-benefício extremamente vantajoso. “Eu mostro a eles e comento sobre a economia que proporciona aqui no meu imóvel”, compartillha.
Segundo a rondonense, em projetos novos é mais fácil incluir o sistema de energia solar porque não é necessário adaptações no imóvel para a instalação. “Se isso já fizer parte do projeto é possível prever tudo e não precisa quebrar nada”, explica Suely.

Engenheira civil Suely Aparecida Túlio Hey em frente ao computador onde um programa mostra em tempo real a produção de energia elétrica na residência (Fotos: Sandro Mesquita/OP)
Como funciona
Os módulos ou painéis fotovoltaicos são instalados em pontos estratégicos que recebem maior incidência de luminosidade. Os painéis captam a luz do sol e a transforma em corrente contínua. A corrente passa por um inversor, onde é transformada em corrente alternada, que é usada para abastecer o imóvel. O excesso de eletricidade produzido pode voltar para a rede da Copel. A rede faz o uso da energia e reverte o percentual em crédito na conta de luz da unidade consumidora (UC).
Atualmente, a venda de energia só é possível para usinas destinadas à comercialização, que são usinas de grande porte. Em 2021 a Copel abriu chamada pública para a compra de energia provinda de autogeradores, neste caso de fontes geradoras de 1 a 30 MW (megawatts).
Geração Distribuída (GD)
Os sistemas solares fotovoltaicos considerados de pequeno e médio porte, com capacidade instalada de até 5 MW, podem ser instalados em residências, propriedades rurais, empresas e em prédios públicos.
Em relação a sistemas conectados à rede elétrica (on-grid), a geração distribuída (GD) possui quatro modalidades principais.
A primeira é a GD de junto à carga, ou seja, o sistema é instalado em uma unidade consumidora e a energia gerada é utilizada no próprio local.
Outra forma é mais abrangente e contempla empreendimentos de múltiplas unidades consumidoras (GD/EMUC). Neste caso a energia gerada é repartida entre os condôminos em percentuais definidos pelos próprios consumidores. Pode também ser utilizada para abastecer as áreas comuns do prédio.
A terceira maneira é o sistema de autoconsumo remoto, onde se permite ao consumidor instalar um micro ou minigerador em um local diferente de onde reside e utilizar os créditos gerados para compensar seu consumo e reduzir sua conta de luz, desde de que isso aconteça dentro da mesma área de concessão.
E a última é a de Geração Compartilhada (Community Solar), quando diversas partes interessadas (pessoas ou empresas) se reúnem em uma espécie de consórcio ou cooperativa e investem em um sistema de micro ou minigeração distribuída. Os créditos de energia gerados e injetados na rede pelo sistema são divididos entre esse grupo de consumidores.
Energia solar foi regulamentada no Brasil em 2012, mas somente em 2015 algumas empresas começaram a se destacar e nos últimos três anos o setor apresentou um crescimento expressivo

Equipamento chamado de reversor que transforma a corrente contínua gerada pelos painéis em corrente alternada, que é usada para abastecer o imóvel (Foto: Divulgação)
Implantação de sistemas de energias solar ocorre em grande volume em todos os municípios da microrregião, mas se destacam Marechal Rondon, Pato Bragado, Mercedes e Nova Santa Rosa
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