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Depois da chuva, está tudo pronto para o plantio da soja em Rondon e região

calendar_month 6 de setembro de 2019
5 min de leitura

A poucos dias do fim do vazio sanitário, período médio de 90 dias em que não se pode manter plantas vivas de soja no campo para reduzir a sobrevivência do fungo causador da ferrugem asiática durante a entressafra e assim atrasar a ocorrência da doença na safra, os produtores rurais de Marechal Cândido Rondon e microrregião entram na contagem regressiva para o plantio da soja visando à safra 2019/2020, ainda mais depois da chuva registrada no fim de semana, após meses de estiagem.

A família Amorim, de Linha Belmonte, no distrito rondonense de Novo Horizonte, está com boas expectativas para a safra de verão. Trabalhando exclusivamente com grãos, os rondonenses costumam cultivar 70 alqueires, entre área própria e arrendada, dos quais 13 com mandioca e outros 57 com soja, que será plantada nos próximos dias.

“A estiagem severa na safra 2018/2019 baixou a colheita para 60 sacas de soja por alqueire. Nós colhemos apenas 3,6 mil sacas nos 60 alqueires cultivados, o que não chegou a cobrir todas as despesas”, lembra o agricultor Romildo Amorim.

No entanto, o bom desempenho com o milho safrinha amenizou o “baque” da safra de verão. “Colhemos uma média de 289 sacas de milho safrinha nos 60 alqueires cultivados, então a safra cheia compensou a quebra que tivemos início do ano”, destacou ao O Presente.

Focados em uma colheita com bom rendimento no início de 2020, o produtor e sua família vão investir em torno de R$ 170 mil nas sementes de soja, além de adubo e defensivos. “Início do ano teve quebra na soja, mas o milho safrinha deu bom resultado. Até poucos dias tinha estiagem e a chuva do fim de semana, que foi de 38 milímetros na propriedade, deixou todos nós animados para uma ótima colheita de soja. Nós adquirimos uma plantadeira nova e outro trator, pois apostamos em uma colheita média de 150 sacas de soja por alqueire”, revela, emendando que “muitas áreas já receberam herbicida, para que depois de cinco ou seis dias seja feita a dessecação e em seguida o plantio”.

 

Produtor Romildo Amorim, da Linha Belmonte: “Até poucos dias tinha estiagem e a chuva do fim de semana, que foi de 38 milímetros na propriedade, deixou todos nós animados para uma ótima colheita de soja” (Foto: Joni Lang/OP)

 

PLANTIO ANTECIPADO

O engenheiro agrônomo Cristiano da Cunha, da Agrícola Horizonte, ressalta que os produtores rurais devem respeitar o período de vazio sanitário, que vigora até a próxima terça-feira (10). “Até este dia não pode ter planta de soja emergida, porém o agricultor que optar pode fazer o plantio pelo dia 05, 06 e 07 (quinta a sábado) porque não vai emergir (nascer) até o dia 10. As áreas preparadas com uma variedade que tolera o plantio antecipado estão aptas a receber o cultivo, porque vai emergir a partir do dia 11”, expõe.

Cunha destaca que alguns produtores fizeram o manejo de pós-colheita, ou seja, eliminaram as plantas daninhas depois da colheita, enquanto outros escolheram o pousio de inverno deixando as plantas daninhas na área. “São formas diferentes de manejar esta lavoura. Eu prefiro que o agricultor deixe o pousio de inverno, com as plantas daninhas naquela área porque elas servem como proteção do solo, também desfazem a descompactação do solo e servem como rotação de cultura, algo praticamente inexistente na região. A gente faz sucessão de soja e milho, então as plantas daninhas no inverno de certa forma ‘agem’ como uma rotação de cultura”, enaltece.

A considerar que a fase é de abertura do plantio, as cultivares de soja são variedades com ciclo um pouco mais longo, com duração de 130 dias entre plantio e colheita. “Então o agricultor que optar por plantar dia 05 ou 06 vai colher entre os dias 15 a 20 de janeiro. Esta primeira leva de plantio deve somar 10% das propriedades, outros 60% de 10 a 20 de setembro e mais 20% dos dias 21 a 30, aí a gente já vai para praticamente 90% da área semeada. Se o clima correr de acordo e tiver chuvas nesse mês, os últimos 10% plantam no mês de outubro”, diz.

 

PREVENÇÃO

A estiagem que se prolongou por ao menos dois meses terminou no fim de semana, haja vista que sábado (31) e domingo (1º) a chuva somou 60 milímetros em Marechal Rondon. “A chuva ajuda, pois o solo recebeu de novo uma quantidade de água significativa, apesar de ter sido esparsa. Tivemos 60 milímetros em Marechal Rondon, quando nos arredores e distritos a precipitação foi de 18 milímetros, caso de Bom Jardim, ou então 25 milímetros, portanto foi bastante irregular. Os 60 milímetros são um volume bem significativo e permitem o plantio, já nessas áreas com 18 milímetros é possível realizar o plantio, no entanto é necessário uma chuva posterior para complementar”, pontua.

O agrônomo comenta que os produtores seguem acompanhando a previsão do tempo, todavia, devem estar atentos a uma possível estiagem, uma vez que a tendência é de que a chuva volte ao normal entre outubro e novembro. “O agricultor precisa fazer o seguro da lavoura, porque em relação ao clima não tem o que fazer, daí a importância de estar amparado pelo Proagro. Quem não tiver Proagro tem a possibilidade de contratar seguro para a lavoura, ficando coberto em relação a riscos como estiagem e chuva de granizo, ou seja, qualquer intempérie climática que vier a ocorrer durante o ciclo da cultura”, frisa.

 

INSUMOS

Cunha diz que a aquisição dos insumos por parte dos agricultores ocorreu, em sua maioria, há quatro ou cinco meses. “As empresas possuem logística para entrega de fertilizantes, sementes e herbicidas para dessecação, de modo que tudo é feito antecipado. Lógico que existe algum repique nesta época porque eventualmente falta um ou outro produto, bem como um pequeno volume que o agricultor pede a mais neste momento para fechar uma área, além de uma alteração de dose”, conclui.

 

O Presente

 

Engenheiro agrônomo Cristiano da Cunha: “Os 60 milímetros são um volume bem significativo e permitem o plantio, já nas áreas com 18 milímetros é possível realizar o cultivo, no entanto estes locais necessitam uma chuva posterior para complementar” (Foto: Joni Lang/OP)

 

 
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