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Exemplo de superação, família de Quatro Pontes é modelo em bovinocultura

calendar_month 22 de junho de 2020
6 min de leitura

A narrativa tem no enredo uma mescla de sonhos, frustrações, conquistas e redescobrimento de propósitos. O pontapé inicial se deu em 1996, ano que Cleia e Adelar Ferster se uniram em matrimônio. Logo no começo, o casal teve a ideia de trabalhar junto. Para isso, escolheu a propriedade dos pais de Adelar para morar e criar os futuros filhos. Adelar sempre teve familiaridade com o campo e foi na atividade leiteira (ofício herdado dos pais) que encontrou o sustento da família, no entanto, para Cleia, que residia na cidade, o plano pareceu uma aventura recheada de desafios. Alimentar os animais, ordenhar as vacas, cuidar da casa e realizar os demais afazeres que a vida no campo exige foram tarefas que ela passou a cumprir com maestria.

Ela lembra que no começo o casal foi presenteado com uma vaca e brotava, então, uma parceria entre a família. A produção era pequena, girava em torno de 30 litros de leite por dia. A ordenha era mecânica e o produto ficava armazenado no congelador. Visionário, o jovem casal sonhava alto. Iniciou investimentos em genética, inseminação artificial e outras melhorias, objetivando um incremento na produção. Das primeiras vacas nasceram os bezerros, originando, então, o primeiro plantel.

Adelar conta que na mesma época tiveram a primeira filha. “Em 1998 nasceu Caroline, que foi criada em meio às vacas, como todas as crianças que moram no sítio. Anos depois, em 2005, chegou a segunda filha: Larissa. Nesta época decidimos comprar o plantel do meu pai, sendo que alguns dos animais já eram nossos, somando 33. Ainda nesta época, tínhamos o botijão de sêmen e nós fazíamos as inseminações”, menciona.

Em meados de 2008, um salto na produção levou os pecuaristas a investir ainda mais. A quantidade de animais aumentou e a estrutura não comportava mais. Edificaram, então, a sala de ordenha, adquiriram resfriadores e ordenhadeiras e houve a contratação de um funcionário. O negócio estava crescendo. Dois anos depois, o que era sonho passou a se transformar em realidade. O trabalho que gerava prosperidade e a crença de um futuro ainda mais promissor enchia o coração dos produtores com novas expectativas. “De uma vaca para 88. Foi um grande salto”, recorda Adelar.

 

1º DESAFIO: TUBERCULOSE

Como toda história de sucesso tem seus reveses, a do casal Ferster não foi diferente. Um dos animais enviado para abate testou positivo para tuberculose. “Adotávamos todos os cuidados. Anualmente fazíamos os exames em nossos animais e há oito anos não comprávamos gado de outras localidades”, comentam.

Tristemente, o próspero plantel de 44 vacas de lactação e 44 novilhas, que produziam 750 litros de leite ao dia, foi reduzido a apenas quatro bezerros. “Tivemos que fazer o vazio sanitário das instalações, que durou um ano. Para nós ficaram os financiamentos das vacas e das estruturas para serem pagas sem a produção de leite. Foram anos difíceis”, lamentam.

 

Plantel atual conta com 30 vacas e 25 novilhas: produção de 900 litros é de 28 animais

 

RECOMEÇO

Cleia salienta que o desespero tomou conta, pois, com as dívidas e sem produção, o que era sonho se transformou em pesadelo. “Nada mais fazia sentido”, expõe. “Tínhamos duas opções: vender a propriedade e quitar os débitos ou ficar e achar meios para pagar”, acrescenta.

O casal optou pela segunda alternativa e foram inúmeras as tentativas para sair do sufoco, no entanto, uma funcionou: a produção de feno. Enquanto as novilhas que restaram foram criadas isoladas, sendo examinadas a cada 60 dias durante um ano, a produção de feno aumentava.

Com o nascimento do primeiro bezerro das novilhas que sobraram, uma centelha de esperança brotava. A retomada na produção de leite começou com menos quantidade. Eram apenas 20 litros. “Tivemos que fazer novos financiamentos para comprar mais animais e continuar crescendo. Hoje o plantel é de 30 vacas e 25 novilhas. A produção de 900 litros é de 28 animais”, orgulham-se os produtores. “Todas são de alta genética, registradas na Associação Paranaense de Criadores de Ovinos da Raça Holandesa (APCBRH) e com certificação de propriedade livre de tuberculose e brucelose, meta que traçamos”, enaltece a quatro-pontense.

Evolução é uma das palavras que define o casal. Logo após o “baque”, Cleia e Adelar resolveram investir ainda mais na qualidade de vida do plantel. O compost barn foi edificado para evitar que os animais sofram, gerando, assim, uma maior produtividade. E assim recomeçaram.

 

2º DESAFIO: PERDAS AFETIVAS

Com os negócios melhorando e a produção intensificada, o segundo capítulo desta história traz um relato de tristeza. “Superar as perdas materiais foi bem complicado, mas quando ocorreram as perdas afetivas, como o falecimento da minha mãe e seis meses depois do meu irmão, o emocional ficou desequilibrado. Perdeu-se o sentido de tudo. Percebendo isso, minha esposa tinha lido vários conteúdos sobre desenvolvimento pessoal, acreditando que poderia me ajudar. Me mostrou os conteúdos, que me ajudaram muito e não paramos mais. Fizemos vários cursos e imersões, tanto on-line como presencial”, relata Adelar.

 

Adelar Ferster e Cleia com as filhas Caroline e Larissa: casal divulga nas redes sociais o trabalho realizado na propriedade, situada na Linha São José, propagando informações àqueles que se interessam em bovinocultura

 

SUPERAÇÃO

Segundo ele, foi na realização de um curso de coaching que o casal reforçou novamente o propósito e encontrou saídas para aquele desconforto causado pelas perdas materiais e afetivas. “Nós desenvolvemos muito com a expansão de consciência, criando hábitos novos e tendo uma nova visão de vida”, ressalta.

O produtor diz que ele e a esposa implementaram a metodologia na propriedade, com elaboração de metas e objetivos. Agregaram a isso o ingresso em redes sociais, divulgando o trabalho e propagando informações àqueles que se interessam pelo assunto.

 

SEGMENTO LEITEIRO

Em relação ao segmento leiteiro e seus obstáculos, Adelar é enfático: “Sempre foi um setor desvalorizado, com altos e baixos no preço, contudo, o preço é a única coisa que o produtor não interfere. Precisamos encontrar meios de aumentar a produção e baixar custos da porteira para dentro. Sempre em busca de eficiência e melhorias na qualidade do leite. Adquirimos novos conhecimentos e excelência que possam melhorar ainda mais os resultados e repassamos também para os outros produtores a nossa experiência”.

 

VIDA QUE SEGUE

Hoje, aquele jovem casal continua sonhando, mas os ideais são projetados em alicerces fortes de fé, trabalho e amor. Continuam na mesma propriedade, situada na Linha São José, interior do município de Quatro Pontes, e produzindo. “Agradecemos a Deus por conseguirmos superar as adversidades. Em memória da mãe Acilda e com apoio do pai Oswaldo, também somos gratos por oportunizarem a sucessão e o prosseguimento na atividade leiteira, ofício que nos enche de orgulho e prazer”, enfatiza Adelar.

Aos produtores da região, o casal deixa um recado: “Vocês que amam essa profissão, não abandonem a atividade. Busquem desenvolvimento e conhecimento para ter sucesso. E aos que estão iniciando, façam com amor e dedicação, sempre traçando metas e objetivos. Se você almeja ter sucesso em qualquer atividade, invista primeiro em você. O grande sentido da vida é a troca de conhecimento”.

 

Todas as vacas da propriedade são de alta genética, registradas na Associação Paranaense de Criadores de Ovinos da Raça Holandesa (APCBRH) e com certificação de propriedade livre de tuberculose e brucelose

 

Com assessoria

 

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