Um projeto inovador com o propósito de gerar energia sustentável através de um passivo ambiental. Assim pode ser definida a Minicentral Termelétrica de Biogás de Entre Rios do Oeste.
A usina completa hoje (24) um ano de implantação, e ao longo desse tempo, o projeto inédito de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) no Brasil se tornou modelo de geração distribuída de energia elétrica a partir do biogás produzido com dejetos da suinocultura.
Idealização, desenvolvimento, execução e suporte técnico para a instalação de toda a estrutura ficaram por conta de uma parceria entre o Governo do Estado, Companhia Paranaense de Energia (Copel), Itaipu Binacional, Parque Tecnológico Itaipu (PTI), Centro Internacional de Energias Renováveis (CIBiogás) e prefeitura.
Conforme o secretário de Saneamento Básico, Energias Renováveis e Iluminação Pública, Carlos Eduardo Lewandowski, durante o primeiro ano de implantação da minicentral foi gerado um milhão de metros cúbicos de biogás, o que corresponde a 1.100 megawatts de energia elétrica.
NÚMEROS
O biogás gerado nas 18 propriedades rurais que integram a rede chega à minicentral através de gasodutos e serve de combustível para movimentar os dois geradores que produzem a energia, que é direcionada para a rede elétrica da Copel e abastece 66 espaços públicos da cidade. O excedente é transformado em crédito para o município. “Cada unidade consumidora abate seu percentual conforme um cronograma e uma quantidade fica como crédito, e ele vai sendo compensado nas demais faturas”, explica Lewandowski.
De acordo com ele, a energia produzida no primeiro ano representou economia de R$ 461 mil aos cofres do município, cerca de 30% do total consumido pela prefeitura. “O objetivo para o futuro do projeto é ampliar essa geração para que possamos gerar mais energia e diminuir ainda mais a fatura da prefeitura”, afirma.
“ORGULHO QUE DEU CERTO”
O prefeito Jones Neuri Heiden avalia como positivo o primeiro ano de existência do projeto. “Provamos que realmente acertamos na escolha de não administrar isso aqui de uma forma política e sim de maneira privada”, evidencia.
Conforme Heiden, o primeiro ano da minicentral serviu para mostrar sua viabilidade econômica. “Podemos dizer hoje com muito orgulho que deu certo. É um projeto que está em andamento e tem muito o que crescer”, ressalta.
Heiden, que está finalizando o seu segundo mandato à frente da prefeitura, espera que a próxima gestão dê continuidade ao que foi feito. “Acho que esse tem que ser o perfil do próximo prefeito para que esse projeto amplie e possamos atender novas propriedades rurais, pois temos mais de 100 produtores no município. E com isso possamos resolver os problemas de passivos ambientais gerados pela suinocultura”, enaltece.
ASSOCIAÇÃO
Com a intenção de organizar e conduzir os interesses dos produtores, foi criada em setembro do ano passado a Associação de Produtores de Biogás (Aprogás).
Segundo o presidente Claudinei Jardel Stein, os resultados obtidos até agora superaram as expectativas dos produtores e sanaram quaisquer dúvidas a respeito da viabilidade do projeto. “Podemos dizer hoje com toda a firmeza para as pessoas que não confiaram ou não tinham conhecimento do projeto: funciona! E a gente consegue produzir muito gás e também não polui mais o meio ambiente”, frisa.
Stein é o proprietário da granja Santo Expedito, onde 7,4 mil suínos produzem dejetos suficientes para gerar em torno de oito mil metros cúbicos por mês de biogás, o suficiente para praticamente zerar a conta de energia da propriedade.
Segundo o entrerriense, a expectativa é ampliar a rede de produtores, inclusive, ele revela que já foi procurado por suinocultores interessados em participar do projeto. “Claro que para poder ampliar demanda muitas outras coisas e de momento sabemos que não vai ter como fazer isso, mas no futuro a ideia é ampliar esse projeto e produzir muito mais biogás dentro do município”, expõe.
SUSTENTABILIDADE
O coordenador de Planejamento Energético do CIBiogás, Breno Pinheiro, conta que o projeto nasceu como um grande desafio técnico, político e comercial para sua implantação, no entanto, após um ano de operação, o projeto se mostrou comercialmente viável. “Conseguimos consolidar esse modelo de negócio. Ele está mostrando que é sustentável e que tem um retorno econômico”, destaca.
De acordo com Pinheiro, os produtores estão conseguindo pagar o financiamento que foi feito inicialmente para a construção dos biodigestores e a prefeitura está integrada ao processo através da compra do biogás e da geração de energia elétrica. “O projeto é um sucesso não somente pelo seu caráter técnico e comercial, mas por essa integração que houve da sociedade”, considera.
O Presente