
O empresário Fernando Mantovani acaba de imprimir uma nova logomarca no portfólio que já agrega mais de 2 milhões de metros quadrados construídos e entregues.
A marca tem três letras: FJM, acrônimo para Fernando e Juliana Mantovani. A sigla irá designar a nova área de atuação do grupo, focada em condomínios premium.
O primeiro está sendo lançado no dia 26 de novembro na rua Jorge Lacerda, o Bella Garden Residencial. Responsável pelo desenho dos condomínios, Juliana Mantovani se inspirou nas viagens internacionais do casal, principalmente nos EUA, onde a família mantém negócios.
Nessa entrevista, Fernando dimensiona o impacto econômico da construção de um condomínio e revela a recente negociação com Itaipu que irá transferir os cavalos de seu Haras para muito além de Terra Roxa. Acompanhe:
R$ 210 MILHÕES
A sociedade e nossos líderes políticos precisam entender melhor o impacto econômico espraiado de um condomínio. Cito o exemplo do Bella Garden, que estamos lançando agora na Jorge Lacerda: 98 sobrados edificados lá, média de 180 metros quadrados cada, a R$ 12 mil o metro, projeto um aporte somado de R$ 210 milhões.
IMPACTO ECONÔMICO
Esse dinheiro todo vai se direcionar para uma cadeia imensa de prestadores de serviços e comércio. É o servente, o pedreiro, o engenheiro, arquiteto, corretor de imóveis, o jardineiro, a secretária do lar, e principalmente para os três níveis de governo em forma de impostos, Prefeitura, Estado e União. Bem administrado, esse recurso volta em forma de serviços públicos para toda população. É dinheiro na veia da economia.
CIPOAL DE IMPOSTOS
Governantes precisam entender que estimular e fazer rodar essa cadeia gera também muito tributo: é ITBI, ICMs, Issqn, IPTU, INSS, enfim, um cipoal sem fim de impostos que irão abastecer os cofres públicos. E isso pode se traduzir em benfeitorias para toda população. Sem dizer que empreendimentos imobiliários modernizam e embelezam as cidades. Pela sua localização, na entrada da cidade, o Bella Garden será um cartão de visitas de Cascavel.
DINHEIRO ENGESSADO
O empreendedor precisa ser visto e entendido como gerador de riquezas, empregos e oportunidades. O loteador, incorporador ou investidor trazem o desenvolvimento social e econômico. Governos precisam olhar com carinho para esse segmento, tirar os entraves, deixar mais fluído para destravar aportes bilionários que estão paralisados e engessados.
INDÚSTRIA DA CONSTRUÇÃO
A cadeia da construção civil é gigantesca, movimenta este país. O agro é importante e fundamental em nossa região, mas é preciso compreender que o segmento da construção paga mais imposto para o município e envolve uma cadeia imensamente maior.
ENTRAVES
Em regra o pessoal da Prefeitura e mesmo os vereadores são muito prestativos conosco, nos recebem bem e fazem o que está no alcance para agilizar os projetos. O entrave está no licenciamento ambiental. E não está nas pessoas que lá atuam. Está na falta de servidores. A regiona de Cascavel do IAT, por exemplo, atende dezenas de municípios da região. Faltam braços. É 180 dias de prazo para analisar, 180 dias para responder, quando vê se passaram anos.
DESISTÊNCIA
A maioria dos empreendedores do meu setor desiste no meio do caminho esperando licença. Eu mesmo, com mais de 2 milhões de metros quadrados executados em Cascavel e mais oito municípios, pensei seriamente em convocar meu pessoal e anunciar o fechamento da empresa. Vejo muitos outros empresários na mesma situação. Tenho milhões em recursos aportados e imobilizados e não consigo fazer rodar.

DINHEIRO NO AR
Olha para a taxa Selic a 15% e vejo muitos potenciais empreendedores recolhendo o dinheiro no banco. Chamam isso de colocar o dinheiro no ar condicionado para trabalhar para você. Se todos fizerem isso, como fica a economia do país? Amigo meu está recebendo 1,51% ao mês na aplicação. Ele chegou pra mim e disse: – Por que você ainda está se incomodando, eu coloquei o dinheiro para trabalhar pra mim! Faz todo sentido, R$ 10 milhões aplicados em médio prazo rendem R$ 150 mil mensais e dobram o capital em uma década.
OUTRA PEGADA
Esse seria um caminho fácil para mim, mas não nasci para isso. Sou contra por o dinheiro no ar condicionado. Sou a favor de por o dinheiro para trabalhar gerando empregos e oportunidades para as pessoas. Estou aprovando nove empreendimentos simultaneamente, seis deles em Cascavel. Minha pegada é outra. O dinheiro pelo dinheiro não faz sentido. Fará sentido se cumprir também uma função social e econômica para nossa comunidade.
INDENIZAÇÃO DE ITAIPU I
Sim, vendi a área do Haras Mantovani em Terra Roxa para Itaipu. Não pagaram o preço que os proprietários queriam receber, mas indenizaram, não tomaram nada de ninguém. É uma compensação justa para os povos originários. Eu posso criar cavalos em Guaíra, Cascavel, São Paulo ou até no Texas, onde já estou criando alguns animais.
INDENIZAÇÃO DE ITAIPU II
Os indígenas são originários daquela região, a história deles está ali, os antepassados, o território que foi alagado pelo reservatório, colocando embaixo da água séculos das tradições e trajetória deles. O lugar tem um significado espiritual e comunitário para eles. Aplaudo Itaipu e sou criticado pelos fazendeiros daquela região por concordar com as indenizações. A reparação significa centavos perto do faturamento de Itaipu. São centavos para quitar uma dívida histórica.

Por Jairo Eduardo. Ele é jornalista, editor do Pitoco e assina essa coluna semanalmente no Jornal O Presente
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