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Estiagem histórica realça poder da irrigação na agricultura

calendar_month 26 de agosto de 2020
6 min de leitura

Quem planta e faz o manejo adequado da sua lavoura almeja colher uma safra de ótima produtividade. Contudo, colheitas satisfatórias dependem de uma série de fatores, sendo os recursos hídricos um dos principais deles.

A água é um dos elementos básicos e mais importantes para a atividade agrícola, uma vez que a deficiência dela impacta profundamente os resultados da produção.

Em tempos de irregularidade de chuvas e períodos de estiagem, tecnologias que somam neste sentido são sempre lembradas, pois se apresentam como uma alternativa ao problema. É o caso dos sistemas de irrigação, grandes aliados do produtor rural.

A irrigação é uma prática agrícola que utiliza um conjunto de equipamentos e técnicas para suprir a deficiência total ou parcial de água para as culturas plantadas. A prática consiste no fornecimento artificial de determinada quantidade de água ao solo em uma área específica e no momento certo para criar umidade ideal para o desenvolvimento das culturas.

Essa técnica de fornecimento de água, quando utilizada em conjunto com as demais boas práticas agronômicas, permite alcançar máxima produção.

 

NÃO TÃO COMUM NO OESTE

Bastante difundida Brasil afora, a irrigação não é uma prática muito comum nas lavouras do Oeste do Paraná. Apesar da baixa adesão à técnica, alguns agricultores da região têm investido no sistema, que, segundo profissionais da área, garantem aumento na produtividade e safras com maior rentabilidade.

Conforme engenheiros agrônomos ouvidos pela reportagem de O Presente, os resultados satisfatórios da irrigação geram incremento médio de 30% a 50% quando comparados aos de lavouras onde o sistema não é utilizado. Em tempos de estiagem severa, como o atual vivido no Paraná, o agricultor que utiliza a tecnologia pode alcançar uma safra 90% maior do que as cultivadas em áreas não irrigadas.

 

TRÊS SAFRAS

A família Wagner, de Nova Santa Rosa, possui cerca de 50 alqueires de terra com sistema de irrigação na Fazenda Jaguarundi. O produtor Joni Eduardo Wagner diz que a irrigação proporciona colher até três safras no período de um ano, além de uma melhor produtividade. “Atualmente nossa área conta com trigo, mas fazemos o cronograma dessa área com soja, semente de milho híbrido e trigo”, comenta.

Os benefícios observados, segundo ele, são estabilidade, pontualidade e sustentabilidade. “Estabilidade pela garantia do investimento feito na lavoura, pontualidade pelo cronograma da área a ser implantada a cultura e sustentabilidade por haver pouquíssimo desperdício de fertilizante e agroquímico, o que resulta em uma boa produtividade”, salienta Wagner ao O Presente.

 

TOTAL DIFERENÇA

Na propriedade da família Gressler, situada na Linha Guará, interior de Marechal Cândido Rondon, dez dos 44 alqueires são irrigados. “Percebo que no caso do milho a área irrigada tem produtividade em média 30% a 50% superior quando comparada à lavoura não irrigada”, expõe o produtor Clóvis Gressler Júnior.

Neste ano de quebra média de 50% na safrinha de milho em Marechal Rondon e região devido à estiagem prolongada, Júnior ressalta que a irrigação por meio de pivô possibilitou que a família colhesse 300 sacas por alqueire, enquanto na área não irrigada a média foi de 200 sacas por alqueire. Já no último ano, de safra cheia, a área irrigada proporcionou produtividade de 400 sacas por alqueire, enquanto a área não irrigada somou em torno de 320 sacas.

“O sistema de irrigação faz total diferença. Não adianta plantio, dessecação, uso de fungicida correto e o manejo mais eficaz se falta chuva. Com a irrigação a gente consegue fazer esse auxílio. Não é a mesma coisa do que a chuva, mas quando há falha de precipitação nós entramos no meio com a irrigação”, expõe o rondonense.

 

CONFIANÇA

Para o agricultor, o sistema de irrigação é garantia de safra boa, diferente do cultivo em áreas não irrigadas, que gera preocupação quando da irregularidade ou escassez de chuva e, muitas vezes, perdas significativas em termos de produtividade e até mesmo na qualidade dos grãos. “O sistema de irrigação por pivô exige manutenção como outro equipamento, e apesar de o investimento financeiro ser razoável, vale a pena pelos resultados”, avalia. “No nosso caso temos uma lâmina d’água de oito mil metros quadrados com minas nascentes que represam água e bombeiam ao pivô de irrigação, que conta com vazão de 130 a seis mil litros por hora. O pivô possui base fixa no centro e seis rodas que fazem deslocamento em círculos com ângulo de 360º, mas que molha a 280º e irriga uma área de 312 metros”, detalha.

De acordo com Júnior, um fator que limita a irrigação é a água disponível, o que é influenciado pelas chuvas. “Nós irrigamos a lavoura para possibilitar emergência uniforme da cultura e intercalamos entre uma e outra chuva, complementando onde há estresse hídrico. Notamos que o incremento da irrigação é satisfatório, então se der frustração de safra em uma área não irrigada, a lavoura irrigada cobre quase totalmente a outra, gerando grande confiabilidade. A área irrigada é sempre a melhor lavoura colhida, tanto na produtividade quanto na qualidade dos grãos”, enaltece o produtor.

 

MELHOR PRODUTIVIDADE

O engenheiro agrônomo Cristiano da Cunha salienta que o sistema de irrigação é uma garantia para o homem do campo. “Ele não precisa fazer uso da tecnologia quando não há necessidade, mas em épocas de estiagem crítica a irrigação possibilita que o agricultor salve sua lavoura”, enfatiza.

Cunha comenta que quando há regularidade de chuva, a produção em área irrigada e em área não irrigada tende a se equivaler. “Mas em um ano de estiagem severa, como em 2020, a diferença na rentabilidade chega a 90% em uma área irrigada quando comparada com uma lavoura não irrigada”, destaca.

O agrônomo lembra que o agricultor precisa estar atento ao manejo do solo tanto na área irrigada como na não irrigada, pensando em uma eventual estiagem. “Através da correção do solo, acidez, do equilíbrio dos níveis de nutrientes e da correção do perfil do solo em profundidade o agricultor ajuda a planta a resistir melhor na estiagem. A área irrigada viabiliza fornecer água para a planta se desenvolver normalmente”, pontua.

 

PREVISÃO

Em relação à estiagem, que já dura um ano no Paraná e não deve dar trégua até a primavera, Cunha ressalta que é preciso cautela, considerando que as projeções são baseadas em modelos matemáticos e nem sempre se confirmam.

A previsão do Simepar é que a escassez hídrica se prolongue, pelo menos, até as próximas chuvas de verão, entre dezembro e fevereiro do ano que vem.

“Previsão de chuva abaixo da média não significa que a próxima safra não será boa, pois mais importante do que a média é a distribuição da chuva no decorrer do ciclo da cultura, o que gera boas safras”, observa o agrônomo.

 

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