Com 52.944 habitantes, conforme o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Marechal Cândido Rondon tem 44.706 veículos de todos os tipos, segundo dados registrados até junho pelo Departamento de Trânsito do Paraná (Detran). Ou seja, média de 0,84 por habitante.
De junho de 2010 a junho de 2020 a frota veicular do município avançou de 28.174 para 44.706 unidades, o que representa 58% de aumento.
Os automóveis seguem dominando o trânsito rondonense, tendo avançado de 13.392 para 21.325 unidades nos últimos dez anos. Contudo, as caminhonetes foram o modelo de veículo com maior incremento neste período, passando de 1.465 para 4.061 unidades. Motocicletas e motonetas também tiveram aumento considerável, cujo número registrado hoje por modelo é de 7.170 e 4.659 veículos de duas rodas.
A expansão no número de veículos impõe desafios aos setores de trânsito, tanto à Polícia Militar (PM) para promover fiscalizações, orientar os condutores e punir eventuais infratores, como à Secretaria de Mobilidade Urbana para manter bem organizada e sinalizada a malha viária rondonense.

Comandante da 2ª Companhia da PM, tenente Daniel Zambon: “O baixo custo torna as motos atrativas em relação aos automóveis, em compensação os índices de acidentes com motos são maiores e normalmente terminam com seus condutores feridos” (Foto: Joni Lang/OP)
PREOCUPAÇÃO
Para o comandante da 2ª Companhia da PM em Marechal Rondon, tenente Daniel Zambon, ter veículos novos trafegando na cidade é um fator positivo, uma vez que possuem mais recursos no que tange à dirigibilidade. “Veículos com boas condições mecânicas, entre outros aspectos, diminuem os riscos de acidentes”, expõe.
Por outro lado, pontua Zambon, o aumento da frota e de pessoas circulando nas ruas demanda maior preocupação porque amplia a possibilidade de acidentes. “A nós, da PM, cabe fiscalizar para que a situação não se torne prejudicial em termos de segurança. Já o município deve adequar e sinalizar as vias. A soma dos esforços em melhorias de vias públicas e de fiscalização vem para equilibrar este aumento da frota”, entende.
Segundo ele, as motocicletas e motonetas que hoje somam 11.829 unidades no município têm como item facilitador a locomoção e a dirigibilidade. “O baixo custo também torna as motos atrativas em relação aos automóveis, em compensação os índices de acidentes com motos são maiores e normalmente terminam com seus condutores feridos, pois o para-choque é o motociclista. Então, demanda maior atenção ao ocupante da moto e para com outras pessoas”, frisa.

Automóveis somam 21.325 unidades no trânsito do município, quase 50% do total: caminhonetes foram o modelo de veículo com maior incremento nos últimos dez anos, passando de 1.465 para 4.061 (Foto: Joni Lang/OP)
PERFIL
O comandante da PM diz que o trânsito local conta com público específico em determinados horários. “De manhã são trabalhadores e o público escolar, com veículos e ônibus, e à tarde para o trabalho. Hoje está restrito ao trabalho devido ao coronavírus. O outro público usa automóvel e moto por lazer, vai a festas e bares, o que nos preocupa pela ingestão de álcool, exigindo mais cuidados da PM. Nosso principal trabalho é preservar vidas e depois evitar danos patrimoniais”, salienta.
Conforme ele, grande parte da população respeita as normas de trânsito, todavia, existe uma porcentagem pequena de infrações em relação à população que circula no município por conduta irregular ou por veículo inadequado quanto à documentação ou manutenção. “No caso de acidentes, os grandes motivos são falhas humanas, como desatenção, excesso de velocidade e embriaguez. Os condutores devem ter bom senso para andarem corretamente visando reduzir ao máximo possíveis prejuízos”, enaltece.
Zambon menciona que, devido à pandemia do coronavírus e aos decretos restritivos, o Pelotão de Trânsito reduziu a quantidade de bloqueios (blitzes) para preservar a população e os policiais. “Houve bloqueios, mas em menor escala. Hoje estamos cientes da etiqueta de prevenção e capacitados a reiniciar as blitzes de trânsito, realizando-as com maior frequência”, comenta.

Secretário de Mobilidade Urbana, Welyngton Alves da Rosa: “Hoje temos um trânsito provido de rotatórias, o que facilita o fluxo de veículos. Infelizmente, uma parcela da população ainda não se adaptou a elas, mas gradativamente isso tem melhorado” (Foto: Joni Lang/OP)
RESPOSTA
O secretário municipal de Mobilidade Urbana, Welyngton Alves da Rosa, salienta que nos últimos dez anos a frota aumentou em torno de 60%. “É uma demanda muito grande. Nos últimos 20 anos a região central não teve alteração, pois a cidade cresceu na sua periferia, com loteamentos espalhados por Marechal Rondon. Porém, a área central, que acumula comércio e o centro ‘nervoso’, permanece inalterada por muitos anos”, observa.
Para absorver o aumento da frota, Rosa informa que foram criadas cerca de 300 vagas de estacionamento. “Muitas ruas são largas, acima de nove metros, então transformamos os estacionamentos em oblíquos em ambos os lados. Todas as vezes que fazemos isso ampliamos em 40% o número de vagas naquela quadra. Quando retiramos da área central os pontos de ônibus nas ruas Sete de Setembro e Tiradentes, criamos 48 vagas de estacionamento a mais nesses locais somente realocando os pontos a outros lugares. Parece pouco, mas para o comerciante é muito importante ter 48 vagas a mais”, enfatiza.
O secretário menciona que as edificações atuais incluem garagem para os moradores. “Alguns anos atrás muitas obras foram realizadas sem a preocupação das garagens. Isso acumula prejuízo à cidade pela quantidade de veículos. Todo esse impacto da frota interfere diretamente na mobilidade urbana e quando se fala nisso tem que pensar em pedestre, ciclista, motociclista, no trânsito daquele dia conciliado com atividades do dia a dia”, evidencia, acrescentando: “Como colocar numa cidade que não sofreu alteração estrutural 17 mil veículos em dez anos? O aumento da frota é um problema nacional e a gente tem que pensar muito sobre isso. Temos procurado dar resposta para esse aumento melhorando nossa cidade cada dia”.
INTERVENÇÕES
Rosa destaca a sinalização da cidade. “Somente nos últimos três anos colocamos mais de 3,5 mil placas de sinalização mais ostensiva para diminuir o número de acidentes. Estamos criando estacionamentos especiais para idosos, pessoas com deficiência e de curta duração para atender o comércio em geral para dar mecanismos ao aumento da frota, porque hoje temos demanda muito grande na secretaria para estacionamento”, declara.
De acordo com ele, o trânsito rondonense é misto e absorve várias modalidades, desde a pessoa que vai para o comércio, quem circula para realizar alguma atividade ou o agricultor que vem para a cidade. “Temos em Rondon situações que não enxergamos em outros municípios, no entanto, devemos tentar adaptar isso. Não à toa o número de acidentes tem reduzido drasticamente, tanto que estamos com 90% de mortes a menos do que quatro anos atrás, ou seja, houve diminuição de nove para um óbito no trânsito”, analisa.
Na avaliação do secretário, Marechal Rondon foi muito bem planejada, contando com avenidas longas e ruas largas. “Hoje temos um trânsito provido de rotatórias, o que facilita o fluxo de veículos. Elas fazem com que os motoristas conduzam seus veículos a uma velocidade razoável sem semáforo. Claro que é preciso ter atenção redobrada. Infelizmente, observamos que uma parcela da população ainda não se adaptou às rotatórias. Os quatro lados da rotatória são preferenciais, então o motorista deve parar e tem preferência quem está dentro da rotatória. Mas gradativamente isso tem melhorado, pois hoje as rotatórias são definitivas e os moradores vêm se habituando a utilizá-las”, aponta.

Considerados atrativos pela facilidade de locomoção e preço baixo, veículos de duas rodas somam 11.829 unidades no município (Foto: Joni Lang/OP)
FALHAS HUMANAS
Segundo Rosa, dados repassados à secretaria pelo Corpo de Bombeiros revelam que 80% dos acidentes com vítimas ocorrem por falhas humanas. “Entre elas imprudência, negligência, imperícia, excesso de velocidade, desatenção, alcoolismo ou utilização de celular. Antes o cruzamento recordista de acidentes era a Avenida Rio Grande do Sul com a Rua XV de Novembro, porém, com a implantação de rotatória, esta situação migrou para a Avenida Maripá próximo da esquina com a Rua Bahia, onde haverá intervenção. Outra parte com número regular de acidentes é o trecho da Avenida Rio Grande do Sul onde não tem rotatória e existe cruzamento”, frisa o secretário.

(Foto: Arte/OP)
* Dados liberados pelo Detran Paraná ao Jornal O Presente
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