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Entre Rios do Oeste se destaca no mapa da sustentabilidade

calendar_month 11 de março de 2022
6 min de leitura

Um projeto de encher os olhos ao mostrar que agronegócio e meio ambiente podem andar lado a lado. Em 2019, a Minicentral Termelétrica a Biogás de Entre Rios do Oeste foi inaugurada e, de lá para cá, tem demonstrado que é possível produzir alimento de forma sustentável. Por meio do tratamento dos resíduos provenientes da suinocultura são gerados biogás e energia elétrica.

O projeto se tornou referência nacional e, ontem (10), o município recebeu a visita do ministro do Meio Ambiente, Joaquim Leite, que estava acompanhado do secretário estadual do Desenvolvimento Sustentável e do Turismo, Márcio Nunes, a da presidente da Comissão da Agricultura na Câmara dos Deputados, deputada paranaense Aline Sleutjes. Recepcionada pelo prefeito Ari Maldaner e demais lideranças municipais, a comitiva fez uma visita técnica à minicentral.

Ao Jornal O Presente, o ministro relatou que o biofertilizante gerado neste processo é uma alternativa para a dependência que o agronegócio tem hoje do fertilizante e, mais do que isso, uma solução climática. “Estamos visitando a região para encontrar soluções que já estão funcionando e que têm tecnologia para expandir em 100, 200, 300 projetos como este. A geração do biogás vira energia, aquilo que era resíduo vira energia, e vira biofertilizante. É uma ótima solução para este momento e uma solução climática lucrativa”, declarou. “Conversamos com o prefeito e com a deputada e vimos que os produtores rurais estão investindo recurso, mas estão tendo lucro com essa atividade de transformar resíduo em energia e biofertilizante”, acrescentou.

Leite ressaltou que o exemplo de Entre Rios do Oeste pode servir de incentivo para replicar o projeto em outras regiões do país. “O Oeste do Paraná está mostrando que tem soluções lucrativas para o produtor, com cuidado aos rios e, ao mesmo tempo, transformar aquilo que era um resíduo, que seria despejado nas águas, em uma atividade econômica que gera emprego verde. Tudo o que vemos neste projeto são empregos verdes sendo gerados na região”, elogia.

Ministro Joaquim Leite foi recepcionado pelo prefeito Ari Maldaner e outras lideranças (Foto: Sandro Mesquita/OP)

 

Dilema dos fertilizantesEm meio à guerra na Ucrânia, a qual tem colocado em xeque se o Brasil conseguirá receber fertilizante importado da Rússia para atender a demanda da agricultura brasileira, o debate do projeto que prevê a extração de minério em terras indígenas esquenta as discussões no Congresso Nacional.

Conforme o ministro, não só essa, como outras matérias têm como objetivo regularizar as diversas atividades. “Uma atividade regular como essa que estamos vendo aqui, é uma atividade que cuida do meio ambiente. Importantíssimo regularizar as atividades de uma forma racional para que a gente traga desenvolvimento e lucro para os produtores da região, por exemplo. Com essa atividade regularizada eles vão poder tratar resíduos, transformando-os em bioenergia e, no futuro, até em biocombustíveis. Essa é a inovação e soluções climáticas para a região”, declarou.

Ministro do Meio Ambiente, Joaquim Leite: “Estamos visitando a região para encontrar soluções que já estão funcionando e que têm tecnologia para expandir” (Fotos: Sandro Mesquita/OP)

 

Segurança jurídica

A presidente da Comissão da Agricultura na Câmara, deputada federal Aline Sleutjes, por sua vez, complementou que o projeto visa dar tranquilidade e segurança jurídica, por isso da importância de o assunto ser discutido no Congresso Nacional. “As nossas reservas minerais estão hoje em lugares que não podem ser extraídas. Temos 7,6% do nosso território sendo plantado, cultivado e alimentando o Brasil e o mundo, e 14% de área indígena não sendo utilizada para nada. Em muitas destas aldeias e muitos destes índios querem produzir, mas hoje a legislação brasileira engessa. Então precisamos dar condições. Se eles querem ou não fazer seus investimentos e a exploração, é um desejo e no futuro eles (índios) vão decidir. No entanto, podemos ajudar com a legislação ao possibilitar essa alternativa. Se queremos ser independentes, principalmente na questão dos fertilizantes e insumos, pois hoje somos extremamente dependentes, precisamos dar condições do Brasil fazer suas explorações, com racionalidade, respeitando o meio ambiente, trabalhando junto, pois agro e meio ambiente são intimamente ligados”, argumenta, citando que atualmente o Brasil importa 85% dos insumos agrícolas, sendo que antes o país produzia 80% do que utilizava no agronegócio. “Precisamos estar sempre alinhados, porque o agro protege o meio ambiente e o meio ambiente depende do agro”, frisa.

Presidente da Comissão da Agricultura na Câmara, deputada federal paranaense Aline Sleutjes: “Se queremos ser independentes, principalmente na questão dos fertilizantes e insumos, pois hoje somos extremamente dependentes, precisamos dar condições do Brasil fazer suas explorações” (Foto: Divulgação)

 

Município já planeja expansão do projeto do biogás

Em cerca de um ano, as 17 propriedades rurais que integram o projeto da Minicentral Termelétrica a Biogás de Entre Rios do Oeste ampliaram o plantel de suínos, passando de 36 mil cabeças para 41 mil, refletindo em mais produção do biogás.

O secretário municipal de Saneamento Básico, Energias Renováveis e Iluminação Pública, Carlos Eduardo Levandowski, explica que esse aumento no plantel representou em torno de mil metros cúbicos a mais. “A estimativa de recebimento era de 3 a 3,5 mil metros cúbicos por dia e hoje está em quase 4,5 mil metros cúbicos. Os números são variáveis, porque dependem das questões climáticas e do sistema em si. Porém, refletem no aumento da geração de energia. Se antes era de 60 megawatts por mês, hoje está entre 90 e 120 megawatts”, revela.

A energia produzida pela usina é utilizada hoje em 43 prédios públicos, como a prefeitura, centro de eventos e colégio municipal, que representam unidades que mais consomem e com valor agregado maior. “A expectativa é de que com estes resultados mais produtores passem a integrar o projeto. Estamos buscando meios de viabilizar isso e fazer a conexão com mais propriedades. Há a possibilidade, ainda, de um segundo projeto, algo que será analisado pelos técnicos. É possível, sim, a ampliação do projeto”, destaca.

Para Levandowski, a visita do ministro do Meio Ambiente mostra a força do município na suinocultura, por meio do biogás, e coloca Entre Rios do Oeste no mapa como uma cidade que se destaca na geração de energia por um meio sustentável. “Essa vinda do ministro agrega uma valorização para Entre Rios”, resume.

Secretário de Saneamento Básico, Energias Renováveis e Iluminação Pública de Entre Rios do Oeste, Carlos Eduardo Levandowski: “A expectativa é de que com estes resultados mais produtores passem a integrar o projeto” (Foto: Sandro Mesquita/OP)

 

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