A BR-163 não sai de pauta, principalmente no Oeste paranaense. A rodovia sempre teve espaço especial nas coberturas jornalísticas, uma vez que seus gargalos de infraestrutura nunca são plenamente solucionados. Exemplo disso é uma das principais manifestações em prol da manutenção do trecho entre Marechal Cândido Rondon/Guaíra, que completa 20 anos nesta terça-feira (16).
No ato histórico, vereadores e lideranças de Marechal Rondon, Mercedes, Pato Bragado, Entre Rios do Oeste, Quatro Pontes, Terra Roxa, Nova Santa Rosa e Guaíra, vinculados à Associação das Câmaras e Vereadores do Oeste do Paraná (Acamop), se reuniram, no dia 16 de agosto de 2002, para sensibilizar o Poder Público quanto às condições da rodovia, consideradas precárias.



Repercussão
Com crateras e pistas simples, a BR-163 passou a ser palco para a ação de assaltantes. Como os veículos precisavam trafegar lentamente na extensão Rondon/Guaíra a fim de evitar estragos, viravam presas fáceis para os bandidos, virando reféns da criminalidade. Apesar da ampla divulgação na imprensa regional e mobilização de edis oestinos, o fechamento – que aconteceu na Linha São Luiz, em Mercedes, e tinha pretensão de reunir quatro mil manifestantes – teve um público aproximado em 100 pessoas.
Mesmo assim, a ampla cobertura da imprensa e repercussão do ato fizeram com que o fechamento cumprisse seus objetivos, ainda que depois da mobilização a via recebeu apenas tapa-buracos.








Ranking de piores estradas
Meio ano depois, já em 2003, no dia 26 de fevereiro, foi a vez de Guaíra tomar para si as dores de estar isolada no Oeste, devido ao abandono da BR-163. Naquele dia, lideranças do município guairense organizaram o fechamento no principal trevo de acesso à cidade.
Naquela “altura do campeonato”, conforme publicação do Jornal O Paraná de 9 de abril de 2003, o Estado do Paraná ocupava o 2º lugar no ranking de piores estradas, sendo o trecho da BR-163 entre Guaíra e Marechal Rondon um dos mais críticos na época.


Dias atuais
Desde 2003 se questionava se a cobrança de pedágio seria a solução para a precariedade da via. Dezenove anos depois e com a via entre Marechal Rondon e Guaíra conservada, a proposta de instalação de uma nova praça de pedágio em Mercedes não foi bem aceita – mesma repercussão que teve a praça projetada para ser incorporada entre Cascavel e Toledo. Clique e relembre para onde estão previstas as novas praças de pedágio no Paraná.
Trecho reivindicado mudou de lugar
Se antes o trecho da BR-163 entre Guaíra e Marechal Rondon era o que mais despertava indignação, atualmente os olhares se voltam para os quilômetros entre o município rondonense e Toledo.
Com as obras paradas em frente à entrada de Marechal Rondon, quaisquer sinais de que as intervenções na rodovia voltarão a acontecer são comemoradas. No final de julho, foi divulgada a liberação de recursos para o trecho em questão. De acordo com o deputado federal Sérgio Souza, o edital prevê apenas a manutenção e a conservação das vias, o que é periodicamente realizado pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT).
“O edital não traz previsão de infraestrutura. Não há previsão de duplicação para os trechos mencionados, apenas manutenção e conservação das vias”, declarou ao O Presente, ressaltando que não trata da conclusão das obras.
Sérgio Souza diz que estão previstos no edital serviços de melhoria na pista, sinalização e roçada no trecho entre Toledo e Marechal Rondon, além da manutenção da BR-467 entre Cascavel e Toledo. “Além disso, a empresa vencedora do certame deverá realizar o chamado agulhamento, que através de sinalização fará a conexão da pista antiga da BR-163 com a pista nova, cerca de 21 quilômetros de pista já duplicada”, explica.
Ele adianta que o edital em questão tem valor estimado de R$ 55.477.977,96 e a empresa Pavimentações e Terraplenagens Schmitt Ltda apresentou a menor proposta (R$ 51.778.307,50). “Atualmente, o Dnit está analisando a proposta e a documentação. Somente após essa fase poderá haver a homologação. Caso a documentação não seja aprovada, a empresa será desclassificada e será habilitada para análise da documentação a que deu o segundo menor lance”, expõe.

Mas e a conclusão das obras?
O deputado menciona que o trecho em obras na entrada de Marechal Rondon está incluído no lote 6 do projeto de concessão das rodovias paranaenses. O andamento de tais intervenções depende do cronograma de concessões, que segue o seguinte planejamento:
Lotes 1 e 2: licitação até o fim do ano de 2022 e assinatura do contrato no primeiro trimestre de 2023;
Lotes 3, 4, 5 e 6: licitação no primeiro trimestre de 2023 e assinatura do contrato no segundo trimestre de 2023.
“As previsões do cronograma levam em consideração que as informações e atualizações dos lotes 1 e 2 já foram encaminhadas ao TCU (Tribunal de Contas da União), e há possibilidade de iniciar a licitação ainda este ano. Já os lotes 3, 4, 5 e 6, que ainda têm questionamentos pendentes com o TCU, não podem seguir o mesmo cronograma dos dois primeiros lotes”, ressalta.
O Presente