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Dengue gera alerta na 20ª Regional: Nova Santa Rosa e Santa Helena lideram no número de casos

calendar_month 19 de março de 2022
8 min de leitura

À luz do dia, ele não se acanha perto de aglomerações e até prefere o movimento da cidade ao invés da calmaria do interior. Medindo menos de um centímetro, o vilão de corpo preto e listras brancas se alimenta de sangue humano, atacando suas vítimas geralmente ao amanhecer e entardecer – mas oportunista como é, também age em ataques noturnos. A “fera” em questão tem nome e sobrenome: Aedes aegypti.

O mosquito é responsável pela transmissão de zika, chikungunya e dengue, esta, por sinal, é bastante conhecida dos moradores da região Oeste do Paraná. Mesmo que a situação epidemiológica da doença ainda seja “confortável”, começa a preocupar na 20ª Regional de Saúde.

Conforme dados atualizados na quarta-feira (16), a Regional acumula 152 casos confirmados como dengue nos 18 municípios, que são Assis Chateaubriand, Diamante d’Oeste, Entre Rios do Oeste, Guaíra, Marechal Cândido Rondon, Maripá, Mercedes, Nova Santa Rosa, Ouro Verde do Oeste, Palotina, Pato Bragado, Quatro Pontes, Santa Helena, São José das Palmeiras, São Pedro do Iguaçu, Terra Roxa, Toledo e Tupãssi.

 

Abaixo do esperado

“Diante dos números apresentados nos relatórios, a situação está sob controle na 20ª Regional de Saúde. Analisando a série histórica, os índices se encontram abaixo do esperado para o período”, considera o chefe da Divisão de Vigilância em Saúde, Felipe Hofstaetter Zanini.

Ao Jornal O Presente, ele frisa que a região é endêmica, então todos os anos há casos de dengue. “O que precisamos observar é como conduzir a situação. Esperamos que isso (a situação epidemiológica atual, que é confortável) não acomode as equipes dos municípios e a população para que não haja um revés”, pontua.

 

Nos municípios

Nova Santa Rosa tem 95 casos e é o município com mais confirmações para dengue na 20ª Regional, com incidência de 206 casos por 100 mil habitantes (em matéria divulgada na sexta-feira, 18, o município já tinha 334 casos – confira). Na sequência está Santa Helena, que tem 16 casos e incidência de 49 a cada 100 mil habitantes. O terceiro município com mais casos é Guaíra, com 14 registros e incidência de 12.

Mercedes ocupa o 4º lugar no ranking de casos confirmados de dengue na Regional, com sete casos. Contudo, o índice de incidência é o 2º maior (108 a casa 100 mil habitantes).

Há pouco mais de um mês, Marechal Rondon era o município com mais casos de dengue na 20ª Regional, porém a situação se manteve estabilizada e o número passou de três para quatro.

Por outro lado, alguns municípios seguem sem casos de dengue confirmados: Diamante D’Oeste, Ouro Verde do Oeste, Pato Bragado, São José das Palmeiras, São Pedro do Iguaçu, Terra Roxa e Tupãssi.

Nova Santa Rosa é o município com mais conformações para dengue na 20ª Regional: ruas recebem aplicação de inseticida para impedir a propagação do mosquito (Foto: Divulgação)

 

Surtos pontuais

De acordo com Zanini, há situações pontuais de surtos em municípios. “Estamos em alerta, mas percebemos também que é possível, com trabalho e responsabilidade de gestor e população, manter o controle”, assegura.

Intensidade e evolução dos quadros epidemiológicos são variáveis que precisam ser acompanhadas de perto pelos municípios, considera o chefe da Divisão de Vigilância em Saúde da 20ª Regional. “O dano é menor quando as estratégias de controle do vetor são permanentes e a estrutura e os fluxos de atendimentos estão claros para gestão, equipes de saúde e população. Acreditamos que o que foi vivenciado no ano epidemiológico de 2019/2020 nos deixou bastante preparados para este enfrentamento”, considera.

Chefe da Divisão de Vigilância em Saúde da 20ª Regional de Saúde, Felipe Zanini: “Acreditamos que o que foi vivenciado no ano epidemiológico de 2019/2020 nos deixou bastante preparados para este enfrentamento”

 

Estou com dengue?

Febre alta, sinais de desidratação, manchas avermelhadas na pele, dor no corpo, olhos e articulações. Esses são os sintomas clássicos da dengue, mas, segundo Zanini, é preciso fazer exames complementares para o diagnóstico. “Há relatos de testagem ‘falso positivo’ tanto para Covid-19 quanto para dengue. Então, é importante a confirmação para ter a conduta clínica médica mais adequada”, orienta.

O contato da população com a equipe de saúde é uma ferramenta essencial para o controle da dengue nos municípios. “É imprescindível que o cidadão busque o atendimento tanto para que seu acompanhamento seja adequado e a condição clínica não evolua para um quadro grave quanto para que seja notificada sua positividade. Com o registro, as equipes de Vigilância Epidemiológica e equipes de Endemias podem traçar estratégias de controle da transmissão da doença por localidade”, expõe, acrescentando que ações de bloqueio químico, busca e eliminação de criadouros e arrastões de limpeza reduzem a infestação do vetor Aedes aegypti.

 

Nova Santa Rosa não tinha número tão alto de casos há mais de dois anos

De acordo com o secretário de Saúde de Nova Santa Rosa, vice-prefeito Noedi Hardt, o atual cenário epidemiológico da dengue no município representa um desafio, justamente por coincidir com a pandemia da Covid-19. “Há mais de dois anos não tínhamos um número tão alto de casos. Infelizmente, vivemos essa situação nesse momento”, lamenta.

Apesar do pico da dengue, Hardt afirma que as atividades de prevenção nunca pararam. “No ano passado fizemos mais de quatro arrastões e neste ano já tivemos mais de 11 caminhões de entulhos recolhidos. Nosso trabalho nunca parou. Foram feitas visitas dos agentes de endemias, em especial em pontos estratégicos, ou seja, nos lugares mais críticos, além de orientações nas escolas”, comentou, ampliando: “No momento, estamos fazendo bloqueio em toda a cidade com bomba costal motorizada, passando em todas as ruas”.

Ele diz que toda a população precisa se unir para a eliminação do mosquito. “Pedimos que população ajude e colabore conosco, limpe seus quintais e se organize para que não tenham nenhum criadouro para o Aedes aegypti”, conclama.

Secretário de Saúde de Nova Santa Rosa, vice-prefeito Noedi Hardt: “Estamos fazendo bloqueio em toda a cidade com bomba costal motorizada, passando em todas as ruas” (Foto: Divulgação)

 

Epidemia de dengue não é descartada em Santa Helena

O secretário de Saúde de Santa Helena, Daltro Alexandre Neis, declarou ao Jornal O Presente que o cenário é de alerta no município. “Nosso LIRAa atual é de 8,1%, sendo que o preconizado pelo Ministério da Saúde é de 1%. Apesar de toda força-tarefa realizada pela equipe dos agentes de endemias, devemos, sim, nos preocupar pelos altos índices de exames positivos da doença. São 16 casos positivos e mais de 100 aguardando resultado de exame”, relatou.

Assim como em 2021, o período de chuvas e altas temperaturas é propício para a proliferação de focos do mosquito e a situação epidemiológica parece se agravar. “Estamos caminhando para um cenário de epidemia de dengue, pois as notificações e a procura por atendimento nas Unidades de Saúde não param de aumentar”, salienta.

Arrastão contra a dengue mobiliza agentes e população em Santa Helena, município que ocupa o 2º lugar na Regional em casos confirmados

 

“Fizemos o dever de casa”

O secretário diz que mesmo durante a pandemia os trabalhos contra o mosquito não cessaram. “Há muito tempo Santa Helena não virava o ano sem nenhum caso confirmado de dengue. Graças ao trabalho dos agentes de endemias, iniciamos 2022 sem nenhum caso confirmado. No fim de 2021, a equipe realizou uma grande mobilização de limpeza dos prédios públicos, notificando e multando os secretários municipais que não tomassem medidas de prevenção e eliminação dos focos da dengue que foram constatados pela equipe”, relembra.

Ele ressalta que a municipalidade fez o dever de casa e cabe à população cumprir com a sua parte em termos de prevenção. “O município conta com 19 agentes ambientais, número muito acima daquilo que é recomendado pelo Ministério da Saúde. Além disso, temos o apoio de uma equipe terceirizada, responsável pela recolha dos lixos e material inutilizável que possam acumular água. Com os primeiros casos confirmados da doença, a atenção foi redobrada nas áreas mais críticas com arrastões e orientação da população. Nas madrugadas e início das noites, os agentes realizam o bloqueio com inseticidas para garantir a segurança da população das localidades com notificações”, informa, emendando que a mobilização será estendida em todo o território municipal.

No que cabe à população santa-helenense, Neis afirma que alguns minutos de cuidado por dia podem fazer a diferença para impedir a propagação do mosquito. “Nossa legislação permite multar o cidadão que não cumprir com o dever de eliminar os focos da dengue. É preciso, nesse momento, de uma força-tarefa entre o Poder Público e a sociedade para que nosso sistema de saúde não entre em colapso”, finaliza.

Secretário de Saúde de Santa Helena, Daltro Neis: “Nosso LIRAa atual é de 8,1%, sendo que o preconizado pelo Ministério da Saúde é de 1%. Devemos, sim, nos preocupar. São 16 casos positivos e mais de 100 aguardando resultado de exame” (Foto: Divulgação)

 

(Arte: O Presente)

 

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